domingo, 12 de abril de 2015

Conheça a real inspiração por trás de alguns personagens das HQs

Não dá pra negar que alguns dos melhores personagens da literatura são inspirados em pessoas reais. Para conhecer exemplos concretos do fato, consulte as nossas postagens anteriores sobre 'Personagens da literatura que foram inspirados em pessoa reais' PARTE 1 e PARTE 2
Em outra oportunidade, também citamos que o mesmo ocorre no universo dos quadrinhos, listando aqui as verdadeiras inspirações por trás de alguns dos maiores vilões das HQs. E é seguindo neste caminho que fizemos mais uma pesquisa sobre o assunto, e descobrimos outros grandes personagens que tiveram a personalidade, estilo, roupa, ou até mesmo a própria história, baseados em pessoas reais.

Clark Kent/Superman.
Inspiração: Harold Lloyd
A origem do Superman foi um processo longo e demorado. O Homem de Aço apareceu pela primeira vez como um vilão telepático (e tão careca quanto Lex Luthor) em uma edição de um fanzine de ficção científica em janeiro 1933. Jerry Siegel era um fã de ficção científica, e inspirado pelo homem do futuro idealizado por Friedrich Nietzsche, ele escreveu a história de um "Super-homem" destinado a dominar o mundo, com ilustração do seu amigo Joe Shuster. Ao longo dos próximos cinco anos, Siegel e Shuster sumiram com o hífen do nome, e transformaram Superman em um herói. Usando figuras bíblicas tais como Moisés e Sansão e heróis fictícios, como Hércules, Doc Savage, e Buck Rogers como fonte de inspiração para construir um dos heróis mais emblemático de todos os tempos.
Como cinéfilos ávidos, Siegel e Shuster fizeram Superman parecido com a estrela de cinema Douglas Fairbanks (menos o bigode fino). Já a personalidade do seu alter ego, Clark Kent ( criado usando os primeiros nomes dos atores Clark Gable e Kent Taylor) foi baseada em outro ator, Harold Lloyd. Lloyd fez uma carreira reconhecida por fundir um olhar aparentemente sereno com uma grande força e capacidade atlética.
Siegel e Shuster venderam os direitos do Superman para a DC Comics pela bagatela de 130 dólares. Os dois nunca viram um centavo da sua criação até a década de 1970, quando a DC concordou em fornecer pensões anuais de vida para a dupla.

Lois Lane 
Inspiração: Glenda Farrell
Já que estamos discutindo sobre Clark Kent, acho justo que falemos sobre a origem de seu par romântico, Lois Lane. Novamente Jerry Siegel explica que a jornalista foi inspirada em Glenda Farrell. Atriz que interpretou a corajosa repórter Torchy Blane, que corria qualquer risco por uma boa manchete em uma serie de nove filmes famosos produzidos entre 1937 e 1939. Glenda Farrell interpretou a protagonista em sete destes filmes. E de onde vem o nome de Lois Lane? A atriz Lola Lane, interpretou a personagem Torchy Blane em 1938. A sonoridade do nome agradou Siegel, que na mesma hora criou uma variação para nomear a eterna namorada do homem de aço.

Tony Stark/Homem de Ferro
Inspiração: Howard Hughes e Elon Musk
Várias vezes já foi noticiado que a inspiração de Stan Lee para criar o alter ego do Homem de Ferro, Tony Stark, foi Howard Hughes. As semelhanças entre Stark e Hughes são impressionantes: Ambos herdaram sua fortuna do pai, ambos foram industriais e inventores, e ambos foram playboys. Ambos forneciam equipamento militar para os EUA durante a Guerra Fria. Lee ainda mandou um sinal da ligação do personagem com o milionário, quando resolveu chamar o pai de Tony, de Howard. Lee explicou que Hughes era um dos homens mais ativo daquele tempo, ele era inventor, aventureiro, mulherengo, e um maluco. Não é surpreendente que Lee descreva Tony Stark de uma forma similar, ele é rico, bonito, conhecido como um playboy glamouroso, e é visto constantemente em companhia de mulheres bonitas.
Hughes morreu em 1976, por isso, quando Robert Downey Jr. concordou em interpretar Tony Stark, em 2008, ele queria conhecer uma versão moderna de Hughes para estudar o comportamento de um bilionário, empresário e inovador da tecnologia. Ele então escolheu Elon Musk, co-fundador da empresa que mais tarde tornou-se o PayPal, e agora é diretor da Space Exploration Technologies (SpaceX), a agência espacial privada que entrega suprimentos para a Estação Espacial Internacional.

J. Jonah Jameson 
Inspiração: Stan Lee
O chefe rabugento de Peter Parker, foi modelado a partir de um de seus criadores, Stan Lee. Na verdade, o estilo mal humorado de J. Jonah Jameson seria a versão que tantas pessoas cultivavam a respeito de Lee. Como, na DC Comics, o chefe do Clark Kent, Perry White, era um grande fã de Superman, Lee e Ditko gostaram da ironia de ver o alter ego do Homem Aranha trabalhando para uma pessoa que odiava o herói. Parece que eles gostaram da tensão de Jameson precisar das fotos do Homem-Aranha para vender jornais, ao mesmo tempo em que trabalhava para difamar o cabeça de teia. 
Após J. Jonah Jameson ser introduzido na cronologia do Aranha, seus criadores se divertiam fazendo paralelos entre o personagem e Stan Lee. A primeira esposa de Jameson se chamava Joan, o mesmo nome da própria esposa de Lee. A secretária tranquila de Jameson, Betty Bryant, foi baseada na verdadeira secretária de Lee, Flo Steinberg. Apesar de contar com uma participação especial em cada filme da Marvel, ele nunca teve a chance de interpretar o personagem mais próximo da sua pessoa.

Princesa Diana/Mulher Maravilha
Inspiração: Elizabeth Marston e Olive Byrne
A Mulher-Maravilha foi criada em 1941 por William Moulton Marston como um ideal feminista. Uma nota na imprensa da época concebe a criação de Marston como um modelo para crianças e jovens de uma feminilidade corajosa, para combater a ideia de que as mulheres são inferiores aos homens, inspirar a auto-confiança e ajudar a difundir o atletismo entre as meninas, no intuito de ocupar profissões monopolizadas pelos homens.
Marston foi contratado em 1940 por Charles Maxwell Gaines, o inventor da história em quadrinhos e co-proprietário da All-American Publications, uma precursora da DC Comics. Gaines já estava publicando quadrinhos do Superman e do Batman, e começou a receber críticas pela violência glorificada em suas páginas, justo quando a Segunda Guerra Mundial estava esquentando. Gaines então decidiu que queria Marston, um psicólogo conhecido e inventor do detector de mentiras, para combater a controvérsia. Marston recomendou a Gaines que eles incluíssem um super-herói do sexo feminino para a editora.
Sabemos agora que a Mulher Maravilha foi diretamente inspirada pelas duas mulheres que viviam com Marston. Sua esposa de 25 anos, Elizabeth Holloway Marston, que possuía mestrado e licenciatura em Direito em uma época onde poucas mulheres frequentaram a faculdade. A outra seria Olive Byrne, a amante de Marston. Ele conheceu Byrne em 1925, quando foi professor de psicologia da jovem. Quando eles se apaixonaram, Marston deu a sua esposa um ultimato: ou Byrne morava com eles, ou ele iria deixá-la. Ela concordou, e entre 1928 e 1933, cada mulher deu a Marston dois filhos. Foi a a Sra Marston quem insistiu para que a heroína do marido tivesse exclamações fortes como "Grande Hera".

Wolverine
Inspiração: Paul D'Amato

Como muitos outros personagens de quadrinhos, a origem de Wolverine é um tanto complicada. Ele foi originalmente criado como um personagem descartável encarregado apenas de conter o Hulk quando ele viajou para Quebec em O Incrível Hulk N°.180 (Outubro de 1974). Stan Lee e o editor-chefe Roy Thomas, disseram ao escritor Len Wein e o artista John Romita Jr. para criarem um "herói-vilão" canadense, com algum nome que lembrasse qualquer animal característico do Norte. No ano seguinte, Wolverine apareceu em destaque na X-Men N°.1 e tornou-se oficialmente parte da equipe em X-Men N°.94. Quando John Byrne assumiu a revista do personagem, ele endureceu o olhar do Logan, inspirado por uma personagem secundário do filme Slap Shot de 1977. O tal personagem era interpretado pelo ator Paul D'Amato e aparecia apenas alguns segundos da cena, mas seu cabelo louco, costeletas grossas, cara fechada, e personalidade selvagem pareciam se encaixar perfeitamente com a visão que Byrne tinha do Wolverine

sábado, 11 de abril de 2015

5 Livros sobre Viagem no Tempo que não são ficção científica

Quando uma história propõe uma viagem através do tempo, geralmente ela acaba fazendo uma curva na 'alameda' do sci-fi e introduzindo os leitores (ou espectadores) em lugares desconhecidos a custo de artefatos tecnológicos e explicações científicas que nem sempre convencem o público de forma satisfatória. Mas essa não é a única forma segura de se viajar pela linha do tempo, alguns autores escolhem métodos mais simples e pessoais de lançar os seus personagens em aventuras temporais.
Para mostrar este outro lado dessa experiencia fascinante, selecionamos alguns livros que abordam a viagem no tempo de formas diferentes, e sem a ajuda da mecânica intuitiva da ficção científica.

✔ A Mulher do Viajante no Tempo, de Audrey Niffenegger
-Editora Suma de Letras
Conta a história do casal Henry e Clare. Quando os dois se conhecem Henry tem 28 anos e Clare, vinte. Ele é um moderno bibliotecário; ela, uma linda estudante de arte. Os dois se apaixonam, se casam e passam a perseguir os objetivos comuns à maioria dos casais: filhos, bons amigos, um trabalho gratificante. Mas o seu casamento nunca poderá ser normal.
Henry sofre de um distúrbio genético raro e de tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás, e ele então é capaz de viajar no tempo, levado a momentos emocionalmente importantes de sua vida tanto no passado quanto no futuro.
Causados por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. A cada viagem, ele tem uma idade diferente e precisa se readaptar mais uma vez à própria vida. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação.
Em A Mulher do Viajante do Tempo, a autora mostra com muita sensibilidade, inteligência e bom humor que o verdadeiro amor é capaz de transpor todas as barreiras ? inclusive a mais implacável de todas: o tempo.

✔ Revivente, de Ken Grimwood
-Editora Gutenberg
FF Winston é um jornalista de rádio de 43 anos, que está preso em um casamento fracassado e um emprego sem futuro. Ao sentir uma forte dor no peito, morre instantaneamente. Momentos depois, acorda em 1963, em seu quarto da época de faculdade, com 18 anos novamente, e lembrando-se perfeitamente de tudo o que aconteceu. Sem entender o que está ocorrendo, a única coisa que sabe são os fatos de sua vida e do mundo que se repetirão, inclusive o dia de sua morte. As dúvidas invadem sua mente: 
O que fazer dessa "nova" vida? Cometer os mesmo erros ou fazer tudo diferente? 
Deixar que os grandes desastres da história aconteçam ou tentar interferir? 
Nesta surpreendente e premiada obra, que foi inclusive inspiração para o filme 'Feitiço do tempo', é uma aventura emocionante que desafia os limites do tempo.

 Outlander: A Viajante do Tempo, de Diana Gabaldon
-Editora Saída de Emergencia
Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.
Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?

✔ Iluminadas, de Lauren Beukes
-Editora Intrinseca
Chicago, 1931. Harper Curtis, um andarilho violento, invade uma casa abandonada que esconde um segredo tão chocante quanto improvável: quem entra ali é transportado no tempo. Instigado por um comando que parece vir da própria casa, Harper persegue as "meninas iluminadas" - garotas cuidadosamente escolhidas em diferentes décadas - com o objetivo de matá-las. Voltando no tempo após cada assassinato, seus crimes são perfeitos e impossíveis de serem rastreados. Ou pelo menos é o que ele pensa.
Chicago, 1992. Kirby Mazrachi viu sua vida ser destroçada após um ataque brutal que por pouco não a levou à morte. Incapaz de esquecer tal acontecimento, Kirby investe seus esforços em encontrar o homem que tentou assassiná-la. Seu único aliado é Dan, um ex-repórter policial que cobriu seu caso e agora aparentemente está apaixonado por ela. À medida que a investigação de Kirby avança, ela descobre outros casos semelhantes ao seu - e garotas que não tiveram a mesma sorte que ela -ligados por evidências que parecem impossíveis. Mas, para alguém que deveria estar morto, impossível não significa que não tenha acontecido.

✔ Tempest, de Julie Cross
-Editora Jangada
Em 2009, o jovem Jackson Meyer descobre que pode viajar no tempo. Durante os seus “saltos” para o passado, nada muda no presente. Isso era apenas uma diversão inofensiva, até que sua namorada Holly morre durante uma invasão à sua casa. Em pânico, ele consegue voltar dois anos, mas descobre que ficou preso no tempo. Desesperado para voltar e salvar Holly, Jackson resolve tocar sua vida em 2007 e tentar descobrir o que puder sobre suas habilidades. 
Não muito tempo depois, as pessoas que atiraram em Holly, membros de um grupo apelidado pela CIA de “Inimigos do Tempo”, vêm a sua procura para recrutá-lo ou matá-lo. Com tudo isso acontecendo e Jackson ainda tentando encontrar pistas sobre as origens de sua família para descobrir mais sobre suas habilidades, ele precisa decidir até onde está disposto a ir para salvar Holly e possivelmente,   o mundo inteiro.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Conheça os lançamentos da Editora Gente e o selo Única para o mês de abril/2015

A Editora Gente e o seu selo Única acabam de abrilhantar o mercado literário com alguns lançamentos que não podem faltar na sua estante de livros. Confira abaixo:

✔ O Manual da Garota Geek, de Sam Maggs
Fica a dica, mundo: nada é mais legal do que ser uma garota geek 
O manual da garota geek é o guia especial de tudo aquilo que nos faz incrível: nossas paixões. Embora o restante da humanidade acredite que as geeks são pessoas muito estranhas, a verdade é que apenas amamos e nos envolvemos demais com as melhores coisas da vida. Não importa o que você ame – quadrinhos, seriados de ficção científica, literatura juvenil –, se acabou de chegar ou se adora há anos, para ser uma garota geek o importante é amar com intensidade. 
Desde aprender a iniciar um blog legal sobre seus hobbies, planejar o próximo cosplay, organizar um evento geek ou simplesmente entender que tipo de nerd você é, este livro está aqui para ajudá-la. Encontre aqui tudo o que você precisa para que sua nerdice seja longa e próspera!

✔ As pontes de Madison, de Robert James Waller
Apaixone-se novamente com o clássico que emocionou a todos no cinema
O ano é 1965, e a cidade de Iowa, interior dos Estados Unidos, parece estar ainda mais quente nesse verão. Francesca Johnson, uma mãe de família que vive uma vida pacata do campo, não espera nada além dessa temporada do que o retorno dos filhos e do marido, que viajaram. Sua tranquilidade, porém, será interrompida com a chegada de Robert Kincaid, um fotógrafo de espírito aventureiro que recebeu a missão de registrar as belíssimas pontes de Madison County.
Francesca e Robert comprovaram para o mundo que o valor das coisas está realmente na intensidade que elas carregam e não no tempo que duram. Casada, mãe, Francesca não deveria ter sentimentos tão fortes por esse fotógrafo. Assim como ele, um homem tão livre, nunca se viu tão preso a alguém que acabou de conhecer. E é justamente assim que as paixões intensas funcionam: é como ser atingido por um raio quando menos se espera, e, de repente, seu corpo e sua existência estão preenchidos de energia, sem ter como voltar atrás para o estado anterior. E perdemos todo e qualquer pudor ao ver que é possível, uma vez mais, encontrar espaço para dançar.

OS BEATS - Uma Graphic History (Harvey Pekar * Ed Piskor * Paul Buhle)

Como uma das fontes de inspiração primária para a criação deste blog, podemos imaginar que o legado da geração Beat já foi debulhado aqui de todas as formas possíveis, seja no formato de livros, resenhas, artigos, filmes ou documentários, seus percussores sempre tiveram um lugar cativo por entre as páginas do DpM. A política do 'faça você mesmo' e a extrema necessidade de 'viver antes de escrever', são alguns dos sentimentos nobres que conduzem cada toque publicado por aqui. Por isso, tamanha foi a minha surpresa ao topar com uma graphic novel inteira dedicada a retratar de uma forma inédita, a vida e obra de dos maiores ícones da geração Beat, e os frutos desse movimento que originou a contracultura.
Partindo do pensamento de que até mesmo as principais obras produzidas durante este período, como os clássicos On the Road (Jack Kerouac) e Almoço Nu (William Burroughs), não superam a própria história de vida conturbada de seus criadores, a graphic novel OS BEATS - Uma Graphic History (Editora Benvirá, 197 páginas) procura transformar essas 'personalidades' em 'personagens' e representar suas biografias de uma forma que não deve nada as escrituras originais desses autores.

Com um roteiro de Harvey Pekar, a arte característica de Ed Piskor e a colaboração de muitos outros autores e ilustradores de renome, OS BEATS representa fatos e passagens das vidas de seus homenageados que eu nunca vi explorados em outras mídias,... Pelo menos não desta forma.
Mantendo o espírito que consagrou todo este movimento, o volume consegue transmitir serenamente toda a 'imprudência escrita' e a quebra de paradigmas que impulsionaram os Beats, transformando grandes autores em protagonistas de suas próprias histórias, contadas de uma forma que, talvez, nem mesmo eles ousariam narrar. Pelo menos, não naquela época. Levando em conta que estamos nos referindo a escritores cujo as obras se confundiam com suas próprias vidas, o resultado dessa mistura entre 'imagens e palavras' é no mínimo surpreendente. O enredo poderia facilmente ter sido escrito por um ‘beatnik’, e as ilustrações despreocupadas em ‘preto e branco’, reproduzem com maestria toda expressão pujante do movimento.
E se a primeira parte desta publicação é dedicada a biografar os artistas, as páginas finais foram reservadas para interpretar suas artes, em histórias que edificam a poesia furiosa que foi produzida por figuras como Robert Creeley, Charles Olson e Greogory Corso.
Lançado por aqui em um exemplar de fino acabamento cuidadosamente trabalhado pela Editora Benvirá, OS BEATS é como uma fusão entre biografia e catálogo, que reúne todos os personagens que proclamaram o início da contracultura. Do expoente mais importante do movimento, até aqueles que só alcançaram um reconhecimento regional (o que no EUA pode representar toda uma costa, leste ou oeste), todos possuem um trecho de seu trabalhos merecidamente representados neste volume.
Por fim temos, um tributo brilhante com um olhar franco sobre as inegáveis conquistas deste marco cultural.
Para conhecer toda a essência deste movimento através da arte dos quadrinhos, clique agora no banner abaixo da nossa parceira Submarino e compre o seu exemplar. Depois volte aqui e conte a sua própria experiência com o livro em nossos comentários.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porque nós adoramos os Lannister, e outros personagens de caráter duvidoso

O deslumbre de estréia da próxima temporada de Game of Thrones já está bem próxima, diferente da continuação dos livros que ainda está sem data de lançamento prevista, e os fãs estão ansiosos por este retorno ao mundo de Westeros. É um mundo onde você pode morrer envenenado por um parente, devorado por um demônio de sombra, de fome, queimado pelo sopro de um Dragão, mas ainda assim, um lugar que nos fascina.

Além da áspera intriga política dos sete reinos, a série ganhou grande notoriedade através do seu elenco de personagens dúbios e caráter duvidosos. E é evidente que nenhuma outra família demonstra tanta afinidade com essa moralidade quanto os Lannisters. Eles foram apresentados como 'vilões' no início da saga, mas de alguma forma, apesar de serem desprezíveis, vários personagens Lannister tornaram-se favoritos de grande parte do público.
E é por isso que resolvemos explorar essa premissa, e tentar descobrir o que tanto nos atrai nesses personagens de moral cinza.
Sua psicologia é complexa.
"Todo mundo que não é nós, é um inimigo." 
- Cersei Lannister
Muitas vezes, os "mocinhos" usam a moralidade no lugar da psicologia. Eles fazem a coisa certa, simplesmente porque essa é a coisa certa a ser feita, e seus motivos basicamente param por aí. Da mesma forma, muitos "bandidos" fazem as coisas simplesmente porque eles são maus. Por outro lado, personagens 'cinzas' não podem fazer alusão à moralidade (ou uma completa falta dela) como justificativa para suas ações. Como personagens críveis, devem ser escritos com um grau de complexidade psicológica que muitas vezes falta nas pessoas que são limitadas apenas em bons ou maus.
Como resultado, nós podemos até não concordar com as suas decisões, mas sempre temos a oportunidade de compreender as suas motivações subjacentes. Cersei fornece um bom exemplo desse caso. Ela é facilmente um dos personagens mais odiosos da serie, mas muitas vezes o seu objetivo justifica suas escolhas. Ela está fadada a não herdar terras e títulos, foi obrigada a casar-se pelo benefício da família e ficou presa a um casamento em que era tratada com um completo descaso. Por fora ela leva vive o segredo de um amor verdadeiro (embora seja com seu irmão), e a sua maternidade irrevogável (mesmo que um de seus filhos seja pura maldade). Assim podemos entender a obsessão de Cersei com a proteção das suas crias, que representem os únicos elementos da sua vida que já foram verdadeiramente dela.
Se as suas escolhas passam a ser admiráveis por conta disso? É claro que não. Mas suas ações deixam de ser algo meramente 'malvado', e torna-se algo muito mais rico. Para evitar de ser meramente arbitrária, as motivações desse tipo de personagem encontra uma justificação em seu prazo de vida e na sua visão confusa de mundo, o que o torna mais verossímil e interessante.

Eles são menos previsíveis.
"Não há homens como eu. Somente eu." 
- Jaime Lannister
Quando um personagem é impulsionado pela bondade moral (ou pura maldade), é fácil de ver sua possível gama de ações em qualquer situação. Mesmo escolhas ignóbeis estão sobre a mesa, e basicamente você sabe que o "bom rapaz" nunca lutará contra a tentação de fazer o bem. Já personagens cinzentos, por outro lado, são obrigados a surpreendê-lo.
Jaime Lannister é o grande exemplo desse caso. Ficou óbvio que deveríamos enxerga-lo como um vilão em sua primeira aparição quando jogou uma criança por uma janela. No entanto, ao longo da história, ele não cansa de nos surpreender. Cada parte do seu passado é problemática: Ele dormiu com a irmã, mas é um dos poucos homens na serie que tem sido fiel a uma única parceira romântica; ele quebrou o juramento e matou o rei que jurou proteger, mas ele o fez para salvar Porto Real e acabar com a tirania do rei louco; ele atirou Bran pela janela da torre, mas ele foi honesto sobre suas ações quando confrontado pela Senhora Stark. E então, nós temos esses períodos de oscilação.
Como resultado, o momento da decisão torna a cena mais atraente: Simplesmente não sabemos o que vai acontecer. Personagens que exibem este tipo de personalidade, naturalmente aumentam as apostas de qualquer situação, já que os leitores (ou espectadores) não podem prever o que vai acontecer.

Suas personalidades são mais desenvolvidas.
"Uma vez que você aceite suas falhas, ninguém poderá usá-las contra você." 
- Tyrion Lannister
Personagens claramente identificados como 'mocinhos' ​​são mais fáceis de caírem na graça do público puramente baseado na bondade de suas ações. Mas o que dizer quando as ações de um personagens não são tão puras assim? Para tornar um personagem simpático nesta situação, é necessário que ele tenha uma personalidade atraente. 
Então, vamos recitar o óbvio: Tyrion é um dos personagens mais amados da serie, porque ele consegue ser engraçado. Sua sagacidade muitas vezes perfura o ego das pessoas, dizendo coisas que realmente sentimos de uma forma bem inteligente. Enquanto ele não pode ser carimbado como um tradicional "bom rapaz", sua personalidade traz características que o torna mais carismático: inteligência, sagacidade, e empatia (especialmente para deficientes, bastardos e coisas quebradas).
Ao descrever um personagem com moral cinza, o autor precisa ser bem mais consciente sobre o desenvolvimento da sua personalidade. Mesmo deixando de lado todos os outros fatores que deixam ele mais convincente. Esta atenção extra rendida ao desenvolvimento dessas figuras, deixa tudo mais interessantes.

Eles desafiam nossa ética.
"Explique-me por que é mais nobre matar dez mil homens em uma batalha, 
do que uma dúzia durante o jantar." 
- Tywin Lannister
Muitas vezes estes personagens fazem escolhas por razões que estão fora do nosso quadro ético. Nesse processo, eles baseiam as suas ações em seus próprios termos éticos ou racionais.
E aqui, vamos falar sobre Tywin Lannister. A psicologia de Tywin é fascinante: Ele viu seu pai (Lord Tytos) perder o poder. Maus investimentos, e uma tendência ao fracasso, fez dele motivo de chacota em todo o reino, até mesmo entre os seus vassalos. Para evitar que o mesmo ocorresse com ele, quando Tywin subiu ao poder tornou-se brutal. Mas não tem como negar que sua abordagem é no mínimo ... eficaz.
Após o Casamento Vermelho, a discussão entre Tywin e Tyrion levanta algumas das questões morais mais complicadas da série. Assistimos a traição e brutalidade do Casamento Vermelho, e naturalmente reagimos com uma poderosa resposta emocional, mas será que podemos realmente dizer que matar "dez mil homens no campo de batalha" é melhor do que a "dúzia de mortes no jantar"? Ao desafiar nossa ética, personagens como Tywin nos forçam a pensar, concordando ou não com o resultado de suas ações.

Suas escolhas são mais significativas.
Loras: "Os heróis sempre serão lembrados. Os melhores.". 
Jaime: ".. O melhor e o pior. E alguns que carregam um pouco de ambos"
Um dos momentos mais profundos dos livros ainda não foi explorado na serie da TV. Jaime Lannister retorna a Porto Real e toma o comando da Guarda do Rei. Quando ele consulta o livro que registra a vida daqueles que serviram na Guarda do Rei, ele vai até a página que descreve seus próprios atos, e descreve o seu passado: Ele matou o rei que jurou proteger... O resto da página está em branco.
Este momento "página em branco" mostra Jaime confrontando a realidade do seu futuro desconhecido. Quem ele escolherá ser? Será que vai buscar por redenção? Será que vai cumprir o seu juramento com Catelyn Stark? Será que vai continuar levando a vida imoral que os outros parecem esperar dele?
Estas perguntas sobre o futuro em branco são dilemas comuns dos seres humanos. Estar em um território moralmente cinza obriga os personagens a enfrentar ativamente estas realidades, ao invés de simplesmente ser colocado em uma posição de heroísmo ou vilania. Como resultado, suas escolhas são bem mais significativas.

Veja Também:
-Vertentes de Game of Thrones para aliviar sua espera pelo retorno da serie