terça-feira, 12 de julho de 2011

DIA DE PAGAMENTO - Um conto da Mafia

Demorou cerca de três horas até que todos se reunissem na sala empoeirada nos fundos de uma antiga cooperativa de carne que já teve seus momentos de glória mas atualmente serve apenas como fachada para as atividades ilegais praticadas pelos seis homens que ali estavam.
Atrás de uma mesa de madeira nobre, com um ar de preocupado, estava Gregorio DiPaollo. Ele coçou uma parte calva de sua cabeça enquanto conferia alguns documentos postados na sua frente. Na mesa ao lado estava Donny Ranzatti, sempre o primeiro a chegar a essas ocasiões de pagamento. É ele que controla todas as finanças do grupo, paga os subornos e garante que a polícia esteja olhando para o outro lado quando  exercerem atividades que vão alem das descritsa em suas fichas de trabalhadores da cooperativa.
-Que porra é essa? Isso é tudo? De onde estou me parece que está faltando um envelope importante nessa pilha.
O irmão caçula de Gregorio respirou fundo antes de responder a ríspida pergunta. O montante de dinheiro que o boss dera falta era sua responsabilidade, uma boa quantia referente ao lucro da semana de um cassino clandestino mantido no subsolo do restaurante Cantina Antiga. Não era incomum que um ou outro pagamento atrasasse dois ou três dias. Por isso Augusto não entendeu a postura do irmão que naquele momento fazia questão de exercer apenas a função de chefe ao questioná-lo.
-Ainda não consegui entrar em contato com Manotinni. Eu estou tentando ligar pra ele a tarde toda mas o celular está desligado.
-E esse é todo esforço que estava ao seu alcance para pegar o meu dinheiro?
-Escuta Gregório, assim que acabarmos por aqui, eu darei um pulo na casa dele. Aquele safado deve estar com uma das putas do clube Doce Pecado. Deve ter desligado o telefone para não ser incomodado pela esposa.
-E você acha que eu devo esperar aquele idiota gozar pra poder receber o pagamento da nossa maior fonte de lucro e finalmente poder fechar o caixa da semana? Eu te confiei essa tarefa justamente porque você é meu irmão, mas se você é estúpido demais pra entender a importância desse trabalho, talvez seja melhor que volte a ser olheiro na mesa de Black Jack com o Filippo.

Augusto levantou com tanta rapidez que sua cadeira foi jogada para trás e só não caiu no chão porque foi aparada por Luciano que sentava ao lado.
-Tudo bem! Eu já entendi, não precisa dar sermão. Eu vou na casa do Chris, e só saio de lá com a merda do seu dinheiro.
-Vá! É bom mesmo,... E diz praquele pervertido que da próxima vez que ele desligar o celular, eu vou enfiar pessoalmente o aparelho no rabo dele. 
Augusto se apressa em abrir a porta e dar o fora da cooperativa antes que o irmão profira mais ofensas. Infelizmente não é rápido o suficiente.
-Ei ‘bambino’! Leve Frank e Luciano com você por garantia. Não quero que volte com mais uma desculpa.
Augusto espera até que a dupla se levante e cruze a saída e então os segue batendo a porta com força atrás de si.
O trio formou uma espécie de comboio em direção a casa de Chris Manotinni.
Na frente a caminhonete dirigida por Frank acompanhado por um desolado Augusto no banco do carona, e seguindo o carro do ex-boxeador, a minivan de cor sangue do excêntrico Luciano Stracci.
-Ei cara! Não fique assim por conta do que seu irmão falou. Você tem que entender que ser Capô é uma posição difícil. Mexe com os nervos de qualquer homem.
-Ele estava certo. Eu não deveria ter dado essa chance pro Manotinni, deveria ter ido atrás do idiota assim que não completou a primeira ligação que fiz.
-Não exija demais de si Augusto.
-Mas que diabos é você? Algum tipo de filósofo derrotado do boxe? Parece que as pancadas que tomou na cabeça durante os anos de ringue deixaram seu miolo mole, hãn!
Em outra ocasião Frank Mazzola até poderia tomar essa referencia a sua mal sucedida carreira de boxeador como uma ofensa, mas devido aos fatos procurou deixar passar as palavras do irmão caçula do boss e se limitou a concordar e continuar dirigindo.
-Tá certo, tá certo...

Atravessaram a cidade o mais rápido que puderam para aproveitar a luz do dia, mas o transito não ajudou e a noite já escurecia o céu quando os homens de Gregorio DiPaollo estacionaram nas proximidades da casa de Chris Manotinni.
Augusto saltou do veículo juntamente com Frank e com a mão fez um sinal para que Luciano esperasse na minivan caso uma cobertura fosse necessária.
Por instinto Frank contornou a casa seguindo em direção a luz que vazava da janela do escritório. Augusto se aproximou da porta da frente e não demorou a perceber que a fechadura fora forçada. Sacou a arma e usou o cano da 9 mm para abrir a porta aos poucos e espiar o interior.
De onde estava Augusto pode ver as pernas do que seria o corpo de uma mulher caído na entrada da cozinha sobre uma poça de sangue, provavelmente a esposa de Manotinni. Novamente a impaciência de seu irmão se justificava, talvez o experiente Capô tivesse sentido ao longe o cheiro de problemas nesse que seria o braço mais importante da família.
Agora cabia a Augusto impedir que aquele fedor se espalhasse.
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