terça-feira, 22 de abril de 2014

Não espero que acreditem em minhas palavras...

Um homem como eu, é muitas vezes visto, como um sujeito cheio de crendices. Talvez, o lugar onde vivo, inspire o lúdico na mente das pessoas. Daria tudo para afirmar, que sim, que tudo não passa de uma lenda, de um papo popularesco sem qualquer preocupação com a realidade.
Não direi quem sou, ou exatamente onde vivo, ou ainda a localização perfeita do lugar em que ocorreu o que narrarei. Não quero acordar pela manhã, com um jornalista mequetrefe batendo em minha porta, interessado em um furo de reportagem.

Não sei se você sabe, mas a maioria dos morcegos enxerga muito bem durante o dia. Mesmo assim, a experiência que tenho como homem da montanha, mostra-me que tais criaturas têm o hábito de saírem para procurar alimento a partir do final da tarde, quando a luz fica escassa.
A natureza é sábia. Assim que o sol falece, a escuridão é um ponto a favor do caçador, não é mesmo? Normalmente, morcegos estão sujeitos a predadores, como aves de rapina, cobras, ou mesmo felinos de portes variados.
Tudo começou quando eu ainda era menino. Morcegos encantavam meu ser, por conta da sua originalidade corporal, assim como, pela sua capacidade em voar no breu da noite, com velocidade desmedidamente habilidosa. Entendo o voo de tal criatura, como um balé camicase. De certa maneira, meu ponto de vista é de quem assiste uma façanha, até mesmo poética.
Não, não pense que contarei sobre vampiros e a respeito de donzelas apaixonadas, encantadas por um homem bonito a morder pescoços e sugar sangue. Não. Isso é coisa de cinema, de estórias de ficção que vão parar em livros e filmes de terror. Talvez até, seja coisa para entreter quem busca aventuras para agitar a própria vida, em um domingo frio ao pé de uma lareira em chamas, onde se reúne a família para contar anedotas e lendas acompanhadas de chocolate-quente.
Eu me interesso por morcegos há setenta anos. Costumeiramente, passei toda uma vida vasculhando cavernas e lugares escuros com intenção de aprender mais sobre eles. Seus sonares chamam minha atenção. Seus hábitos. Suas asas. Seus cinco dedos. Imagine você, a poder bater seus braços e ganhar o céu. Não. Não sou um piloto frustrado. Sou apenas um lenhador. Um homem das montanhas. Um eremita, se preferir. Não sei exatamente como me veem. Mas sei como vejo aos morcegos. Em especial, um deles.
O fato é que temos muitos casos curiosos por aqui. Embora não cheguem até a cidade em que você vive, são notórios pelas redondezas onde moro. Cresci ouvindo estórias curiosas a respeito do sumiço de animais e pessoas. Alguns dizem que são vítimas de avalanches ou felinos.
Eu o vi pela primeira vez, logo que minha barba começou a nascer. Estava sentado na beira de um grande lago, cercado por grandes árvores e formações rochosas. Um excelente lugar para observá-los. Já era tardinha. Havia notado as fezes em tamanho grande. Imaginei que fosse de um animal, mas não acertei de que besta se tratava, até que pude vê-la. O fato é que, percebi que algo voou muito próximo de onde eu estava.
A impressão que tive, foi de que ventara. Contudo, não era o vento. Intuí seu pouso mais ou menos uns cinquenta metros de onde acendi a fogueira. Peguei minha espingarda e tomei a direção de uma grande caverna. Eu carregava uma lanterna potente, com um grande ‘farol’ como chamamos, popularmente falando.
Imagine que, ainda na entrada da caverna, a criatura alimentava-se. Subjugava a visão total de sua presa com sua envergadura. Com a lanterna, identifiquei que se tratava de um bezerro, aproximadamente de uns trezentos e cinquenta quilos. Ainda estava vivo, esperneava e movia sua cabeça incessantemente.
Mais chocante ainda era ver que, o caçador de asas enormes, com uns vinte metros quando estendidas, sem exagero (eu sei, é difícil de confiar em minha afirmação, realmente não espero que acreditem em mim) segurava o bovino usando apenas uma de suas patas. Suas garras enterradas em sua carne, o matinha ali, com facilidade.
“Nossa!”, pensei. Foi uma mordida veemente, bem na garganta. Tal feito cessou os movimentos do animal instantaneamente. Sim, ele sugava o sangue do bezerro. Suas presas eram de considerável tamanho, não tenho como precisar tal informação.
Estava diante, de uma besta, provavelmente, responsável pelo sumiço de pessoas, de animais em fazendas. Uma criatura alada. Dantesca para alguns. Mas eu não o vi por um ângulo pejorativo. A sua existência me soou grandiosa.

Estarrecido, passei a recuar. Passo por passo, tomei meu caminho de volta para casa. Uma criatura com tamanho poderio precisa ser respeitada. Não seria eu, louco ao ponto de acuá-la e provocar um ataque, certamente fatal, contra eu mesmo. As montanhas me ensinaram a respeitar a natureza.
Eu o vi infinitas vezes, mas sempre mantive uma distância razoável. Desde então, quando ouço queixas quanto ao sumiço de animais e pessoas aqui por perto, escuto atento. Certamente, de todos que o viram, só eu sobrevivi.
O que me moveu a escrever toda a verdade é a certeza de que, todas as criaturas existentes têm o seu papel. Um morcego assim, tão incrível, também. A montanha é uma grande escola. Aqui, a vida e a morte, nada mais são que um caminho natural. Tenho comigo, que um homem de cabelos brancos e corpo sofrido como eu: pode dizer o que quiser, afinal de contas, eu não me importo mais, com o que pensam sobre mim.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

7 Sinais de que você está lendo uma Distopia

Depois de passarmos pela era dos vampiros afetados e dos bruxos infantilizados, parece que atualmente estamos vivendo a era dos 'futuros distópicos' dentro da literatura, o que, de certa forma, temos que concordar que é um cenário bem mais palpável e provável do que os outros dois citados. O que me leva a pensar que ao invés de perdermos tempo lendo blogs e livros, deveríamos mesmo é estar feito os 'malucos' do Preparados para o Fim, construindo bunkers subterrâneos, aprendendo a purificar a água e nos armando até os dentes para a eminente desgraça que assolará o mundo como o conhecemos.
É por isso que, sempre pensando no pior, vamos te ajudar a identificar alguns sinas claros de que você está vivendo em um universo distópico baseado em algumas das maiores obras literárias sobre o tema.
Abaixo listamos algumas situações que você certamente encontrará em um cenário distópico:

1. Um grande evento mudou o mundo como nós o conhecemos 
Na maioria das vezes este grande evento ocorreu antes do início do livro. Mas foi exatamente quando tudo mudou. As mudanças podem ter ocorrido para toda a sociedade, ou apenas para o protagonista da história.
Como pode ser visto no livro... 'Fluam, Minhas lágrimas, Disse o Policial', de Philip K. Dick : No romance o autor explora os limites entre percepção e realidade, criando uma impressionante distopia na qual Jason Taverner, um dos apresentadores mais populares da TV, um dia acorda sozinho num quarto de hotel e percebe que tudo mudou; que se tornara um ilustre desconhecido. E pior. Descobre que não há qualquer registro legal de sua existência. Dividido agora entre duas realidades, ele vê-se obrigado a recorrer ao submundo da ilegalidade enquanto tenta reaver seu passado e entender o que de fato aconteceu, dando início a uma estranha busca pela própria identidade.

2. A Guerra é constantemente citada
Ou ela vai acontecer e deve ser evitada, ou ela já aconteceu e os personagens precisam evitar que isso ocorra novamente, ou ela pode estar acontecendo nesse exato momento.
Como pode ser visto no livro... 'O Teste', de Joelle Charbonneau : No dia de formatura de Malencia, Cia, Vale, e dos jovens da colônia de Five Lakes, tudo o que ela consegue imaginar - e esperar - é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela United Commonwealth que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito desta seleção. Mas então ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada sobre o seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam.

3. Grupos Revolucionários
Normalmente são eficientes, impiedosos e nomeados de forma dramática.
Como pode ser visto no livro... 'Divergente', de Veronica RothNuma Chicago futurista, a sociedade se divide em 5 facções: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.

4. Existe alguém especial com um destino diferente
Este destino pode ser acabar, evitar, ou até mesmo iniciar a guerra. Talvez o protagonista esteja predestinado a revelar um segredo ao mundo. Talvez ele seja o próprio segredo. De qualquer forma, como requisitos básicos, esse 'alguém' precisa ter muita força de vontade e uma certa noção de livre-arbítrio (O que deve ser proibido, por sinal).
Como pode ser visto no livro... '1984', de George Orwell : Winston, herói desse último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O´Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro".

5. Um exagero do mundo real
Uma ou duas situações que podem ocorrer em um cenário distópico, é curiosamente uma lente de aumento sob alguns problemas similares que ocorrem atualmente em nossa realidade.
Como pode ser visto no livro... 'Neuromancer', de William GibsonNo futuro, existe a matrix. Uma espécie de alucinação coletiva digital na qual a humanidade se conecta para, virtualmente, saber de tudo sobre tudo. Mas há uma elite que navega por essa grande rede de informação: são os cowboys. Case era um deles, até o dia em que tentou ser mais esperto do que os seus patrões. Que fritaram suas conexões com o ciberespaço, tornando-o um pária entre os seus iguais. Ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, mais envolvido do que nunca em destruir a si próprio, até ser contatado por Molly, uma bela e perigosa mulher que, assim como ele, desconfia de tudo e de todos. Os dois acabam se envolvendo numa missão cheia de mistérios e perigos.

6. Todo mundo tem que escolher um lado
Em uma distopia não há espaço para quem fica em cima do muro, e você tem que escolher de que lado você está. O lado que faz alguma coisa, ou o lado que é complacente com a situação? Cabe a 'pessoa especial' corrigir essa dicotomia.
Como pode ser visto no livro... 'O Conto da Aia', de Margaret AtwoodEncenado em um futuro próximo onde não existem mais bens culturais, liberdade ou direitos civis, O conto da aia é uma ficção científica assustadoramente real e próxima, onde as mulheres são as vítimas preferenciais. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. O livro reflete sobre liberdade, direitos civis, poder e a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos.

7. A Sociedade é organizada de uma forma que jamais conseguiríamos ser
Mesmo quando é apresentada em um cenário que beira o caos, em uma distopia as pessoas costumam ser fielmente organizadas e divididas em classes sociais, regiões e ideologias.
Como pode ser visto no livro... 'Jogos Vorazes', de Suzanne CollinsApós o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte!

Quais são os seus sinais favoritos de um cenário distópico?!

domingo, 20 de abril de 2014

Um Perigoso Jogo ao Fim de um Namoro

Sem perceber, ele fazia o carro percorrer o trajeto mais longo até o seu destino. Queria acabar com aquilo logo, ao mesmo tempo em que procurava dar-se um prazo maior para pensar em suas decisões. Seguiu com uma velocidade média enquanto observava os outros veículos ultrapassar apressados com seus condutores lhe oferecendo gestos exaltados pela sua lerdeza na pista. Mas isso não o incomodava, tinha problemas bem maiores a lidar e estava dirigindo exatamente em direção a eles.
Rumando para encontrar Doralice, a doce Dorinha. Menina pura dos seus recém-completos dezoito anos de idade, filha do pastor da igreja que frequentou nos últimos meses, praticamente o mesmo período em que conduziram um namoro casto e de acordo com os padrões da congregação.
Tudo nos conformes. Tudo exatamente como manda o figurino. Até iniciar sua faculdade de Filosofia e conhecer a selvagem Mikaela. Uma mulher despida de qualquer pureza. Cabelos curtos pintados de um negro ébano, tão escuro quanto uma noite sem luar. Um corpo destinado a pecar, encapado por uma pele alva e cheia de pequenas cicatrizes causadas por acidentes de motos, brigas de bar e outras histórias que ela preferia nem contar. E, para ele, o fato de ser dois anos mais velha, a deixava ainda mais bela.
Foi necessário apenas um encontro antes que estivessem na cama. Dois, para que nem precisassem mais da mobília para concretizar a transa. E no terceiro já cometiam loucuras, como na vez em que ela o convenceu a penetrá-la enquanto a doida fingia ser Dorinha, ou como ela gostava de lembrar: A menina que ele jamais foderia.
Ainda assim, conseguiu chegar ao lugar estrategicamente marcado com uma moderada folga no horário. Enquanto estacionava o carro já podia vê-la sentada a mesa do restaurante, esperando com aquele sorriso digno que estava prestes a abandonar. Estava decidido que jamais foderia com Dorinha em nenhum dos sentidos, nem com sua vida, nunca com seus sentimentos e jamais com o seu corpo, como Mikaela bem dizia.
Terminaria tudo. Pretendia começar a contar toda a verdade logo após o jantar e planejava estar livre para correr entre as pernas de Mikaela antes mesmo de terminar a sobremesa.

Sentiu que era o certo a se fazer, a doce Dorinha não merecia sofrer. Fora seu primeiro namorado e abdicava naquele instante da chance de ser seu primeiro homem a custo de um casamento que se sentia muito novo para conceber. O problema não era com ela, era com ele. Bastava dar uma boa olhada em Doralice para saber que qualquer rapaz se interessaria por uma menina meiga como ela. Seus cachos acobreados, seu jeito afável, e principalmente seu corpo intocado. De certo, encontraria alguém mais adequado para viver ao seu lado conforme os preceitos religiosos que lhe foram passados. Mas infelizmente não podia ser com ele. Ele, definitivamente, não estava preparado. Pretendia conhecer mais, viver mais, aprender mais sobre aquilo que ninguém ensina.
Foi exatamente assim que explicou tudo para Dorinha que ouviu o desabafo do namorado calada enquanto comia lentamente sua prosaica torta de limão como um condenado em sua última refeição. E pelo silêncio, julgou certo que ela o entenderia. Poderia estar magoada agora, sofrendo talvez, mas tinha certeza que apesar de frágil, Dorinha sobreviveria à verdade.
Após uma pausa dramática, tentou segurar suas mãos como uma forma de tranquilizar a moça, mas Doralice se desvencilhou do gesto e puxou os punhos cerrados que se apertaram em volta dos talheres que segurava.

Ele teve apenas alguns segundos para ficar assustado quando viu o olhar enfezado da menina, totalmente desprovido de qualquer traço de docilidade da Dorinha que conhecia. A jovem fora acometida por uma fúria bestial e por alguns instantes pareceu tão selvagem, ou até mais, que Mikaela.
Tudo isso só pôde passar pela sua mente por um rápido momento antes que Doralice fincasse o pequeno garfo de sobremesa em uma de suas mãos com força suficiente para que as pontas de metal encontrassem a madeira da mesa quando transpassou o outro lado da sua carne. Ele gritou. E quanto mais ele gritava, mais ela remexia e girava o talher como uma agulha de vitrola que procurava a música certa enquanto o coitado expressava sua dor em diferentes tons de lamento. Quando cansou de ouvir a “cantoria desafinada” do ex-namorado, Dorinha cravou a faca sem ponta na garganta do rapaz e usou a serra sega para abrir uma fenda irregular em seu pescoço. Ele tentou se afastar incrédulo enquanto se afogava no próprio sangue, mas ela ainda mantinha sua mão presa ao garfo, presa a mesa, servida como um prato principal.
No fim Dorinha acabou fodendo com ele em todos os sentidos, com o seu corpo, com seus sentimentos, e principalmente com a sua vida. Talvez o problema fosse mesmo com ela, e não com ele.
Doralice, a filha encantadora do pastor, foi presa minutos depois, antes mesmo de terminar a sobremesa. Na cadeia, por fim, ela teve sua primeira experiência sexual com uma pessoa mais adequada para conviver com esse seu novo lado. Alguém que seguia os mesmos preceitos selvagens que a transformaram no dia que cometeu aquele assassinato. Sua colega de cela, Mikaela.

sábado, 19 de abril de 2014

Conheça a real inspiração por trás dos maiores vilões das HQs

Artistas e escritores procuram encontrar inspiração para suas criações em praticamente qualquer coisa ao seu redor, desde o mundano até o excepcional. Pessoas, lugares, coisas, até mesmo outras obras de arte influenciaram alguns dos maiores artistas a criar algumas peças memoráveis ao longo da história. E desenhistas e autores de quadrinhos não são exceção.

A maioria dos maiores vilões dos quadrinhos surgiu devido uma série de ideias interessantes e fascinantes do mundo real. Alguns personagens (como Blob ou o Apocalypse) simplesmente brotaram das mentes de seus criadores, desenhados sem nenhuma ligação com o mundo real. Outros (como Loki e Hercules) são fáceis de perceber a conexão com a mitologia antiga. Mas ainda assim, há aqueles cujo a origem não é tão óbvia, e esses são os que escolhemos abordar nessa postagem.
Todos os citados abaixo passaram por uma pesquisa onde consideramos citações dos próprios criadores dos personagens para validar o fato.

- O Coringa
Primeira aparição: Abril 1940
Inspiração: Gwynplaine em 'O Homem que Ri'
O crédito para a criação de um dos mais antigos e mais mortais inimigos do Batman tem sido defendido por décadas. The Man Who Laughs (O Homem Que Ri) é um filme mudo norte-americano de 1928 dirigido pelo cineasta expressionista alemão Paul Leni. O roteiro adapta o romance de Victor Hugo com o mesmo nome e apresenta o ator Conrad Veidt como Gwynplaine. O filme é conhecido pela assustadora caracterização do personagem principal que apresenta na face uma desfiguração que o faz parecer com um sorriso perene e que muitas vezes leva o filme a ser classificado como do gênero terror quando na verdade é um melodrama.
Curiosidades: 
*O filme teve um remake com produção francesa, e a participação de Gerard Depardieu, lançado em 2013. Você assiste ele completo e legendado clicando aqui.
*O álbum Hellbilly Deluxe 2 do Rob Zombie tem uma canção intitulada "The Man Who Laughs". A página de letras no encarte do CD apresenta imagens do filme de 1928. Clique aqui para ouvir o som.

- A Mulher-Gato
Primeira aparição: Maio 1940
Inspiração: Ruth Steel / Atriz Jean Harlow
A ladra Mulher-Gato (Selina Kyle) foi criada em conjunto por Bill Finger e Bob Kane. Mas em sua autobiografia, Kane revela que a fêmea fatal foi levemente inspirada em sua prima Ruth Steel e o seu sex appeal ele pegou empestado da atriz Jean Harlow. Quanto à inclusão de gatos, Kane explica: "Eu senti que as mulheres eram criaturas felinas e os homens eram mais parecidos com os cães. Enquanto os cachorros são fiéis e amigáveis, o gato é esnobe, individual, e nada confiável. Eu me sinto bem melhor com cães em torno de mim, os gatos são tão difíceis de entender quanto as mulheres."

- Magneto
Primeira aparição: Setembro 1963
Inspiração: Malcolm X
Stan Lee e Jack Kirby criaram o poderoso mutante durante o auge do movimento pelos direitos civis americanos, e usaram os famosos líderes dessa luta, Martin Luther King e Malcolm X, como a inspiração por trás de Charles Xavier e Erik Lehnsherr. Os dois abertamente lutaram contra a opressão mutante presente no universo Marvel, mas enquanto o Professor escolheu uma abordagem mais pacífica e diplomática, Magneto acha necessário usar um tom mais forte e agressivo. Em defesa de Magento, Stan Lee afirmou que: "Não penso em Magneto como um cara mau. Ele só estava tentando contra-atacar as pessoas racistas e intolerantes. Ele estava tentando defender os mutantes, e como a sociedade não os tratava de forma justa, ele decidiu ensinar uma lição para a sociedade. Ele era um perigo, é claro, mas eu nunca pensei nele como um vilão."

- Hera Venenosa
Primeira aparição: Junho 1966
Inspiração: Movimento feminista / "Rappaccini’s Daughter" / Bettie Page
A DC Comics sempre deu o melhor de si para ser pertinente com as tendências atuais do mundo, o que explica Robert Kanigher e Sheldon Moldoff terem usado o crescente movimento feminista de meados dos anos 60 como uma boa razão para criar uma das mais mortais (e belas) inimigas do Batman. Kanigher teria dito no livro 'Batman - The Complete History: The Life and Times of the Dark Knight' que modelou os poderes e a personalidade da personagem de a cordo com a obra Rappaccini’s Daughter escrita no século 19 por Nathaniel Hawthorne, e seus olhares foram inspirados pela modelo Bettie Page dos anos 50.

- Destruidor
Primeira aparição: Maio 1984
Inspiração: Ralador de queijo
Depois que Kevin Eastman e Peter Laird apareceram com a ideia de quatro répteis treinados em artes marciais conhecidos como Tartarugas Mutantes Ninjas, eles precisavam de um vilão imponente para fazer frente a esses heróis tão diferentes. No vídeo The Making of 'Teenage Mutant Ninja Turtles': (que você assiste clicando aqui), Eastman descreve sua inspiração para o Destruidor da seguinte forma: "Foi provavelmente a forma mais ridícula que já surgiu um personagem. Eu comecei a desenhá-lo, e não parei até chegar ao fim. Você poderia imaginar um personagem com armas como estas em seus braços? O cara seria letal. E logo pensamos que isso seria 'Destruidor'! Que nome para um personagem."

- Arlequina
Primeira aparição: Setembro 1993
Inspiração: Arleen Sorkin de 'Days of Our Lives'
A primeira aparição de Harley Quinn surgiu no set do episódio de Batman: The Animated Series de 1992, como a insana, dedicada e excessivamente obcecada namorada do Coringa. No entanto, sua personagem ficou tão popular que a DC Comics decidiu trazê-la para as páginas dos quadrinhos do Batman. Paul Dini e Bruce Timm uniram-se para criar Arlequina, mas foi uma sequência de sonho da novela Days of Our Lives, estrelada pela atriz Arleen Sorkin vestida como um bobo da corte, que inspirou Paul Dini a criar sua aparência e personalidade.

- O Círculo Interno do Clube do Inferno
Primeira aparição: Janeiro 1980
Inspiração: O episódio The Avengers da serie de TV "A Touch of Brimstone"
Enquanto Stan Lee e Jack Kirby criaram o Mestre Mental original semelhante ao jovem Vincent Price em 1964, foi Chris Claremont e John Byrne, que coroaram o "Rei Negro" do Clube do Inferno e introduziram esses personagens como parte integrante da saga da Fênix Negra. 
No livro X-Men Volume Companion IIde 1982, todos as inspirações para os membros fundadores do Clube do Inferno foram identificados da seguinte forma:
Mestre Mental (Jason Wyngarde) - O ator britânico Peter Wyngarde
Sebastian Shaw - O ator britânico Robert Shaw
Donald Pierce - O ator canadense Donald Sutherland
Harry Leland - O ator americano Orson Welles
Emma Frost - espiã fictícia Emma Peel interpretada pela atriz britânica Diana Rigg

- Ozymandias
Primeira aparição: Setembro 1986
Inspiração: Thunderbolt / poema de Percy Bysshe Shelley
Quando a DC Comics adquiriu os direitos da Charlton Comics e seu panteão de clássicos heróis de quadrinhos em 1985, o escritor Alan Moore decidiu usar alguns desses personagens esquecidos para criar uma história de assassinato e mistério que girasse em torno da morte de um super-herói - e, assim nasceu Watchmen. Um desses personagens da Charlton, era o Thunderbolt, de 1966, que tinha o poder de usar noventa por cento do seu cérebro. Moore deu esses poderes para o recém-criado Ozymandias, e retirou o seu nome de um poema de mesmo título do poeta Percy Shelley, do século 18, sobre a natureza momentânea da energia. E fez dele tanto um protagonista, quanto um antagonista, em sua épica graphic novel.

- Galactus
Primeira aparição: Março 1966
Inspiração: Deus / A Bíblia
Quando Stan Lee e Jack Kirby foram desafiados a criar um super vilão único, do tipo que o universo dos quadrinhos nunca tinha visto antes, eles decidiram fazer alguém que estivesse além do bem e do mal com poderes quase divinos, assim surgiu Galactus. Stan Lee fala sobre sua inspiração para o Devorador de Mundos na introdução do livro Marvel Masterworks: The Fantastic Four vol. 5"Galactus era simplesmente mais um na longa linha de super-vilões que nós adorávamos criar. Tendo imaginado muitos poderosos vilões... Sentimos que a única maneira de nos superar era criando um malfeitor que tivesse poderes quase divinos. Portanto, a escolha natural era uma espécie de semi-deus."
Jack Kirby acrescentou mais tarde no vídeo The Masters of Comic Book Art"Minha inspiração era o fato de que eu tinha que estimular as vendas. E eu tive que vir com personagens que não fossem estereótipos já usados. Por alguma razão, eu fui para a Bíblia e eu vim com Galactus... E, claro, o Surfista Prateado é o anjo caído."

- Caveira Vermelha 
Primeira aparição: Março 1941
Inspiração: Sundae de chocolate com uma cereja no topo
Por mais inverossímil que possa parecer, Joe Simon, o co-criador do Capitão América, revelou em sua autobiografia que uma sobremesa foi sua inspiração para o homem louco com o rosto vermelho. Em suas palavras, ele explica como isso aconteceu: "Eu estava sempre pensando em heróis e vilões, com todo tipo de ideias nadando em minha cabeça ... Eu tinha um sundae de chocolate postado bem na minha frente, com o sorvete de baunilha e a cobertura quente escorrendo pelo lado. Foi intrigante. A cobertura parecia membros como pernas, pés e mãos e eu estava pensando comigo mesmo. Talvez esse seja um vilão interessante, pensei. Vou chamá-lo de chocolate quente... Basta colocar um rosto sobre um corpo monstruoso de lama. Mas então olhei novamente para o sundae, e vi a grande cereja no topo. A cereja parecia uma caveira. "Uau", eu disse a mim mesmo. "Caveira Vermelha"... isso parece bom."

Veja Também:
Como tornar-se um 'bom' Vilão
Lugares abandonados que dariam excelentes bases para Supervilões
Não é fácil encontrar o amor quando se é um Super-Vilão
A aposentadoria de grandes vilões do cinema
Heróis e Vilões, das HQs para as páginas policiais

sexta-feira, 18 de abril de 2014

7 Tipos de pessoas que você encontra em livrarias

Há diversos motivos pelos quais eu gosto de frequentar livrarias. É um lugar tranquilo, o cheiro dos livros me agrada, a gente pode se perder pelo ambiente sem ligar pra isso, e as pessoas que trabalham na loja te deixam em paz até que você peça por ajuda. E claro, também não deixa de ser um belo recinto para se observar as pessoas.
Cada louco com sua mania, mas pra provar que esse exercício não é uma tremenda perda de tempo, resolvi catalogar aqui os tipos de pessoas que você costuma encontrar em uma livraria...
1. A pessoa que lhe dá conselhos indesejados sobre o livro que você pretende comprar:
Normalmente se aproximam de mansinho e surgem por entre nossos ombros dizendo coisas do tipo "Oh, você está pensando em comprar esse? Eu li no ano passado. Não é muito bom se comparado ao primeiro livro desse autor. Eu já li todos os livros dele, sabe. E posso dizer que esse aí é o que tem o pior final de todos.". A melhor forma de lidar com esse caso, é soltar um sonoro 'OBRIGADO' pra não parecer mal educado, colocar o livro de volta na prateleira e sair a passos apressados para outra seção da loja.

2. A pessoa que só veio tomar um café: 
A única coisa que eles pretendem ler é o cardápio do bistrô da loja. A maioria nem se interessa por livros, mas acham que, bebendo uma água com gás dentro da livraria, podem acabar absorvendo todo o conhecimento do lugar por osmose. A princípio esse tipo parece inofensivo, mas acabam incomodando quando inflam as filas dos caixas, dos banheiros e do próprio bistrô quando você decide tomar um café, realmente, lendo alguma coisa.

3. Crianças descobrindo a literatura pelos corredores:
A maioria das grandes franquias costumam ostentar um espaço reservado aos pequenos infantes, então, é provável que você pouco os veja correndo e gritando por entre suas pernas. Mas é sempre divertido observá-los descobrindo e discutindo as gravuras dos livros quando visito a seção deles para comprar algo para meus primos e sobrinhos.

4. Adolescentes apenas passando o tempo (ou matando aula): 
Como adolescente é uma raça que sempre anda em bando, eles costumam formar círculos lentos e barulhentos em volta das mesas, ou em frente as prateleiras, levando um longo tempo no mesmo lugar e atrapalhando a locomoção da loja. Embora eles não percebam, suas vozes são tão altas, estridentes, e incomodas quanto as das crianças, embora o papo que role na seção infantil seja bem mais agradável de se ouvir.

5. A pessoa que não sabe o que está fazendo lá dentro:
Talvez eles tenham entrado na loja atraídos pelo colorido das capas dos livros, mas não é bem isso que estão procurando. E de repente estão passeando pela parte de DVDs, se divertindo lendo as frases engraçadas dos cartões de aniversário perto da Caixa Registradora e terminam na parte de papelaria da loja se perguntando se levam a promoção de três cadernos pelo preço de um.

6. A pessoa que procura presente de última hora:
Entram no lugar correndo, quase desesperados, e passam o resto do tempo se perguntando "Será que fulano gosta de Quebra-Cabeça? Qual seria o ideal para a faixa de idade dela? Será que ele já leu O Senhor dos Anéis? Ou devo levar o Hobbit primeiro? Será que ele vai achar que considero ele um nerd com um presente assim? Será que devo levar um livro de receita? Será que ela cozinha? Bem, não importa, agora vai ter que começar de qualquer forma!". Fuja de todas essas perguntas, pois se responder qualquer uma delas vai acabar virando uma espécie de consultor pessoal.

7. A pessoa adormecida na poltrona: 
Pode ser um marido entediado esperando a mulher escolher a próxima leitura que lhe parece exatamente igual a todas as outras anteriores. Pessoas de idade que caem no clichê, e no sono, ao dormir durante a leitura. Ou até mesmo uma mãe solteira fatigada que aproveitou alguns minutinhos de pausa, e silêncio, das crianças para tirar um cochilo.

Que tipo de pessoa você costuma encontrar sempre que visita a livraria?

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Eu matei à toa...

O conto abaixo é de autoria do nosso leitor Carlos Belarmino e nos foi enviado por e-mail com um pequeno adendo explicando que originalmente a história foi escrita para participar de um concurso, mas que infelizmente não alcançou seu objetivo. 
E é justamente por ter sido rejeitada em outros lugares mais honrosos, que achamos perfeita para postar aqui no DpM.
Eu só conseguia sentir o cano da arma encostando minha cabeça, não queria expressar nenhum sinal de medo, mas não pude evitar o suor na testa e meu coração acelerado.
Ele me mandou sair do carro. Acho que não foi uma boa ideia aceitar buscar minha irmã a essa hora, sempre foi uma ingrata comigo. Enquanto estou prestes a morrer, ela deve estar tomando um sex on the beach e sendo queixada por algum playboyzinho de balada. O mundo não é justo.
Ficamos cara a cara, ele tinha um olhar vazio, parecia que tinha acabado de afogar um recém-nascido e não ter sentido remorso, não sei explicar direito, era perturbador. Tenho certeza que não teria problemas para dormir se decidisse me matar.
O homem começou a me revistar, eu nunca fui crente, mas acreditava em punição divina, será isso um pagamento por não ter ido à igreja aos domingos? Provavelmente não, acho que Deus iria querer algo mais dramático, como rãs ou sangue nas águas, e não um cara armado com um olhar psicótico.
Depois dessa vistoria, o homem puxou a carteira do meu bolso. Por um momento, eu fiquei aliviado, aquilo passou a parecer mais um assalto do que homicídio, porém essa sensação logo se esvaiu quando ele a jogou com os cento e cinquenta reais para longe, mas o pior foi que manteve em suas mãos a minha RG. O bastardo só queria saber o meu nome, ele não deve fazer vítimas sem saber como chama-las na hora da carnificina.
Voltou seu olhar para mim, com a arma apontando minha cabeça, essa devia ser a minha hora. Eu não mereço morrer, tinha acabado de fazer dezoito, bebi muito pouco, transei menos ainda, ainda tenho toda a vida pela frente, mas não tinha o que fazer. Eu já sentia a arma encostando em minha face de novo e tenho certeza que não adiantaria implorar. Tinha sacado o tipo desse cara, não era de ter piedade, só o que me restava era fechar os olhos e torcer para que toda aquela punheta na adolescência não me faça ganhar uma passagem para o inferno.

Eu esperei e nada aconteceu, devem ter se passado dois minutos que estávamos naquela posição, eu não tinha coragem de levantar as pálpebras e, logo depois de voltar com meus pensamentos, ouço uma risada um tanto quanto sádica:
- HAEHUAHAEUHEUA, eu finalmente encontrei alguém à altura de me matar!
Depois disso não pude resistir, eu necessitava falar com ele:
- Te matar? Você quer que eu te mate?
- Sim, você passou no meu teste de aceitar o que está por vir. Parabéns, Leandro.
Nesse momento, eu jurava que estava num sonho e que, a qualquer instante, iria acordar. Mas, para o meu azar, tudo aquilo era a realidade.
- E se eu não quiser te matar?
- Então eu te mato independente de qualquer teste que você tenha passado.
Desgraçado. Eu não sei como eu me olharia no espelho por ter matado uma pessoa, mesmo se tratando de um louco assassino. Mas acho que prefiro matar a morrer. Vou tentar descobrir uma justificativa para tudo isso.
- Antes de te executar, eu preciso saber, para quê você está fazendo isso? Tenho certeza que não é pela esperança de encontrar um lugar melhor ou pela falta de amor em sua vida.
- E por que acha isso?
- Pelo seu olhar, ele é sem emoção, sem culpa, sem felicidade, sem nada.
- Eu sabia que quem me matasse seria esperto. Sim, eu me privei de sentimentos para sobreviver a este mundo, mas agora estou cansado, drogas e sexo já não me satisfazem. Quero morrer e pagar por tudo que fiz.

Quais devem ter sido as chances disso acontecer? De a minha irmã me ligar no exato momento em que ele dobra para chegar a minha rua, procurando sua próxima vítima para seu teste sem noção. Estou começando a duvidar se isso foi o não foi um castigo divino.
- E então? Vai me matar ou vai ficar aí parado?
Estou sem saída, não tenho opção a não ser matá-lo e encarar seu corpo ensanguentado pelo chão, a não ser que:
- Como pretende que eu te mate?
- Com minha arma, com que mais seria?
Isso! Eu posso fugir se estiver sobre o controle do revólver, ele não pode me impedir.
- Você é muito astuto não é, Leandro? Acha mesmo que eu seria burro o suficiente para não pensar que meu matador poderia fugir com minha arma? Eu me privei de sentimentos e não de inteligência. Por isso eu trouxe outro revólver, ele está na parte superior da minha bermuda, e, se eu tiver que pegá-lo, pode ter certeza que é para te mandar dessa para uma melhor.
Tô fodido.
- Agora me diga, você já atirou antes?
- Não, essa será minha primeira vez.
- Então o tiro vai ser à queima-roupa, não quero ver erros ou chamar a atenção de algum morador, ainda estamos no meio da rua.
Odeio este país, devo estar aqui a mais de vinte minutos e não apareceu uma alma viva para me tirar dessa enrascada, mas, vendo por outro lado, o carnaval vai ser daqui a duas semanas, vale a pena não ter segurança para ter uma festa que dura quatro dias.
- Tudo bem, eu não tenho escolha mesmo.
- Ótimo, aqui está a arma, você tem dez minutos.
- Posso saber o nome de quem eu estou prestes a assassinar?
- Não, isso não é relevante.
Ótimo, agora eu tenho que matar um homem cujo nome nem tenho direito de saber... patético.
Comecei a analisar o revólver, era mais pesada do que eu pensava, imagino quantas pessoas tiverem sua última visão com essa arma, devia ser um número incalculável.
Parece que nós voltamos para o começo, com aquela velha troca de olhares, mas tinha uma coisa diferente, seu rosto não estava com um aspecto vazio dessa vez, era possível ver um sorriso formado em seus lábios, pelo menos eu sabia que iria matar um homem que sorri para morte.
Comecei a me aproximar, estava na hora de por um fim nisso, relembrei-me de horas atrás quando estava matando pedestres no GTA V, era tão fácil e divertido no jogo, por que não podia ser assim na vida real? Ah, lembrei, eu ainda não era um maníaco que tinha prazer em ver sangue jorrar do corpo de suas vítimas, uma pena.
- Já se passaram cinco minutos, está na hora, Leandro.
Agora era eu que estava encostando a arma em sua face, e ele no lugar da vítima. Mesmo assim, meu coração acelerou como se estivesse dando meu primeiro beijo. Por um momento, achei que ia ter uma parada cardíaca, teria dado graças se tivesse tido, mas não tive, eu ainda precisava mata-lo. A vida não era como um episódio de House.
Antes de assassiná-lo, resolvi parar para olhar em volta, estava tudo escuro, e tinha um silencio devastador, como se o mundo tivesse esquecido aquela área por um momento, o momento da morte desse miserável.
Fechei meus olhos, estava pronto para tirar-lhe sua vida.
- Alguma última palavra?
- Se eu pudesse mudar alguma coisa, não mudaria.
Bang! Agora aquela parte do mundo só ouvia esse som. O som que tirava a vida de uma pessoa.
Criei coragem para abrir meus olhos. O tiro foi bem no coração, e aquela imagem iria ficar na minha cabeça para sempre, mas eu sabia que tinha que fazer uma coisa antes de sair dali, tinha que procurar seu nome. Depois de um tempo examinando seu corpo, percebi que ele estava sem a sua identidade e que não portava nenhuma segunda arma consigo. Eu matei à toa.
*Dito pelo Carlos Belarmino

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Livros sobre Guerra que todo homem deveria ler - Parte II (O Retorno)

Quando fiz aqui a primeira parte dessa lista, já era previsto que fosse impossível concluí-la em apenas uma postagem e por isso deixei em aberto para que os leitores usassem o nosso espaço dos comentários e sugerissem outros títulos para compor um segundo inventário sobre o tema. E parece que o plano deu certo! Com a contribuição desses leitores, conseguimos formular um novo repertório com excelentes livros sobre a Arte da Guerra.
Infelizmente nem todas as obras propostas estão disponíveis no mercado atual. Algumas não são mais publicadas no Brasil há muito tempo, outras não possuem versões traduzidas, e portanto, só por esse infortúnio, ficaram de fora dessa seleção.
"O estudo da guerra é o estudo da vida, porque a guerra é a vida em seu sentido mais cru. É a morte, o medo, o poder, o amor, a adrenalina, o sacrifício, a glória, e a vontade de sobreviver."
Abaixo você encontrará a segunda parte (O Retorno) da nossa lista com um apurado dos livros de guerra sugeridos por nossos leitores na postagem anterior, e novamente contamos com vocês para que seus comentários enriqueçam esse acervo e gerem outras excelentes sequencias sobre o tema.
Cada obra é sobre uma civilização, causa, motivações e conjunto de táticas diferentes, mas são temas atemporais cujo as lições jamais envelhecem.

✔  Band of Brothers, de Stephen E. Ambrose
A Easy Company, 506.º Regimento de Infantaria Pára-Quedista do Exército Norte-Americano, foi uma das melhores companhias de fuzileiros do mundo. 'Band of Brothers' é o relato sobre os homens dessa unidade que combateram, passaram fome, sofreram com o frio e morreram. 
Uma equipe que teve 150% de baixas e considerava a medalha Purple Heart um distintivo. Baseando-se em horas de entrevistas com sobreviventes, bem como nos diários e nas cartas dos soldados, Stephen Ambrose conta a história desse notável grupo, que sempre recebia as missões mais difíceis, sendo responsável por tudo, do salto de pára-quedas na França nas primeiras horas da manhã do Dia D à captura do Ninho da Águia, a fortaleza de Hitler em Berchtesgaden. De seu rigoroso treinamento na Geórgia, em 1942, ao Dia D e à vitória dos Aliados, Ambrose teceu uma narrativa primorosa, com riqueza de detalhes, sobre as características dos soldados de infantaria de elite, transcrevendo no decorrer da obra as próprias palavras e depoimentos dos combatentes, o que dá mais veracidade à trama.

✔ Não há Dia Fácil, de Kevin Maurer e Mark Owen
Em seus muitos anos como membro do Seal da Marinha dos Estados Unidos, Mark Owen participou de centenas de missões no Iraque e no Afeganistão. Não Há Dia Fácil: Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden é um retrato da vida nas equipes do Seal e um relato fiel da Operação Lança de Netuno, realizada em Abbottabad, no Paquistão, que resultou na morte de Osama Bin Laden. Owen foi um dos primeiros homens a adentrarem no esconderijo do terrorista e testemunhou, em primeira mão, a sua morte. 
No livro, Owen diz, 'Ainda que narradas em primeira pessoa, minhas experiências são universais (...). Chegou a hora de registrar por escrito uma das mais importantes missões da história militar dos Estados Unidos. A explicação de como e por que ela teve sucesso se perdeu na cobertura jornalística da operação. (...) "Não Há Dia Fácil: Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden" conta a história dos Rapazes, o preço humano que pagamos e os sacrifícios que fizemos para executar esse serviço sujo. (...) Espero que, um dia, um jovem nos primeiros anos do ensino médio leia este livro e se torne um Seal, ou pelo menos viva uma vida maior do que ele próprio. Se isso acontecer, este livro terá valido a pena.' 

✔ O Maior dia da História, de Nicholas Best
O texto ágil e atraente de Nicholas Best relata, de forma surpreendente, recortes do último ato da Primeira Grande Guerra. As ofensivas militares, a rendição alemã e todas as reviravoltas do fim da mais sangrenta guerra contadas a partir de material nunca antes publicado, de fontes tanto militares quanto civis. Da então adolescente Marlene Dietrich, em Berlim, a Gandhi, doente em sua cama; das farras das tropas aliadas às histórias de pessoas comuns, o autor relata novos fatos e todos os ângulos de um dos momentos históricos mais relevantes para a sociedade atual, de forma inédita e fascinante.

✔ Operações Secretas da Segunda Guerra Mundial, de Jesús Hernández
A Segunda Guerra Mundial não foi travada apenas nos campos de batalha. Os Serviços de Inteligência organizaram operações secretas para atacar o inimigo em seu ponto mais fraco. Para tanto, recorreram a homens valentes e corajosos, dispostos a arriscar suas vidas para cumprir uma missão que, na maioria dos casos, era praticamente suicida. Neste livro, você vai encontrar ataques surpresa no coração do território inimigo, assaltos, sequestros, assassinatos, missões de espionagem, enfim, todo tipo de operações secretas destinadas a mudar a trajetória da contenda; apenas algumas delas alcançariam seu objetivo.
O autor aborda pela primeira vez essas operações que costumam ser esquecidas pelos livros de História, mas cujo impacto no andamento da guerra foi muito maior do que costuma se acreditar. Após a leitura destas páginas, sua impressão sobre a Segunda Guerra Mundial não será mais a mesma.

✔ Até o Último Homem, de Jeff Shaara
Primavera de 1916: a Frente Ocidental, teatro de guerra na Europa, encontra-se sob as sombras de um terrível impasse. A França e a Grã-Bretanha estão num dos lados do arame farpado, enquanto no outro a feroz Alemanha os ameaça. Aclamado como o grande romance sobre a Primeira Guerra Mundial, Até o Último Homem, de Jeff Shaara, em suas quase mil páginas, é uma das mais impressionantes e comoventes descrições do conflito que dizimou uma geração. Shaara pinta um quadro com cores vivas, de traços quase surrealistas, dessa guerra de trincheiras, através da visão de um típico soldado inglês mergulhado num mar de violências monstruosas ? um homem cuja inocência juvenil é atirada ao inferno de uma guerra hedionda.
Enquanto isso, muito acima do caos terrestre, a tecnologia enxameia o céu com uma arma nova e devastadora: o avião. Com ele, surgem no horizonte novos tipos de heróis, os ases da aviação. Esses cavaleiros solitário duelam no esplendor de um céu aterrador, onde sua coragem e sua fibra são testadas a cada missão.
De Pershing, o Jaqueta Negra, aos entrincheirados fuzileiros navais, do Barão Vermelho aos pilotos americanos da Esquadrilha Lafayette, Até o Último Homem reproduz com vivacidade e precisão os cenários desse conflito mundial, características da literatura de Jeff Shaara. O romance leva aos leitores ao coração de um dos maiores conflitos da História e os põe cara a cara com personagens capazes de causar um impacto permanente no espírito humano.