sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sobrevivendo a 2010

31 de dezembro de 2010
Se você está lendo isso, meus parabéns! Você provavelmente sobreviveu ao ano de 2010 e está automaticamente classificado para a próxima fase de eliminação para o fim do mundo de 2012. Considere-se um privilegiado por ter chegado ao fim do ano mais apocalíptico desse século,...até agora.
Este ano que está (finalmente) acabando nos trouxe um “combo” de todas as catástrofes naturais já catalogadas pela humanidade, sobrou para todos os continentes, enchentes, vulcões, maremotos, tsunamis, incêndios, furacões, tornados, nevascas, terremotos,... Esqueci alguma coisa? Também não faltaram as piores catástrofes humanas já assistidas pela natureza, guerras, corrupções, assassinatos, torturas, execuções. Acho que nem vou entrar no mérito da política nacional, e porque não, da mundial também.

Ainda não sei como tanta coisa ruim pode caber em somente 365 dias, digo 365 dias porque o ano fez questão de demonstrar ao que veio até os seus últimos dias, quando achávamos que nada de pior poderia acontecer, ele nos arrebatava com uma imensa tapa de luva,... de Box!
De acordo com o faturamento do mês de dezembro das lojas, já foram vendidas roupas brancas suficiente para já terem comprado um “ano novo melhor” da melhor qualidade, no entanto o que vemos é uma piora periódica e desenfreada da situação de risco em que vivemos. Eu pelo menos não consigo apontar aqui uma melhora que seja... e não vale citar “bolsa família” só pra tentar me fazer cair em contradição.
Se você conseguir realizar alguma coisa no próximo ano com certeza é porque você conseguiu uma boquinha com aquele tio que ganhou uma vaga pra Deputado, e saiba que esse negócio de dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender só funciona com os poderosos planos de saúde, pra você vai continuar a mesma merda,...talvez um pouco mais fedida. Seja lá qual for a mandinga que você tenha o costume de praticar no fim de ano, sinto lhe dizer que não está funcionando. Pode finalmente colocar aquela calcinha rosa para lavar porque a única maneira de você conseguir um bom parceiro nesse revellion é passar a virada sem calcinha.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Encontrando novos amigos!

22 de dezembro de 2010 
Embora as mulheres possuam a ‘invejável’ facilidade de chamar uma outra de amiga com somente alguns minutos de convívio e apenas pelo fato de se depilarem no mesmo lugar, para nós homens a coisa é um pouco mais complicada que isso. Depois de identificar pontos e gostos em comuns com outra pessoa, ainda precisamos formar uma espécie de dossiê comprovando a idoneidade das razões dessa nova amizade.

Penso que o twitter nos ajudou muito com isso. Podemos observar alguém por semanas, ou meses em nossa time line, e analisar bastante antes de decidir se queremos incluir essa pessoa também na nossa time life. Graças a essa rede social eu me conectei em pouco tempo com várias pessoas que me identifico de formas diversas, e como adoro viajar, acabei também encontrando um prato cheio de motivos novos para conhecer outros lugares, pessoas e situações.
@Paulo_Flores @Martorelli @Carol_Carolinda @Kleberbarroso @ditopeloMaldito
Encontrar novos amigos também é uma ótima forma de se reinventar, de conhecer novos pontos de vistas, novas histórias de vida, outras experiências e de reutilizar aquelas velhas piadas que seus amigos antigos já não acham mais a menor graça!

@Jamesrib @ditopeloMaldito @Chervano @Blaffert

Nunca gostei da idéia de ter muitos amigos, mas me atrai ter amigos em muitos círculos de amizades diferentes, nunca se sabe quando se vai precisar do talento especial de alguns deles. Tenho amigos de infância, de bebedeira, de curtição, de músicas, de viagens, de conversas, de internet e claro os ‘amigos de sempre’, aqueles que podem ser acionados para qualquer tipo emergência.




Mais uma pequena observação,... Quando o único círculo de amigos que você possui são os das redes sociais da internet, não se iluda, por mais numerosos que eles sejam, você tem sim, sérios problemas de socialização!

P.S.: Sei que faltaram algumas fotos com outras pessoas igualmente importantes, mas prometo me retratar publicando-as no twitpic!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reencontrando velhos amigos

20 de dezembro de 2010
Assim que dobrei a esquina identifiquei facilmente a silhueta de uma figura conhecida parada ao lado do bar na esquina oposta. Parece que os anos passaram indiferentes para aquela figura, reviver essa cena que tanto fez parte da minha vida foi como se eu nunca tivesse passado aqueles longos anos longe daquela anestesiante cidade.
-Caraca! Não acredito!! Você tá vivo???
-Pois é,... sobrevivi a todos os atentados da vida até agora.
-Faz muito tempo que não te vejo! Tu tá morando aonde?
-Fora do alcance dessa merda toda.
-Porra! Esse tempo todo e você continua com essas respostas atravessadas.


Toda essa surpresa e questionamento eram justificáveis, tendo em vista que eu dei o fora daquele lugar ao estilo ‘abandono de serviço’, sem aviso prévio ou justificativa cabível.
-Mais me fale de você? Não mudou nada não é? Na mesma vidinha medíocre de sempre!
-Você fala isso de mim, mas olha pra você! Embora um pouco mais gordo, continua o ‘tirador’ de sempre!
Eu apenas sorri e tomei mais um gole da minha cerveja, deixando que ele continuasse.
-Eu não esqueço as vezes que eu estava em um grupo de mulheres tentando cantar alguma para levar pra casa, e você chegava com esse seu jeito e estragava tudo.
-Você deveria me agradecer, de forma incidental eu te salvei de um monte de dor de cabeça.
-Porra! Dor de cabeça eu tenho é agora com filho, ex-mulher e pensão pra pagar.
-Só separar é pior do que casar.
-É, eu sei! Mas agora eu já to com mais outra dor de cabeça,... to morando com uma coroa de 43 anos.
-Putz! O que aconteceu? Uma mãe apenas já não era o suficiente pra você?
-É quase isso! rsrsrs

Mais alguns goles de cerveja para analisar as informações trocadas. Não importa o quanto fujamos de nossos feitos passados, eles sempre encontram uma maneira de retornar feitos morto-vivos e esfregarem nossos podres em nossas caras.
Ele continuou.
-Sabe, até hoje eu lembro de você sempre que me deparo com alguma mulher esnobe, dessas sebosas com nariz empinado.
-Como assim?
-Quando alguma mulher me dá uma cortada escrota eu sempre falo: ‘É. Eu queria ver você bater assim de frente com um maldito amigo meu. Ele ia saber como acabar rapidinho com essa sua marra mimada.”
-Poxa,... fico feliz que eu tenha deixado um legado ‘positivo’ pra sua vida....

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

'Rodinha de Porrada' depois da aula!


15 de dezembro de 2010
É comum no reino animal os filhotes machos se engalfinharem com outros e até mesmo com seus próprios irmãos no intuito de desenvolver seus instintos de sobrevivência para aos poucos adquirirem pontos de experiência suficientes para se saírem ao menos razoável perante os perigos da vida na hora que a coisa estiver valendo de verdade. Conosco, animais esnobes por possuirem polegares, não poderia ser muito diferente. As atemporais ‘rodinhas de porrada’ na saída das escolas é um marco na vida de qualquer homem, seja como vencedor ou como o humilhante perdedor. 
Esse é o ritual de passagem para a vida adulta da nossa sociedade civilizada moderna.
 
Bons tempos em que problemas (dos mais pífios aos mais complexos possíveis) se resolviam apenas com gestos, um cruzado de direita, dois jab de esquerda, mais um direto de direita e lona!!! Assunto resolvido. Sem lero-lero, nem muito blá-blá-blá, no jogo limpo e com regras claras, mano a mano, na quadra, depois da aula, até apenas um ‘homem’ restar em pé, ou até os nossos pais chegarem para nos buscar. 
O que movia nosso punhos em direção a face de um companheiro de classe não era ódio, vingança ou a salvação de uma donzela em perigo, eram somente ensinamentos trocados em forma de socos e pontapés, sem técnica nem classe marcial, apenas jovens procurando se impor na competitiva cadeia alimentar do capitalismo selvagem,... e eu era bom nisso.
‘Faça o que ele quer fazer com você, mas faça primeiro’, esse é o princípio da coisa, não se iluda, seu oponente não perderá a oportunidade de te derrubar e te humilhar perante o ringue formado pela platéia de curiosos. Com um pouco de perspicácia e algumas aulas motivacionais com filmes do Rock o Lutador, após a terceira ou quarta derrota você já estará apto para sua primeira vitória, e depois que se prova desse sabor, um novo mundo se abre.
Os hematomas colecionados durante as lutas , são apenas cicatrizes de batalha que indicam a  mudança do nosso coro de uma pele macia de bebê para uma casca grossa capaz de resistir aos mais diversos tipos de impactos, afinal o segredo primordial desse tipo de peleja nunca foi o quanto se bate, e sim o quanto se agüenta encima das pernas.

A ‘rodinha de porrada’ nada tem a ver com o bullying, prática covarde tão comentada  atualmente, a porradaria não rolava por esse ou aquele indivíduo serem diferentes, na verdade é mais correto concluir que esse tipo de desavença aconteça mais pelo fato dos combatentes serem bem parecidos, o que cominava em disputas por territórios no recreio, por liderança de grupos e até mesmo por lugares na fila da cantina,... brigas por mulheres foram moda até uma certa época, mas com o tempo foram perdendo o sentido quando percebemos que elas não valiam tanto a pena assim.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Problemas com meu tênis (eu disse TÊNIS)

11 de dezembro de 2010
Toda vez que os meus ‘pisantes’ começam a demonstrar sinais claros de desgaste pelo excesso de trabalho forçado ao qual eu os submeto, se dá início a uma saga fatigante, que às vezes chega a se estender além das fronteiras da cidade atrás de um tênis que me agrade. O pior é que a cada ano que passa essa procura se torna cada vez mais complicada, quanto mais se aumenta o leque de opções de estilos, cores e modelos de tênis, mais difícil se torna encontrar um calçado que atenda as minhas necessidades, e principalmente o meu gosto, em meio as vitrines das melhores lojas do ramo.
Parece que os ‘designs de moda’ da moda, em uma busca incessante de extravagar toda a criatividade contemporânea deles em nossos pés, acabaram esquecendo a existência de pessoas anacrônicas e amantes da simplicidade dos clássicos, como eu. Tênis pra mim, deve possuir apenas duas cores básicas, preto e branco, talvez um pouco de cinza em alguns detalhes aqui, outros ali,...e basta! Mais que isso é firula demais pra minha cabeça, ou melhor, pros meus pés. Você pode até chamar esse meu complexo de ‘nostalgia de Kichute’ , mas se tivesse passado a sua adolescência durante os anos 90, onde se viveu uma onda de roubos a tênis na saída das escolas, entenderia bem o que estou querendo dizer.
Quando consigo encontrar um modelo de tênis dentro dos meus padrões, a minha vontade é de comprar dois ou três pares de uma vez e estocar, consciente que aqueles podem ser os remanescentes de uma raça extinta muito em breve.
.
Claro que eu entendo que se todo esse circo é armado, é porque tem gente disposta a vestir a roupa do palhaço. O mercado de ‘tênis coloridos’ é aquecido pelo público teen e bancado pelo dinheiro de seus pais, que são convencidos a gastarem quantias exorbitantes para deixarem seus filhos irem ao colégio vestidos na moda, para não sofrerem bullying, o que eu acho muito justo. Mas e nós? Quase trintões que não possuem mais idade para ter pés fosforescentes e nem querem usar (ainda) o sapato careta de seus pais, como ficamos?

Não sei se esses modelos atuais são alguma nova forma de expressão da molecada, mas o meu tênis simples bicolor quer dizer que o melhor de mim está dentro dele, que não importa para onde eles me levem ainda sou eu que indico o caminho. E uma pessoa que mantenha sua cabeça curvada o suficiente para reparar nos pés dos outros ao invés de encarar suas faces, não merece lá muita consideração.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Juca.Horror.Show (sem CRIME vem CRISE)

 09 de dezembro de 2010
Eu anunciei no início deste ano aqui no blog uma possível coluna com textos do companheiro Juca Inácio, mas parece que infelizmente para o Juca um ano de eleição não é uma boa temporada, e devido a esse período os federais tiveram que alocá-lo em algum outro lugar do mundo, totalmente incomunicável, até que as coisas se acalmassem.
Para entender o porque disso tudo e quem é o velho Juca Inácio, é melhor conferir o post que falo dele AQUI antes de continuar a ler.

Essa semana Juca me mandou um e-mail pedindo para que fosse publicado (com quase um ano de atraso) um dos seus textos. Bem,...seja o que Deus quiser.





sem CRIME vem CRISE
"Pague o Aluguel!!" - Seu Barriga

Depois de apoiar a ação da polícia nos complexos de favelas do Rio de Janeiro, os moradores da região não entregaram apenas o território e os criminosos de bandeja para o governo estadual, mas também as suas próprias vidas. Entre os becos locais o assunto não é outro se não a necessidade da permanência da polícia no local para garantir que os traficantes não retornem com seus corações carregados de espírito de vingança para aniquilar com os seus traidores.
Transfigurar o antigo laço mantido entre a população local e a organização criminosa para um esquema de repressão ditatorial sanguinolento foi o maior erro dos bandidos, eles deveriam saber que grandes impérios não são destruídos por forças externas, mas sim por fraquezas internas.
Mas essa separação litigiosa não se resume apenas nessa guerra de acusações rancorosas e brigas pela guarda das crianças no fim de semana,...essa novela está longe de acabar, durante um bom tempo os moradores ainda sentirão os efeitos do fim da sua simbiose com o tráfico e perceberão que dependiam dos criminosos, tanto quanto os criminosos dependiam deles.

Assim que o território ‘inimigo’ foi tomado pelas forças do estado eles começaram a implantar o seu sistema que até então não alcançava as ladeiras dos morros cariocas. Enquanto durante a lei dos criminosos não era permitido o acesso de alguns serviços públicos como companhias de água e luz, oficias de justiça, cobradores, etc, agora o caminho está livre para o governo entregar mais de mil ações judiciais, intimações e pedidos de pensão atrasados (Que oficial de justiça seria louco o suficiente para entregar uma dessas durante o domínio dos traficantes?), poderão verificar a fiação elétrica e desfazer os milhares de gatos de luz que abastecem uma grande porcentagem do local, alem de organizar e lotear as ruas e casas para poder estipular o valor do antes inexistente IPTU e futuramente quem sabe cunhar um novo imposto específico para as favelas, talvez uma taxa de pacificação.
Quando sentirem no bolso o preço cobrado pela ‘faxina’ nas comunidades carentes, é provável que logo os traidores se arrependam de terem entregado seus ‘salvadores’ a tropa romana e se enforquem,... em dívidas.
**Por Juca Inácio

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Honestidade sem vergonha

08 de dezembro de 2010
Essa minha mania de acordar cedo por mais que a noite tenha sido de extrema agitação para aproveitar melhor o dia nas viagens nos fez ser um dos primeiros a chegar ao salão do café da manhã da pousada, o que é uma vantagem incidental, a última coisa que eu queria ao acordar é ter que dar “Bom dias” por educação a esmo para os outros hóspedes, não acho que o fato de estarmos hospedado no mesmo estabelecimento nos torne íntimos o suficiente para trocarmos comprimentos matinais, além de eu não conseguir articular bem as palavras antes de tomar o primeiro cafezinho da manhã e as pessoas podem pensar que estão falando com o Mutley.
Após tomar meu café pra fumar voltamos ao quarto antes que as outras mesas fossem preenchidas e o salão da pousada fosse tomado por famílias com crianças. No trajeto para nosso aposento temporário, em uma das áreas coletivas da pousada, um amontoado de latas de cerveja demonstrava que mais alguém por ali se esbaldou na noite anterior, talvez mais do que devia, porque um celular Nextel fora abandonado em uma mureta indicando que o grupo saira sem muita direção após a bebedeira. Me orgulhei do meu trabalho de detetive e olhei ao redor para me certificar que nenhum outro transeunte tenha feito as mesmas associações, peguei o aparelho e dei uma boa inspecionada, coisa fina, top de linha, com teclado alfanumérico, e tantos recursos quanto uma cafeteira moderna. Tentei ligá-lo sem sucesso, a bateria estava esgotada, e antes mesmo que eu pudesse raciocinar sobre a minha próxima ação ela falou:
-Deixa isso aí que quando o dono acordar vai sair doido atrás desse celular, parece ser caro.
Virei minha cabeça lentamente até que meus olhos cruzassem com o olhar repreendedor da minha mulher. Eu poderia citar a desculpa clichê de que “Achado não é roubado e quem perdeu foi relaxado”... no caso bêbado, mas estava claro que não funcionaria, ela apresentaria um contra-argumento e logo em seguida eu faria o mesmo, e tudo isso levaria tempo suficiente para o dono acordar e sair na caça do seu aparelho. Então coloquei o celular de volta a mureta e apenas pestanejei.
-Tenho certeza que se fosse o meu celular, ninguém perdoaria assim esse meu descuido alcoólico!
Da janela do nosso quarto eu ainda podia manter o celular duplamente perdido sobe o meu campo de visão. Mentalmente eu contava um prazo para que o proprietário o resgata-se antes que esse meu surto imposto de bom cidadão escorre-se por água abaixo.
A porta do quarto ao lado da mureta se abriu e um jovem cambaleante saiu se apoiando nas paredes, ele lavou o rosto no tanque externo da pousada e antes que pudesse enxugá-lo uma voz feminina estridente se projetou do quarto chamando-o, provavelmente sua namorada que continuava preguiçosa na cama. Ele voltou para dentro ainda ressacado, andando como se estivesse todo borrado em sua bermuda da moda para atender o chamado da mulher. E pela terceira vez o celular se perdeu.
Continuei de campana na janela ainda lamentando a oportunidade perdida, mas não demorou muito para que uma loira vestida apenas com um short jeans e a parte de cima de um biquíni desviasse a minha atenção, e então desejei que ela também estivesse perdida, ou ressacada, para que eu pudesse achá-la. Ela se deteve por alguns instantes durante seu caminho e pensei que pudesse ter me encontrado na janela com o olhar perdido em seu corpo, mas foi o celular perdido que a deteve. Reproduzindo meu gesto, ela conferiu ao redor e sem nenhuma hesitação não deixou o celular se perder uma quarta vez, pegou o aparelho e o comportou entre seus peitos, depois acelerou os passos para longe dali .
Suspirei frustradamente , desmontei a tocaia, e me envergonhei da minha honestidade, que me fez perder para a loira oportunista.

Quando saímos do quarto para finalmente aproveitar o resto do dia topamos com o jovem “borrado” que vasculhava desesperadamente a área, ele remexia na pilha de latas de cerveja e até mesmo dentro dos lixos. Ele nos viu e questionou:
-Com licença, mas vocês viram um celular Nextel por aqui?!
Encarei minha companheira que claramente deixara a pergunta para ser respondida por mim, e retruquei:
-Não companheiro, mas seja lá o que tenha acontecido com ele, tenha certeza que é culpa da mulher.
-Da minha mulher?
-De todas elas...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mais leve que o ar....

07 de dezembro de 2010
Ainda escuto minha mãe falar "Meu filho, nunca tenha pena de gastar dinheiro pra comer e nem pra viajar!”, e pelo menos essa lição que recebi dela eu tenho seguido a risca. Enquanto eu via amigos gastarem seus suados dinheirinhos em suscetíveis finais de semanas nos mesmos enfadonhos bares e boates, noite após noite, topando com as mesmas pessoas boring e sujeitos as mesmas repetitivas músicas, eu preferia me segurar na grana por dois ou três finais de semana em casa , para depois desbravar lugares onde os ‘comuns’ não alcançariam.
Mapeei em minha cabeça dezenas de lugares que funcionavam como refúgios, onde eu ia para recarregar minhas energias e fazer um reboot dos meus caminhos. Parar a rotina, respirar, para recomeçar novamente na estrada com uma nova disposição.
Meu ‘esconderijo’ favorito fica no interior do Rio, no Parque Nacional de Itatiaia. Um conjunto de pequenas cidades de colonização finlandesa que começa em Penedo, passa por Maringá e termina em Maromba , um paraíso ecológico cercado por dezenas de cachoeiras que praticamente delimitam o território entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais! 
Não que eu esteja te dando alguma dica de onde deveria passar suas próximas férias ou feriadão, longe disso,..., até porque não quero ver meus locais favoritos sendo invadidos por pessoas fora de sintonia com o ambiente. Mas sei que existem pessoas que saíram da cidade que residem apenas duas ou três vezes na vida, e uma delas foi porque se perdeu. O que quero é tentar cativar aqui o gosto pela viagem, a ambição de saber que existe vida fora do curral do onde se mora, afinal... o lar do passarinho é o ar e não o ninho, e a experiência de conhecer outros ares é uma das poucas coisas que ninguém pode te tirar na vida.


Para conhecer um pouco mais de Maromba, acompanhe a série de contos "PÉ DE BARRO - Os Tombos de Maromba" postada aqui no blog em 2008 e que tem esse cantinho do paraíso como cenário, e assistam a chamada para os contos no youtube AQUI!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mausoléu de Memórias

01 de dezembro de 2010
Quando saímos do ninho (casa dos pais) levamos conosco apenas o que julgamos necessário para sobreviver na selva lá fora longe de nossos progenitores. Na lista de equipamentos constam suas roupas mais bacanas, seu colchão, seus livros ainda não lidos (para quem tem o maravilhoso hábito da leitura), seus CDs antigos (na era MP3, apenas para fins decorativos) , seu computador e tudo mais que estiver duplicado na casa,..
“Mãe!!! Posso ficar com a TV e o aparelho de DVD da sala já que a senhora já tem os do seu quarto??”.

Nessa pressa de galgar mais um degrau da vida, e principalmente de nos livrarmos dos grilhões paternos, acabamos deixando para trás, por puro descuido, pedaços valiosos de nós mesmos. Transformamos a casa dos nossos pais em um enorme depósito de memórias, com fotos, enfeites, anotações pessoais e caixas e mais caixas de lembranças que sussurram fragmentos da nossa história.
Quando se retorna ao lar para uma visita e se depara novamente com o seu velho e empoeirado quarto (caso seu irmão caçula não o tenha tomado de assalto) se recebe de volta, de uma vez só, toda aquela carga de momentos que ocorreram em etapas durante anos da nossa vida, transformando seu antigo refúgio de adolescente, em uma verdadeira máquina do tempo.
E eu estou fazendo uma dessas viagens nesse momento...
Cada item contido nesse ambiente é meticulosamente catalogado pela minha mente, basta que eu os toque para reviver momentos, cenas, locai, pessoas,... Até mesmo as marcas de sujeira impressas nas paredes me contam alguma situação, assim como as queimadas de cigarro na beirada da minha antiga escrivaninha que tanto incomodavam minha mãe.
“Porque você simplesmente não usa a porra do cinzeiro menino?!”.
Está tudo ali,...ou melhor, eu estou todo ali.

Claro que em alguns casos pouco se salva dessas preciosidades depois de deixarmos nossos cantinhos desguarnecidos serem invadidos pelos nossos irmãos que saqueiam tudo que julgam útil ou bacana e pelos nosso pais que definem todo o resto como entulho inútil e se aproveitam da nossa ausência para se livrarem de todas as ‘tralhas’.
“Não acredito que a senhora doou toda a minha coleção de quadrinhos para um orfanato?!”

Minha coroa teve o bom senso de preservar cada arquivo da minha memória, e olha que são muitos. Alem das pilhas de livros e revistas cuidadosamente adquiridos por anos (alguns de extrema raridade com o intuito de funcionar como investimentos em longo prazo) ela também preservou as dúzias de cadernos espirais que foram meus companheiros por anos, onde eu ensaiava alguns dos meus escritos e despejava o que antes eu definia como ‘angustia’ de viver e agora sei que são apenas ‘aprendizados’ da vida.
Garimpando esses ‘tesouros’ fui ainda mais longe nessa nostalgia, me redescobrindo em cada linha daquelas palavras mal escritas, puras e imaturas. Feito um diamante bruto sem nenhum sinal de lapidação pelas navalhadas da experiência. Coisas que hoje me envergonhariam profundamente se lidas em público.

Talvez se salve algum luxo meio a tanto lixo inexperiente, uma frase aqui, outra ali,... e talvez eu possa resgatar alguns textos. Quem sabe com um pouco de massa e muito reboco eu possa restaurar alguma das coisas que inevitavelmente perdi com a idade.
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