sábado, 18 de maio de 2013

Sorteio de um exemplar do livro 'O Espelho'

Você está preparado para correr riscos diante do reflexo sinistro de um espelho antigo?! Então participe de mais essa promoção do Dito pelo Maldito que vai sortear um exemplar do livro O Espelho do autor Jorge Plá Y Cid, publicado pela editora Dracaena.
Caso você ainda não saiba nada a respeito desta incrível obra, pode começar CLICANDO AQUI e lendo a resenha feita no blog. E não esqueça de deixar seu comentário.
Depois é só seguir o regulamento da promoção abaixo e torcer para ser o sorteado. 
Participe!!!

Como participar:
Desta vez o sorteio ocorrerá apenas pelo Facebook, então é primordial que, para começar, você faça como esses malucos abaixo e dê o seu 'curtir' na nossa fã page do blog...
...Em seguida é só CLICAR AQUI para acessar a postagem da promoção em nossa página do Facebook, compartilhar a postagem, e confirmar a sua participação no sorteio pelo aplicativo sorteie me.

E pronto, você já está participando do sorteio que vai rolar dia 31 de Maio de 2013. O ganhador será avisado por mensagem privada em seu perfil do Facebook, e terá 48 horas para responder ao aviso e informar seus dados para envio do exemplar.
Boa sorte a todos!!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Tá lá mais um corpo estendido no chão!

Ou aquele defunto fresco na minha esquina

Havia muito a ser dito entre nós. Eu e aquele defunto fresco na minha esquina. Porém o maior (se não o único) problema de estar já defunto é não continuar falando com os vivos.

O defunto não bebia... Mas eu não quero ficar aqui chamando o desencarnado de defunto, pois seu nome era Flávio, seu apelido era Delito, e em quatro anos de adolescência marginal deve ter levado, na faca e na pistola, umas sessenta cabeças para outra dimensão. Matava; como quem bebe um copo de água revigorante no calor do verão. Matava, e assim nutria mais e mais sua infinita sede de matar.
- Viu a merda que deu aí de madrugada, professor?
- Vi... Mas o cara tava pedindo.
O dono da barbearia parou ao meu lado e ficamos lá, ainda surpresos, admirando parte da massa encefálica alojando-se no paralelepípedo.
- O pessoal do armazém falou que não foi polícia, não...
- É... Tem bala demais na cara. Deve ter sido alguém que ele fodeu antes, crime de vingança.
- Deve ser.
O barbeiro saiu para atender seu primeiro cliente do dia, e eu ainda estava parado olhando Delito, ou melhor, o que sobrou dele. Filho da puta... Já deve estar lá no inferno agora, sendo recebido com honras militares. E o Diabo, sim, este punheteiro rubro adorador dos piores instintos humanos, lhe dará uma estrelinha de bom menino pregada na ponta do pau, uma enorme suíte com vista para o vale dos suicidas, e o direito de reencarnar em um deputado federal brasileiro. Ora, meus bons leitores, se o tal Diabo é a representação do caos total, da treva, da maldade, como poderia ele castigar um filho querido que o representasse tão bem aqui? O Inferno é o paraíso dos maus!
Enquanto eu estava na rua da frente pensando nos livros, nos desenhos, no karatê kid, Delito pensava em assaltar carro forte para comprar vídeo game e casa na praia. Enquanto eu, o medroso da rua da frente fazia cursos, ralava, enfrentava transito e dificuldades para ganhar uns trocados, Delito roubava e armava suas jogadas, revendia de tudo, gastava com drogas, bailes, orgias. Eu, na rua da frente vestido de promoção.  Delito, na rua de trás, cuja família desconhece o menos básico do básico (fora o feijão e as entranhas do popular), vestia um conjunto importado no valor de três mil reais.
Nossas mães se conheciam, conversavam. Boa família tinha o rapaz, boa família. Pedreiros, diaristas, motoristas de ônibus. Alguns livros velhos na prateleira, uma bíblia aberta na sala.
- Eu queria muito que o meu Flavinho fosse médico.
E o ordinário olhava para o alto sorrindo pra mãe... Devia ter uns oito anos, mas sorria de sacanagem, sabendo que o mais próximo que chegaria da medicina seria quando desse a sua entrada definitiva no IML.

Agora o que resta é o defunto Delito, ontem Flávio, mais um Zé Bosta que poderia ter morrido bem antes de fazer tudo o que fez. Aqui está a carcaça de outro rato urbano, um detrito capital amante das grandes marcas, esgoto dos projetos inacabados do passado, coisa ruim que nem as minhocas gozarão por nojo!  Aqui caro leitor, neste pedaço de inferno recheado de balas, sucumbiu mais um fantoche das trevas. Escrevam, por favor, em sua lápide: “Eu, um nada de lugar nenhum decidi ser porra nenhuma e assim morri jovem, numa bela manhã de sábado, sem saber o real motivo de um dia ter saído das bolas de meu pai”.

- É pão de forma, manteiga e duzentos gramas de mortadela, Chefia?
- Mortadela bem fininha.
- Pode deixar. O senhor já viu o defunto ali na esquina?

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Fuga dos Mortos (conto interativo) - Final

Este é mais um capítulo da terceira temporada do nosso projeto 'Conto-Interativo' que ocupou espaço nas últimas quintas deste blog. A ideia consistiu em apresentar contos curtos e interligados, onde ao final de cada um, foi apresentada uma enquete com opções para que o público decidisse a próxima ação do personagem, assim participando do enredo e influenciando diretamente no final da história.
E lamento dizer que devido a opção escolhida pela maioria do público na última enquete, hoje chegamos ao capítulo final de 'A Fuga dos Mortos!'.

Para acompanhar seu conteúdo e entender como tudo começou, seria sensato que você lesse os capítulos anteriores:

Anteriormente, em Fuga dos Mortos...
...Com a arma em punho ele olhou pra baixo e não conteve as lágrimas quando viu Mauro agarrado ao seu calcanhar pedindo ajuda com um olhar desesperador enquanto o zumbi obeso rasgava sua carne feito um sem teto fuçando em sacos de lixo. 
Mirou na criatura e atirou. Pow! Um tiro certeiro bem na testa. 
O corpo caiu pesado sobre Mauro, que ao mesmo tempo soltou seu último suspiro. Afrouxando os dedos da perna de Bernardo.
Demorou algum tempo até que se recuperasse do choque. Não saberia precisar o quanto, mas quando voltou a si estava apontando o 38 para o corpo desfalecido do vizinho, e as buzinadas haviam cessado. 
E sem saber direito o porque, isso o preocupou.
Mais uma vez se via em uma encruzilhada e ainda nem era hora do almoço. Nem sabia se sobreviveria até lá. Mas diante de tanto desfortúnio, só havia uma decisão lógica a se tomar... 
Bernardo respirou fundo e tentou se recompôr. Abaixou a arma calmamente e a guardou na cintura, ainda vidrando seus olhos nos dos sem vida de seu vizinho. 
Conformou-se em levar o fardo daquela morte consigo e aos poucos foi se arrastando pelo chão para longe dos corpos e em direção aos suprimentos espalhados pelo assoalho.
De gatinhas, em uma velocidade que aumentava gradualmente, foi recuperando o controle dos músculos e reunindo os alimentos e apetrechos de volta as malas, ignorando a grande quantidade inútil de dinheiro que só servia para atrapalhar seu trabalho do tipo 'formiguinha'. Enquanto executava a entediante tarefa, só conseguia pensar no som da buzina lá fora. Ou melhor, na súbita ausência dele.
Com a mente dopada de endorfina pelas cenas que acabara de vivenciar, ele imaginava dúzias de motivos que poderiam ter cessado o 'buzinaço' lá fora. E nenhuma dessas suposições o agradou.

Com os corpos fora de seu campo de visão e totalmente concentrado no que fazia, Bernardo não teve chance de reação quando os dentes pútridos do cadáver reanimado de Mauro penetraram  em seu calcanhar.
Ele urrou alto. Mais alto que qualquer buzina.
Contaminado pela mordida infecta do zumbi gordo, lamentavelmente o vizinho despertou como um morto-vivo e guiado por uma fome irracional seguiu seu instinto até a carne escura do capoeirista.

Virou-se como pode, e com a outra perna, acertou um belo chute com a chapa do pé bem na face da criatura que rolou para o lado com o maxilar deslocado, deixando alguns dentes cravados na perna do rapaz.
Bernardo sacou o 38 novamente, e pela segunda vez no dia, apontou a arma para o rosto do seu vizinho. Mas dessa vez sem qualquer tipo de hesitação com o gatilho.
Atirou uma vez. Devido a tremedeira acabou errando feio.
Com o apoio da outra mão na coronha do revólver, arriscou um segundo tiro. Esse até que passou perto, mas o esfomeado continuava a rugir.
O terceiro disparo abriu um buraco bem entre os olhos do zumbi. Finalmente estava feito.

Fadigado, ele pesou o olhar sobre o ferimento da perna, lamentando sua falta de sorte. 
Deixou a arma cair de suas mãos e, desesperançado, foi se arrastando em direção aos caixas do mercado. Escorou-se em uma das cadeiras empoeiradas do lugar, e alcançou as prateleiras superiores onde ficavam os cigarros. Serviu-se de um maço, sacou um bastonete de tabaco, e o acendeu com um esqueiro anunciado ao lado em promoção por três e noventa e nove.
Estava há quase cinco anos afastado do vício, e por algum motivo, achou que aquele era o momento ideal para recomeçar com velhos hábitos.
Deu uma forte primeira tragada, e ao expelir a fumaça azulada dos pulmões, proferiu aquelas que provavelmente seriam suas últimas palavras.
- Bom,... É melhor tomar uma decisão errada, do que criar o hábito da indecisão.
*FIM*

Resultado da última enquete
Gostaria de agradecer a todos que votaram e comentaram a cada post, alimentando o projeto, e tornando sua realização viável. 
Espero que tenham gostado da história que construímos juntos. E novamente conto com a participação de todos nos comentários, com um feedback deste final de projeto,... e tá todo mundo contratado para participar da próxima temporada do Conto-Interativo de novo.

Esquenta para o Encontro Internacional de RPG

Se assim como eu, você já não aguenta mais de ansiedade pelo retorno do saudoso Encontro Internacional de RPG neste ano, acho que ficará feliz em saber que a equipe da Devir junto com a Geek.etc.br, resolveram aliviar essa nossa espera e prepararam o Esquenta EIRPG, uma espécie de prévia do evento com várias mesas de RPG para ir preparando os jogadores para o que virá!

A minha presença já está garantida, e se você quiser garantir a sua, sugiro que corra agora no site da Devir clicando aqui e se inscreva o quanto antes, pois as vagas são limitadas. Por exemplo, as de mestres já estão esgotadas.
O evento rola dia 25/05, aqui em São Paulo. Veja abaixo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

As Taras do Mini-Vampiro

As Taras do Mini-Vampiro
Diretor: José Adalto Cardoso
Roteiro: José Adalto Cardoso
Ano: 1987
País: Brasil
Atores: Anão Chumbinho, Renalto Alves, Bim-Bim, Makerley Reis

A pornochanchada, um gênero tipicamente brasileiro, bastante comum na década de 70, foi como dar asas a todas e quaisquer possibilidades. Pode-se dizer que, talvez, todos os gêneros foram produzidos dentro da pornochanchada. Sem medo, e numa ousadia que nos dias de hoje é considerado “atual e ousada”, muito dessas produções murchariam se colocadas ao lado dessas pérolas amalucadas do passado. Se você nunca assistiu uma pornochanchada, é algo que vale a pena assistir. (Será que você nunca assistiu Histórias Que Nossas Babás Não Contavam? A Noite das Taras. A Dama da Lotação (Meu preferido!). Os 7 Gatinhos e muitos, mas muitos outros. Se não, os citados ficam como iniciação no gênero). 
Mas não me estenderei, pois este tema é extenso e daria, tranquilamente, mais páginas que um mestrado.
E em meio a todas essas maluquices, deparo-me com As Taras do Mini-Vampiro. Um vampiro anão que ataca as pessoas quando estas estão transando. Ahh sim, algumas pornochanchadas, como esta, contém sexo explícito. Mas é explícito mesmo! Rsss. Nada de mãos quentes e seios a todo momento. Penetração, sexo a três e algumas masturbações masculinas com grande desejo por éguas (Você não leu errado). Zoofilia? Talvez. Mas não acontece nenhum tipo de contato entre ele e o animal, assim como nenhuma exibição do sexo do animal.

Enquanto isso, o vampiro continua atacando na pequena cidade de Bananal, interior de São Paulo.  E o prefeito enxerga tais ataques como a chance da cidade despontar para o mundo como a cidade do vampiro, atrair turistas de todos os lugares, sair do total desconhecido e etc. Um caça-vampiros é contratado para caça-lo e, logo, estabelecem um diálogo-desabafo, que resulta na criatura enfrentar um problema que está vivendo. 
Gostaria, mas não direi qual é.

É claro, como não poderia deixar de ser, o vampiro também sente tesão e se joga no sexo como qualquer outro ser vivo. Ou morto-vivo.
Atenção para duas cenas absurdas que merecem um destaque: A ereção do vampiro brotando da terra. E o momento em que, fazendo sexo oral numa atriz totalmente entorpecida de maconha, tira seu absorvente usado e fica louco pelo sangue. #nojo
As Taras do Mini Vampiro foi produzido pela extinta e inesquecível Boca do Lixo, em São Paulo. Um filme imperdível devido todo o absurdo que o compõe.
Divirta-se...
E qual o pensamento que tirei sobre?
Ainda estou tentando elaborar um.

Se você for maior de idade, pode assistir essa pérola da sétima arte nacional na integra em um famoso site pornô clicando aqui

Conheça o Pub fielmente inspirado em Senhor dos Anéis

Já se imaginou bebendo com seus amigos em uma calorosa taberna hobbit, tal qual Frodo e seus companheiros de aventuras nos momentos de descanso entre suas perigosas jornadas descritas na trilogia criada por Tolkien? 
Pode ficar feliz porque agora esta cena já pode ser concebida.
Para isso, basta que em sua próxima viagem de férias você inclua em seu roteiro a Nova Zelândia e a vila Hobbiton, onde logo após as colinas encontrará o The Green Dragon Pub, 'um lugar para descansar seus pés peludos'. Pelo menos essa é a chamada desse singelo lugar construído totalmente baseado no cenário de O Senhor dos Anéis, localizado na zona rural desse longínquo país da Oceania.
Para ter sua estrutura totalmente fiel ao universo da trilogia exibida nos cinemas, o empreendimento contou até com a supervisão do diretor de arte, e equipe, dos filmes, que supervisionaram pessoalmente a construção do pub, que devido ao seu visual, anualmente tem recebido centenas de visitantes e fãs da obra, e acabou virando a principal atração do lugar. 
Abaixo você pode conferir algumas imagens do Pub, incluindo a sua inauguração.

sábado, 11 de maio de 2013

'Só dez por cento é mentira' , a desbiografia de Manoel de Barros

Imagino que não foi por acaso que recentemente uma das minhas irmãs me enviou um vídeo como sugestão com a seguinte mensagem 'Pensei em você vendo essa poesia documental!!', de fato, uma forma irresistível de conquistar o interesse de alguém quando se quer atenção para algo.
E lá foi eu dar play no tal do 'documentário' sem nenhuma expectativa inicial, afinal, se acaso ele remetesse mesmo a mim, é assim que deveria ser, sem expectativa alguma.
E foi isso. E foi isso e muito mais...

Já nos primeiros minutos do vídeo fui logo arrebatado por uma narrativa primorosa, um texto arrebatador, e uma correlação de imagens que não me fez mais desgrudar os olhos do que viria a seguir. A vida e obra do recluso Manoel de Barros, o poeta que foi poetar, porque só poesia sabia fazer.
Eu que mal conhecia seus verbetes, logo me vi encantado ao descobrir o quão profundo alguém pode ir sem sair da beirada. Sem sair de si. Enfim, se eu continuar me prolongando aqui, vou acabar proseando demais e acrescentando de menos na obra desse gênio.

Assista o vídeo. Melhor! Te desafio a assistir os 2 primeiros minutos desse documentário, e se ainda assim você decidir não seguir em frente, é porque não era pra ser diferente.