sábado, 19 de abril de 2014

Conheça a real inspiração por trás dos maiores vilões das HQs

Artistas e escritores procuram encontrar inspiração para suas criações em praticamente qualquer coisa ao seu redor, desde o mundano até o excepcional. Pessoas, lugares, coisas, até mesmo outras obras de arte influenciaram alguns dos maiores artistas a criar algumas peças memoráveis ao longo da história. E desenhistas e autores de quadrinhos não são exceção.

A maioria dos maiores vilões dos quadrinhos surgiu devido uma série de ideias interessantes e fascinantes do mundo real. Alguns personagens (como Blob ou o Apocalypse) simplesmente brotaram das mentes de seus criadores, desenhados sem nenhuma ligação com o mundo real. Outros (como Loki e Hercules) são fáceis de perceber a conexão com a mitologia antiga. Mas ainda assim, há aqueles cujo a origem não é tão óbvia, e esses são os que escolhemos abordar nessa postagem.
Todos os citados abaixo passaram por uma pesquisa onde consideramos citações dos próprios criadores dos personagens para validar o fato.

- O Coringa
Primeira aparição: Abril 1940
Inspiração: Gwynplaine em 'O Homem que Ri'
O crédito para a criação de um dos mais antigos e mais mortais inimigos do Batman tem sido defendido por décadas. The Man Who Laughs (O Homem Que Ri) é um filme mudo norte-americano de 1928 dirigido pelo cineasta expressionista alemão Paul Leni. O roteiro adapta o romance de Victor Hugo com o mesmo nome e apresenta o ator Conrad Veidt como Gwynplaine. O filme é conhecido pela assustadora caracterização do personagem principal que apresenta na face uma desfiguração que o faz parecer com um sorriso perene e que muitas vezes leva o filme a ser classificado como do gênero terror quando na verdade é um melodrama.
Curiosidades: 
*O filme teve um remake com produção francesa, e a participação de Gerard Depardieu, lançado em 2013. Você assiste ele completo e legendado clicando aqui.
*O álbum Hellbilly Deluxe 2 do Rob Zombie tem uma canção intitulada "The Man Who Laughs". A página de letras no encarte do CD apresenta imagens do filme de 1928. Clique aqui para ouvir o som.

- A Mulher-Gato
Primeira aparição: Maio 1940
Inspiração: Ruth Steel / Atriz Jean Harlow
A ladra Mulher-Gato (Selina Kyle) foi criada em conjunto por Bill Finger e Bob Kane. Mas em sua autobiografia, Kane revela que a fêmea fatal foi levemente inspirada em sua prima Ruth Steel e o seu sex appeal ele pegou empestado da atriz Jean Harlow. Quanto à inclusão de gatos, Kane explica: "Eu senti que as mulheres eram criaturas felinas e os homens eram mais parecidos com os cães. Enquanto os cachorros são fiéis e amigáveis, o gato é esnobe, individual, e nada confiável. Eu me sinto bem melhor com cães em torno de mim, os gatos são tão difíceis de entender quanto as mulheres."

- Magneto
Primeira aparição: Setembro 1963
Inspiração: Malcolm X
Stan Lee e Jack Kirby criaram o poderoso mutante durante o auge do movimento pelos direitos civis americanos, e usaram os famosos líderes dessa luta, Martin Luther King e Malcolm X, como a inspiração por trás de Charles Xavier e Erik Lehnsherr. Os dois abertamente lutaram contra a opressão mutante presente no universo Marvel, mas enquanto o Professor escolheu uma abordagem mais pacífica e diplomática, Magneto acha necessário usar um tom mais forte e agressivo. Em defesa de Magento, Stan Lee afirmou que: "Não penso em Magneto como um cara mau. Ele só estava tentando contra-atacar as pessoas racistas e intolerantes. Ele estava tentando defender os mutantes, e como a sociedade não os tratava de forma justa, ele decidiu ensinar uma lição para a sociedade. Ele era um perigo, é claro, mas eu nunca pensei nele como um vilão."

- Hera Venenosa
Primeira aparição: Junho 1966
Inspiração: Movimento feminista / "Rappaccini’s Daughter" / Bettie Page
A DC Comics sempre deu o melhor de si para ser pertinente com as tendências atuais do mundo, o que explica Robert Kanigher e Sheldon Moldoff terem usado o crescente movimento feminista de meados dos anos 60 como uma boa razão para criar uma das mais mortais (e belas) inimigas do Batman. Kanigher teria dito no livro 'Batman - The Complete History: The Life and Times of the Dark Knight' que modelou os poderes e a personalidade da personagem de a cordo com a obra Rappaccini’s Daughter escrita no século 19 por Nathaniel Hawthorne, e seus olhares foram inspirados pela modelo Bettie Page dos anos 50.

- Destruidor
Primeira aparição: Maio 1984
Inspiração: Ralador de queijo
Depois que Kevin Eastman e Peter Laird apareceram com a ideia de quatro répteis treinados em artes marciais conhecidos como Tartarugas Mutantes Ninjas, eles precisavam de um vilão imponente para fazer frente a esses heróis tão diferentes. No vídeo The Making of 'Teenage Mutant Ninja Turtles': (que você assiste clicando aqui), Eastman descreve sua inspiração para o Destruidor da seguinte forma: "Foi provavelmente a forma mais ridícula que já surgiu um personagem. Eu comecei a desenhá-lo, e não parei até chegar ao fim. Você poderia imaginar um personagem com armas como estas em seus braços? O cara seria letal. E logo pensamos que isso seria 'Destruidor'! Que nome para um personagem."

- Arlequina
Primeira aparição: Setembro 1993
Inspiração: Arleen Sorkin de 'Days of Our Lives'
A primeira aparição de Harley Quinn surgiu no set do episódio de Batman: The Animated Series de 1992, como a insana, dedicada e excessivamente obcecada namorada do Coringa. No entanto, sua personagem ficou tão popular que a DC Comics decidiu trazê-la para as páginas dos quadrinhos do Batman. Paul Dini e Bruce Timm uniram-se para criar Arlequina, mas foi uma sequência de sonho da novela Days of Our Lives, estrelada pela atriz Arleen Sorkin vestida como um bobo da corte, que inspirou Paul Dini a criar sua aparência e personalidade.

- O Círculo Interno do Clube do Inferno
Primeira aparição: Janeiro 1980
Inspiração: O episódio The Avengers da serie de TV "A Touch of Brimstone"
Enquanto Stan Lee e Jack Kirby criaram o Mestre Mental original semelhante ao jovem Vincent Price em 1964, foi Chris Claremont e John Byrne, que coroaram o "Rei Negro" do Clube do Inferno e introduziram esses personagens como parte integrante da saga da Fênix Negra. 
No livro X-Men Volume Companion IIde 1982, todos as inspirações para os membros fundadores do Clube do Inferno foram identificados da seguinte forma:
Mestre Mental (Jason Wyngarde) - O ator britânico Peter Wyngarde
Sebastian Shaw - O ator britânico Robert Shaw
Donald Pierce - O ator canadense Donald Sutherland
Harry Leland - O ator americano Orson Welles
Emma Frost - espiã fictícia Emma Peel interpretada pela atriz britânica Diana Rigg

- Ozymandias
Primeira aparição: Setembro 1986
Inspiração: Thunderbolt / poema de Percy Bysshe Shelley
Quando a DC Comics adquiriu os direitos da Charlton Comics e seu panteão de clássicos heróis de quadrinhos em 1985, o escritor Alan Moore decidiu usar alguns desses personagens esquecidos para criar uma história de assassinato e mistério que girasse em torno da morte de um super-herói - e, assim nasceu Watchmen. Um desses personagens da Charlton, era o Thunderbolt, de 1966, que tinha o poder de usar noventa por cento do seu cérebro. Moore deu esses poderes para o recém-criado Ozymandias, e retirou o seu nome de um poema de mesmo título do poeta Percy Shelley, do século 18, sobre a natureza momentânea da energia. E fez dele tanto um protagonista, quanto um antagonista, em sua épica graphic novel.

- Galactus
Primeira aparição: Março 1966
Inspiração: Deus / A Bíblia
Quando Stan Lee e Jack Kirby foram desafiados a criar um super vilão único, do tipo que o universo dos quadrinhos nunca tinha visto antes, eles decidiram fazer alguém que estivesse além do bem e do mal com poderes quase divinos, assim surgiu Galactus. Stan Lee fala sobre sua inspiração para o Devorador de Mundos na introdução do livro Marvel Masterworks: The Fantastic Four vol. 5"Galactus era simplesmente mais um na longa linha de super-vilões que nós adorávamos criar. Tendo imaginado muitos poderosos vilões... Sentimos que a única maneira de nos superar era criando um malfeitor que tivesse poderes quase divinos. Portanto, a escolha natural era uma espécie de semi-deus."
Jack Kirby acrescentou mais tarde no vídeo The Masters of Comic Book Art"Minha inspiração era o fato de que eu tinha que estimular as vendas. E eu tive que vir com personagens que não fossem estereótipos já usados. Por alguma razão, eu fui para a Bíblia e eu vim com Galactus... E, claro, o Surfista Prateado é o anjo caído."

- Caveira Vermelha 
Primeira aparição: Março 1941
Inspiração: Sundae de chocolate com uma cereja no topo
Por mais inverossímil que possa parecer, Joe Simon, o co-criador do Capitão América, revelou em sua autobiografia que uma sobremesa foi sua inspiração para o homem louco com o rosto vermelho. Em suas palavras, ele explica como isso aconteceu: "Eu estava sempre pensando em heróis e vilões, com todo tipo de ideias nadando em minha cabeça ... Eu tinha um sundae de chocolate postado bem na minha frente, com o sorvete de baunilha e a cobertura quente escorrendo pelo lado. Foi intrigante. A cobertura parecia membros como pernas, pés e mãos e eu estava pensando comigo mesmo. Talvez esse seja um vilão interessante, pensei. Vou chamá-lo de chocolate quente... Basta colocar um rosto sobre um corpo monstruoso de lama. Mas então olhei novamente para o sundae, e vi a grande cereja no topo. A cereja parecia uma caveira. "Uau", eu disse a mim mesmo. "Caveira Vermelha"... isso parece bom."

Veja Também:
Como tornar-se um 'bom' Vilão
Lugares abandonados que dariam excelentes bases para Supervilões
Não é fácil encontrar o amor quando se é um Super-Vilão
A aposentadoria de grandes vilões do cinema
Heróis e Vilões, das HQs para as páginas policiais

sexta-feira, 18 de abril de 2014

7 Tipos de pessoas que você encontra em livrarias

Há diversos motivos pelos quais eu gosto de frequentar livrarias. É um lugar tranquilo, o cheiro dos livros me agrada, a gente pode se perder pelo ambiente sem ligar pra isso, e as pessoas que trabalham na loja te deixam em paz até que você peça por ajuda. E claro, também não deixa de ser um belo recinto para se observar as pessoas.
Cada louco com sua mania, mas pra provar que esse exercício não é uma tremenda perda de tempo, resolvi catalogar aqui os tipos de pessoas que você costuma encontrar em uma livraria...
1. A pessoa que lhe dá conselhos indesejados sobre o livro que você pretende comprar:
Normalmente se aproximam de mansinho e surgem por entre nossos ombros dizendo coisas do tipo "Oh, você está pensando em comprar esse? Eu li no ano passado. Não é muito bom se comparado ao primeiro livro desse autor. Eu já li todos os livros dele, sabe. E posso dizer que esse aí é o que tem o pior final de todos.". A melhor forma de lidar com esse caso, é soltar um sonoro 'OBRIGADO' pra não parecer mal educado, colocar o livro de volta na prateleira e sair a passos apressados para outra seção da loja.

2. A pessoa que só veio tomar um café: 
A única coisa que eles pretendem ler é o cardápio do bistrô da loja. A maioria nem se interessa por livros, mas acham que, bebendo uma água com gás dentro da livraria, podem acabar absorvendo todo o conhecimento do lugar por osmose. A princípio esse tipo parece inofensivo, mas acabam incomodando quando inflam as filas dos caixas, dos banheiros e do próprio bistrô quando você decide tomar um café, realmente, lendo alguma coisa.

3. Crianças descobrindo a literatura pelos corredores:
A maioria das grandes franquias costumam ostentar um espaço reservado aos pequenos infantes, então, é provável que você pouco os veja correndo e gritando por entre suas pernas. Mas é sempre divertido observá-los descobrindo e discutindo as gravuras dos livros quando visito a seção deles para comprar algo para meus primos e sobrinhos.

4. Adolescentes apenas passando o tempo (ou matando aula): 
Como adolescente é uma raça que sempre anda em bando, eles costumam formar círculos lentos e barulhentos em volta das mesas, ou em frente as prateleiras, levando um longo tempo no mesmo lugar e atrapalhando a locomoção da loja. Embora eles não percebam, suas vozes são tão altas, estridentes, e incomodas quanto as das crianças, embora o papo que role na seção infantil seja bem mais agradável de se ouvir.

5. A pessoa que não sabe o que está fazendo lá dentro:
Talvez eles tenham entrado na loja atraídos pelo colorido das capas dos livros, mas não é bem isso que estão procurando. E de repente estão passeando pela parte de DVDs, se divertindo lendo as frases engraçadas dos cartões de aniversário perto da Caixa Registradora e terminam na parte de papelaria da loja se perguntando se levam a promoção de três cadernos pelo preço de um.

6. A pessoa que procura presente de última hora:
Entram no lugar correndo, quase desesperados, e passam o resto do tempo se perguntando "Será que fulano gosta de Quebra-Cabeça? Qual seria o ideal para a faixa de idade dela? Será que ele já leu O Senhor dos Anéis? Ou devo levar o Hobbit primeiro? Será que ele vai achar que considero ele um nerd com um presente assim? Será que devo levar um livro de receita? Será que ela cozinha? Bem, não importa, agora vai ter que começar de qualquer forma!". Fuja de todas essas perguntas, pois se responder qualquer uma delas vai acabar virando uma espécie de consultor pessoal.

7. A pessoa adormecida na poltrona: 
Pode ser um marido entediado esperando a mulher escolher a próxima leitura que lhe parece exatamente igual a todas as outras anteriores. Pessoas de idade que caem no clichê, e no sono, ao dormir durante a leitura. Ou até mesmo uma mãe solteira fatigada que aproveitou alguns minutinhos de pausa, e silêncio, das crianças para tirar um cochilo.

Que tipo de pessoa você costuma encontrar sempre que visita a livraria?

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Eu matei à toa...

O conto abaixo é de autoria do nosso leitor Carlos Belarmino e nos foi enviado por e-mail com um pequeno adendo explicando que originalmente a história foi escrita para participar de um concurso, mas que infelizmente não alcançou seu objetivo. 
E é justamente por ter sido rejeitada em outros lugares mais honrosos, que achamos perfeita para postar aqui no DpM.
Eu só conseguia sentir o cano da arma encostando minha cabeça, não queria expressar nenhum sinal de medo, mas não pude evitar o suor na testa e meu coração acelerado.
Ele me mandou sair do carro. Acho que não foi uma boa ideia aceitar buscar minha irmã a essa hora, sempre foi uma ingrata comigo. Enquanto estou prestes a morrer, ela deve estar tomando um sex on the beach e sendo queixada por algum playboyzinho de balada. O mundo não é justo.
Ficamos cara a cara, ele tinha um olhar vazio, parecia que tinha acabado de afogar um recém-nascido e não ter sentido remorso, não sei explicar direito, era perturbador. Tenho certeza que não teria problemas para dormir se decidisse me matar.
O homem começou a me revistar, eu nunca fui crente, mas acreditava em punição divina, será isso um pagamento por não ter ido à igreja aos domingos? Provavelmente não, acho que Deus iria querer algo mais dramático, como rãs ou sangue nas águas, e não um cara armado com um olhar psicótico.
Depois dessa vistoria, o homem puxou a carteira do meu bolso. Por um momento, eu fiquei aliviado, aquilo passou a parecer mais um assalto do que homicídio, porém essa sensação logo se esvaiu quando ele a jogou com os cento e cinquenta reais para longe, mas o pior foi que manteve em suas mãos a minha RG. O bastardo só queria saber o meu nome, ele não deve fazer vítimas sem saber como chama-las na hora da carnificina.
Voltou seu olhar para mim, com a arma apontando minha cabeça, essa devia ser a minha hora. Eu não mereço morrer, tinha acabado de fazer dezoito, bebi muito pouco, transei menos ainda, ainda tenho toda a vida pela frente, mas não tinha o que fazer. Eu já sentia a arma encostando em minha face de novo e tenho certeza que não adiantaria implorar. Tinha sacado o tipo desse cara, não era de ter piedade, só o que me restava era fechar os olhos e torcer para que toda aquela punheta na adolescência não me faça ganhar uma passagem para o inferno.

Eu esperei e nada aconteceu, devem ter se passado dois minutos que estávamos naquela posição, eu não tinha coragem de levantar as pálpebras e, logo depois de voltar com meus pensamentos, ouço uma risada um tanto quanto sádica:
- HAEHUAHAEUHEUA, eu finalmente encontrei alguém à altura de me matar!
Depois disso não pude resistir, eu necessitava falar com ele:
- Te matar? Você quer que eu te mate?
- Sim, você passou no meu teste de aceitar o que está por vir. Parabéns, Leandro.
Nesse momento, eu jurava que estava num sonho e que, a qualquer instante, iria acordar. Mas, para o meu azar, tudo aquilo era a realidade.
- E se eu não quiser te matar?
- Então eu te mato independente de qualquer teste que você tenha passado.
Desgraçado. Eu não sei como eu me olharia no espelho por ter matado uma pessoa, mesmo se tratando de um louco assassino. Mas acho que prefiro matar a morrer. Vou tentar descobrir uma justificativa para tudo isso.
- Antes de te executar, eu preciso saber, para quê você está fazendo isso? Tenho certeza que não é pela esperança de encontrar um lugar melhor ou pela falta de amor em sua vida.
- E por que acha isso?
- Pelo seu olhar, ele é sem emoção, sem culpa, sem felicidade, sem nada.
- Eu sabia que quem me matasse seria esperto. Sim, eu me privei de sentimentos para sobreviver a este mundo, mas agora estou cansado, drogas e sexo já não me satisfazem. Quero morrer e pagar por tudo que fiz.

Quais devem ter sido as chances disso acontecer? De a minha irmã me ligar no exato momento em que ele dobra para chegar a minha rua, procurando sua próxima vítima para seu teste sem noção. Estou começando a duvidar se isso foi o não foi um castigo divino.
- E então? Vai me matar ou vai ficar aí parado?
Estou sem saída, não tenho opção a não ser matá-lo e encarar seu corpo ensanguentado pelo chão, a não ser que:
- Como pretende que eu te mate?
- Com minha arma, com que mais seria?
Isso! Eu posso fugir se estiver sobre o controle do revólver, ele não pode me impedir.
- Você é muito astuto não é, Leandro? Acha mesmo que eu seria burro o suficiente para não pensar que meu matador poderia fugir com minha arma? Eu me privei de sentimentos e não de inteligência. Por isso eu trouxe outro revólver, ele está na parte superior da minha bermuda, e, se eu tiver que pegá-lo, pode ter certeza que é para te mandar dessa para uma melhor.
Tô fodido.
- Agora me diga, você já atirou antes?
- Não, essa será minha primeira vez.
- Então o tiro vai ser à queima-roupa, não quero ver erros ou chamar a atenção de algum morador, ainda estamos no meio da rua.
Odeio este país, devo estar aqui a mais de vinte minutos e não apareceu uma alma viva para me tirar dessa enrascada, mas, vendo por outro lado, o carnaval vai ser daqui a duas semanas, vale a pena não ter segurança para ter uma festa que dura quatro dias.
- Tudo bem, eu não tenho escolha mesmo.
- Ótimo, aqui está a arma, você tem dez minutos.
- Posso saber o nome de quem eu estou prestes a assassinar?
- Não, isso não é relevante.
Ótimo, agora eu tenho que matar um homem cujo nome nem tenho direito de saber... patético.
Comecei a analisar o revólver, era mais pesada do que eu pensava, imagino quantas pessoas tiverem sua última visão com essa arma, devia ser um número incalculável.
Parece que nós voltamos para o começo, com aquela velha troca de olhares, mas tinha uma coisa diferente, seu rosto não estava com um aspecto vazio dessa vez, era possível ver um sorriso formado em seus lábios, pelo menos eu sabia que iria matar um homem que sorri para morte.
Comecei a me aproximar, estava na hora de por um fim nisso, relembrei-me de horas atrás quando estava matando pedestres no GTA V, era tão fácil e divertido no jogo, por que não podia ser assim na vida real? Ah, lembrei, eu ainda não era um maníaco que tinha prazer em ver sangue jorrar do corpo de suas vítimas, uma pena.
- Já se passaram cinco minutos, está na hora, Leandro.
Agora era eu que estava encostando a arma em sua face, e ele no lugar da vítima. Mesmo assim, meu coração acelerou como se estivesse dando meu primeiro beijo. Por um momento, achei que ia ter uma parada cardíaca, teria dado graças se tivesse tido, mas não tive, eu ainda precisava mata-lo. A vida não era como um episódio de House.
Antes de assassiná-lo, resolvi parar para olhar em volta, estava tudo escuro, e tinha um silencio devastador, como se o mundo tivesse esquecido aquela área por um momento, o momento da morte desse miserável.
Fechei meus olhos, estava pronto para tirar-lhe sua vida.
- Alguma última palavra?
- Se eu pudesse mudar alguma coisa, não mudaria.
Bang! Agora aquela parte do mundo só ouvia esse som. O som que tirava a vida de uma pessoa.
Criei coragem para abrir meus olhos. O tiro foi bem no coração, e aquela imagem iria ficar na minha cabeça para sempre, mas eu sabia que tinha que fazer uma coisa antes de sair dali, tinha que procurar seu nome. Depois de um tempo examinando seu corpo, percebi que ele estava sem a sua identidade e que não portava nenhuma segunda arma consigo. Eu matei à toa.
*Dito pelo Carlos Belarmino

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Livros sobre Guerra que todo homem deveria ler - Parte II (O Retorno)

Quando fiz aqui a primeira parte dessa lista, já era previsto que fosse impossível concluí-la em apenas uma postagem e por isso deixei em aberto para que os leitores usassem o nosso espaço dos comentários e sugerissem outros títulos para compor um segundo inventário sobre o tema. E parece que o plano deu certo! Com a contribuição desses leitores, conseguimos formular um novo repertório com excelentes livros sobre a Arte da Guerra.
Infelizmente nem todas as obras propostas estão disponíveis no mercado atual. Algumas não são mais publicadas no Brasil há muito tempo, outras não possuem versões traduzidas, e portanto, só por esse infortúnio, ficaram de fora dessa seleção.
"O estudo da guerra é o estudo da vida, porque a guerra é a vida em seu sentido mais cru. É a morte, o medo, o poder, o amor, a adrenalina, o sacrifício, a glória, e a vontade de sobreviver."
Abaixo você encontrará a segunda parte (O Retorno) da nossa lista com um apurado dos livros de guerra sugeridos por nossos leitores na postagem anterior, e novamente contamos com vocês para que seus comentários enriqueçam esse acervo e gerem outras excelentes sequencias sobre o tema.
Cada obra é sobre uma civilização, causa, motivações e conjunto de táticas diferentes, mas são temas atemporais cujo as lições jamais envelhecem.

✔  Band of Brothers, de Stephen E. Ambrose
A Easy Company, 506.º Regimento de Infantaria Pára-Quedista do Exército Norte-Americano, foi uma das melhores companhias de fuzileiros do mundo. 'Band of Brothers' é o relato sobre os homens dessa unidade que combateram, passaram fome, sofreram com o frio e morreram. 
Uma equipe que teve 150% de baixas e considerava a medalha Purple Heart um distintivo. Baseando-se em horas de entrevistas com sobreviventes, bem como nos diários e nas cartas dos soldados, Stephen Ambrose conta a história desse notável grupo, que sempre recebia as missões mais difíceis, sendo responsável por tudo, do salto de pára-quedas na França nas primeiras horas da manhã do Dia D à captura do Ninho da Águia, a fortaleza de Hitler em Berchtesgaden. De seu rigoroso treinamento na Geórgia, em 1942, ao Dia D e à vitória dos Aliados, Ambrose teceu uma narrativa primorosa, com riqueza de detalhes, sobre as características dos soldados de infantaria de elite, transcrevendo no decorrer da obra as próprias palavras e depoimentos dos combatentes, o que dá mais veracidade à trama.

✔ Não há Dia Fácil, de Kevin Maurer e Mark Owen
Em seus muitos anos como membro do Seal da Marinha dos Estados Unidos, Mark Owen participou de centenas de missões no Iraque e no Afeganistão. Não Há Dia Fácil: Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden é um retrato da vida nas equipes do Seal e um relato fiel da Operação Lança de Netuno, realizada em Abbottabad, no Paquistão, que resultou na morte de Osama Bin Laden. Owen foi um dos primeiros homens a adentrarem no esconderijo do terrorista e testemunhou, em primeira mão, a sua morte. 
No livro, Owen diz, 'Ainda que narradas em primeira pessoa, minhas experiências são universais (...). Chegou a hora de registrar por escrito uma das mais importantes missões da história militar dos Estados Unidos. A explicação de como e por que ela teve sucesso se perdeu na cobertura jornalística da operação. (...) "Não Há Dia Fácil: Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden" conta a história dos Rapazes, o preço humano que pagamos e os sacrifícios que fizemos para executar esse serviço sujo. (...) Espero que, um dia, um jovem nos primeiros anos do ensino médio leia este livro e se torne um Seal, ou pelo menos viva uma vida maior do que ele próprio. Se isso acontecer, este livro terá valido a pena.' 

✔ O Maior dia da História, de Nicholas Best
O texto ágil e atraente de Nicholas Best relata, de forma surpreendente, recortes do último ato da Primeira Grande Guerra. As ofensivas militares, a rendição alemã e todas as reviravoltas do fim da mais sangrenta guerra contadas a partir de material nunca antes publicado, de fontes tanto militares quanto civis. Da então adolescente Marlene Dietrich, em Berlim, a Gandhi, doente em sua cama; das farras das tropas aliadas às histórias de pessoas comuns, o autor relata novos fatos e todos os ângulos de um dos momentos históricos mais relevantes para a sociedade atual, de forma inédita e fascinante.

✔ Operações Secretas da Segunda Guerra Mundial, de Jesús Hernández
A Segunda Guerra Mundial não foi travada apenas nos campos de batalha. Os Serviços de Inteligência organizaram operações secretas para atacar o inimigo em seu ponto mais fraco. Para tanto, recorreram a homens valentes e corajosos, dispostos a arriscar suas vidas para cumprir uma missão que, na maioria dos casos, era praticamente suicida. Neste livro, você vai encontrar ataques surpresa no coração do território inimigo, assaltos, sequestros, assassinatos, missões de espionagem, enfim, todo tipo de operações secretas destinadas a mudar a trajetória da contenda; apenas algumas delas alcançariam seu objetivo.
O autor aborda pela primeira vez essas operações que costumam ser esquecidas pelos livros de História, mas cujo impacto no andamento da guerra foi muito maior do que costuma se acreditar. Após a leitura destas páginas, sua impressão sobre a Segunda Guerra Mundial não será mais a mesma.

✔ Até o Último Homem, de Jeff Shaara
Primavera de 1916: a Frente Ocidental, teatro de guerra na Europa, encontra-se sob as sombras de um terrível impasse. A França e a Grã-Bretanha estão num dos lados do arame farpado, enquanto no outro a feroz Alemanha os ameaça. Aclamado como o grande romance sobre a Primeira Guerra Mundial, Até o Último Homem, de Jeff Shaara, em suas quase mil páginas, é uma das mais impressionantes e comoventes descrições do conflito que dizimou uma geração. Shaara pinta um quadro com cores vivas, de traços quase surrealistas, dessa guerra de trincheiras, através da visão de um típico soldado inglês mergulhado num mar de violências monstruosas ? um homem cuja inocência juvenil é atirada ao inferno de uma guerra hedionda.
Enquanto isso, muito acima do caos terrestre, a tecnologia enxameia o céu com uma arma nova e devastadora: o avião. Com ele, surgem no horizonte novos tipos de heróis, os ases da aviação. Esses cavaleiros solitário duelam no esplendor de um céu aterrador, onde sua coragem e sua fibra são testadas a cada missão.
De Pershing, o Jaqueta Negra, aos entrincheirados fuzileiros navais, do Barão Vermelho aos pilotos americanos da Esquadrilha Lafayette, Até o Último Homem reproduz com vivacidade e precisão os cenários desse conflito mundial, características da literatura de Jeff Shaara. O romance leva aos leitores ao coração de um dos maiores conflitos da História e os põe cara a cara com personagens capazes de causar um impacto permanente no espírito humano.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ao resgate da Sessão da Tarde de raiz - 'A História sem Fim' (trilogia)

Se as crianças de hoje em dia se orgulham de possuir a saga Harry Potter como um símbolo marcante de sua geração, nós podemos bater no peito e dizer que um dia nós tivemos a trilogia ‘A História sem Fim’ para alimentar a magia em nossas cabeças e transportar-nos para um universo paralelo de fantasia. 
Que apesar de ser uma fantasia destinada especialmente às crianças, podemos dizer que os temas abordados passam longe de ser infantis.
Os filmes são baseados no romance de mesmo nome escrito por Michael Ende, e na época de seu lançamento, o primeiro filme foi considerado o mais caro produzido fora dos EUA. Além das duas conhecidas sequencias, A História Sem Fim também inspirou duas séries de televisão. Uma em desenho animado de 1996, focado nas aventuras de Bastian na terra de Fantasia (diferentes das do livro), enquanto outra em live action chamada Contos da História Sem Fim e contou com 13 episódios.

Os três filmes que já foram presenças constantes na antiga Sessão da Tarde, certamente não passariam pelo exigente selo de qualidade do público atual. Mesmo tendo uma abordagem interessante e um roteiro bem estruturado, os efeitos dos bonecos poderiam ser comparados aos do Castelo Rá Tim Bum. E essa é a única justificativa plausível que vejo para eles não passarem mais na grade de programação da TV, já que nada disso invalida o efeito nostálgico que os filmes causam em quem teve a infância pautada na década de 80.
Como parecia ser de praxe em certas obras cinematográficas daquele tempo, os produtores subestimavam facilmente a inteligência das crianças, ou simplesmente as ignoravam, quando filmavam sequencias sem personagens, conexões e nem mesmo os atores dos filmes anteriores. Imagina como ficariam inconsoláveis as fãs da saga de J. K. Rowling se em cada sequencia de Harry Potter fosse escolhido um ator de diferente para interpretar o bruxo. Pois foi exatamente isso que fizeram com o protagonista Bastian de A História sem Fim. Pode parecer um pouco estúpido falar disso agora, mas isso fazia uma baita confusão na minha cabecinha quando era pequeno. Não era apenas a aparência do personagem que mudava, mas também sua personalidade, e assim eu nunca entendia como aquele garoto nunca levava nada do que aprendia em um filme para o outro.

Como sugere o título dessa coluna, procuramos resgatar aqui a trilogia de ‘A História sem Fim’ para aqueles que pretendem correr o risco de apresentar aos filhos um fragmento de sua infância, mesmo sabendo que será massacrado pelos pivetes quando começar as comparações com os efeitos visuais das produções atuais. 
Mas se você conseguir prender a atenção deles a algumas minucias do enredo, talvez eles saiam com uma lição importante e quem sabe daí não surjam novos leitores ávidos por livros.

A História sem Fim
Bastian é um garoto sonhador, que usa a imaginação como refúgio para os fatos que o entristecem, como as provas de Matemática, brigas na escola e, especialmente, a recente perda de sua mãe. Um dia, o garoto a caminho da escola briga com outros colegas, foge, e acaba parando numa livraria, onde toma conhecimento de um livro chamado "A História Sem Fim". A leitura do livro o transporta ao fantástico mundo de "Fantasia", habitado por um caracol de corrida, um morcego planador, um dragão da sorte, elfos, uma Imperatriz Criança, o valente guerreiro Atreyu e uma pedra ambulante chamada Come-Pedra. O jovem começa a visualizar o que lê. A imperatriz que governa "Fantasia" está morrendo e, junto com ela, todo aquele mundo habitado por criaturas maravilhosas. Um jovem guerreiro é a única esperança para encontrar a cura para a doença da imperatriz e impedir que aquele mundo fosse engolido pelo "Nada".
*Você pode fazer o download do arquivo torrent da versão dublada clicando aqui, enquanto relembra a cena mais triste do filme na cena do vídeo abaixo.

A História sem Fim II: O Próximo Capítulo
Depois do sucesso nos cinemas de A História Sem Fim, que arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias, A História Sem Fim II foi produzida para dar seqüência às aventuras do garoto Bastian Bux e do livro mágico.
Os personagens centrais do best seller de Michael Ende reaparecem nessa história, baseada na segunda parte do romance. Novamente com problemas com os colegas, a escola e seu pai viúvo, Bastian descobre no teste para a equipe de mergulho que tem medo da água. Assim, ele retorna à livraria Coreanders para procurar um livro sobre coragem.
*Você assiste o filme completo e com a dublagem original no vídeo abaixo:

A História sem Fim III: Fuga da Fantasia
Fugindo de uma gangue de garotos, o jovem Bastian esconde-se na biblioteca da escola. Lá, ele encontra o velho Sr. Creander e o livro mágico conhecido como A História Sem Fim. Disposto a esquecer seus problemas, Bastian mergulha na leitura do livro onde a aventura nunca termina e acaba voltando, mais uma vez, para o Reino de Fantasia. Enquanto isso, na escola, o líder da gangue (curiosamente interpretado por Jack Black) encontra o poderoso livro caído no chão e começa a preencher suas páginas com perigos e maldades, transformando Fantasia num verdadeiro pesadelo. Só há uma maneira de salvar o mundo encantado: Bastian precisa retornar ao mundo real e resgatar o livro. Mas as coisas não são tão simples assim. Vários habitantes de Fantasia são transportados acidentalmente com o menino e acabam caindo em diferentes lugares do país. Agora, Bastian precisa encontrar seus amigos, enfrentar a perigosa gangue e recuperar o livro da História Sem Fim, antes que seja tarde demais!
*Você assiste o filme legendado completo no vídeo abaixo:
Gostou de rever este clássico? Lembrou de mais algum filme marcante que gostaria de assistir? Conhece o link pra outro filme que merecia estar nas próximas sessões? Então deixe sua dica e sugestão nos comentários pra desenterrarmos a Sessão da Tarde de raiz.
Quer ver todos os filmes que já resgatamos nesta coluna? Então CLICA AQUI e curta algumas horas de nostalgia. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O Anjo Pornográfico – A Vida de Nelson Rodrigues (Ruy Castro)

Esse é o tipo de leitura que considero indispensável na prateleira de qualquer aspirante a escritor nacional. Faz tempo que eu namorava o título pelas vitrines das livrarias que visito, mas, ao mesmo tempo, prestava tanto respeito a essa obra que não ousava adquiri-la sabendo que não teria tempo hábil para lê-la. Quando a tivesse em mãos, queria poder sorver cada momento junto suas páginas tal qual faria com alguma personagem ousada criada pela mente brilhante do próprio biografado.
Encontrei esse tempo precioso no início desse ano, em época de pouco movimento no trabalho, quando decidi abdicar de minhas leituras “obrigatórias” e me permitir conhecer mais profundamente um período fundamental da formação da literatura, do teatro, da imprensa, do cinema, do esporte nacional e até mesmo da cidade do Rio de Janeiro, como nós os conhecemos hoje. Tudo isso contado através da vida de um homem que foi uma engrenagem primordial para a consolidação de todos esses conhecidos ícones brasileiros.
Como um menino olhando pelo buraco da fechadura, acompanhei a trajetória desse autor genial relatada no livro O Anjo Pornográfico – A Vida de Nelson Rodrigues (Editora Companhia das Letras, 454 páginas), escrito pelas mãos de Ruy Castro.

Se tem uma coisa que Nelson Rodrigues cativou com a mesma maestria que conduzia suas obras, foi as ideias erradas a seu respeito. O que, a meu ver, torna sua biografia uma peça extremamente relevante para calar os que ainda julgam sua obra baseados apenas nas versões televisivas exibidas pela rede Globo.
A história do criador de ‘A Vida Como Ela é’ começa antes mesmo de seu nascimento, ainda com seu pai Mário Rodrigues, jornalista e fundador de jornais que ficaram marcados na imprensa carioca. Passando pela trajetória do seu irmão Mário Filho, idealizador dos primeiros campeonatos de futebol e da imprensa esportiva do país, e personalidade que empresta o nome ao estádio do Maracanã em merecida homenagem. Até chegarmos a vida de Nelson como ela foi, tracejada de altos e baixos, de sucessos inesperados a derrotas homéricas, de paixões desacerbadas a tragédias “rodrigueanas”. Exatamente como é lembrada grande parte da sua obra.
Muitas vezes adjetivado pelos “idiotas da objetividade” como tarado, mórbido ou até reacionário, pra mim, Nelson é a maior figura representativa de um indivíduo por ele só. Um ser humano falho sem medo de acertar, uma pessoa que tem certeza de seus acertos mesmo sabendo que está falhando.

Não importa por qual faceta você conheça o perfil do Anjo Pornográfico, essa biografia com certeza irá abordá-la de forma limpa, imparcial e apresentará muitos outros aspectos pelos quais você deveria conhecê-lo.
Com uma leitura tão altruísta, a gente se envolve tanto com a vida do biografado, que às vezes acaba esquecendo-se de avaliar a escrita do autor da obra. Mas por fim, não deveria ser mesmo assim em uma biografia? O narrador ficar oculto na coxia, quase que sussurrando a história para a plateia, sem nunca interferir em seus acontecimentos? Pois isso Ruy Castro já provou que sabe fazer com competência em trabalhos anteriores.
E a convicção de que a obra cumpriu o seu papel, ocorre quando você termina a leitura, fecha o livro e sai sedento atrás de livros, matérias, filmes e todo tipo de material ligado a Nelson Rodrigues, e talvez compreenda por que, infelizmente, não encenam mais as suas peças.

Para conhecer em detalhes a vida do Anjo Pornográfico, clique agora no banner abaixo da nossa parceira Submarino e compre o seu exemplar. Depois volte aqui e conte a sua própria experiência com o livro em nossos comentários.

domingo, 13 de abril de 2014

Por trás da canção 'Exagerado' do Cazuza

Eu não sei dizer se esse programa já era de conhecimento público, ou se eu sou o único que ainda desconhecia o 'Por Trás da Canção' exibido pelo canal BIS, o fato é que acidentalmente descobri alguns episódios no youtube e achei brilhante o formato da atração que, basicamente, consiste em contar as histórias por trás de algumas músicas famosas do nosso repertório nacional.
No caso, para o blog, eu procurei escolher a minha canção favorita dentre as já apresentadas pelo programa, Exagerado do Cazuza. Mas também poderia citar outros episódios interessantes e divertidos trazendo músicas do Djavan, Skank, Fernanda Abreu, Luiz Melodia e até a inusitada "Ex-Mai Love" de Gaby Amarantos.
Veja abaixo o capítulo completo que conta como surgiu o clássico do eterno 'Exagerado', e clique aqui para conhecer os outros episódios do show.