segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Caso Grave de GREVE.

Camarada,...Que situação. 
Estava em casa procurando o que fazer e resolvi externar umas inquietações que me ojerizam agudamente. Nos últimos tempos têm ocorrido no país algumas greves, principalmente no setor público. Greve de dois meses dos profissionais de educação do estado do RJ, greve do magistério no CE, MG, SC, ES (ainda rolando), e agora as que finalmente “afetam” todo o conjunto da população, que são as greves dos Correios e dos Bancários (empregados dos Banqueiros).
De uma forma geral as greves no Brasil são tratadas de forma “crítica” pela população: “Olha aí, não querem trabalhar!”, “Bando de vagabundos”, “Tudo come e dorme” etc, etc, etc... Tratamento muitas vezes dado por pessoas que fatalmente tem alguma reclamação a fazer do tipo de atendimento e serviço disponibilizado pelo setor grevista. E corroborando para a formação desse consenso anti-grevista, contra os inúteis e deploráveis indivíduos que ousam contra a ordem e a “normalidade” está a “neutra” imprensa,... sempre ela, com suas reporcagens, mostrando alunos chorosos por não poderem freqüentar as aulas (Cá entre nós, ONDE JÁ SE VIU ALUNO PUTO POR PROFESSOR FALTAR??!!). 

Crianças uniformizadas saindo mais cedo da escola, reclamando que o professor de matemática está em greve a 6 meses...Ou ainda matérias mostrando idosos a espera de remédios para o tratamento de câncer, que os cruéis carteiros não entregaram, ou contas que não podem ser pagas, pois os bem-vestidos bancários “que só atendem até as 16hs” não querem trabalhar.

Assim, está formada a opinião quase unânime na sociedade. Clamam o fim das greves!!!! Até a maioria dos professores, bancários, carteiros são contra! São sensíveis aos apelos das massas (opinião pública). Até o meu amigo MalDito é contra, “Só eu tenho o direito divino de coçar saco todo o dia”, me disse do alto seu egocentrismo, subliminarmente.

Pobres tolos...os contrários as greves...
Não percebem o óbvio, mas consomem ferozmente a opinião pronta vendida pela TV e culpam o governo como se ele fosse coisa viva e tivesse vontade própria (voltarei sobre esse tema algum dia se tiver saco).
Não percebem, e também não vivem, o cotidiano MASSACRANTE dessas e outras categorias laborais. E deviam agradecer, pois essas categorias profissionais são as únicas que ainda não sucumbiram totalmente adiante do avanço gritante e escandaloso de aumento de trabalho e diminuição dos direitos e salários (sintomas evidentes da crise estrutural do capitalismo).

Os governantes buscam desde a década de 1970, de uma maneira geral, sucatear a educação,a saúde e o serviço público de uma forma geral. Isso a olhos vistos! Fodem os salários (na base do arrocho salarial), as condições de trabalho (com aumento da carga de trabalho) e principalmente o atendimento ao público (com números sempre reduzidos de funcionários). Criam e fabricam lentamente esse estado de calamidade nos serviços públicos com o objetivo final único: repassá-los a iniciativa privada. Transformando aquele antigo bem público em mercadoria, e cara!
Escola particular é o que? Plano de saúde é o que? Segurança privada é de graça mesmo?
Só que agora o buraco é um pouco mais em baixo. Estamos mudando de patamar. Não basta sucatear, privatizar. O que está ocorrendo no serviço público de uma forma geral agora é a culpabilização do servidor público (e não do Estado) pelo péssimo serviço oferecido. Através de sistemas de metas congelam os salários, e estipulam abonos caso as metas irrealizáveis sejam atingidas. 
Como essas metas não serão atingidas, esses bandidos (ou políticos para a maioria) se eximem de qualquer culpa, responsabilizando agora o servidor (para vocês vagabundo, coça-saco...).

Não vou me alongar mais, pois o espaço é escasso e precisamos manter os anunciantes e leitores ativos, mas quando verem um aluno sem aulas de matemática é por que o matemático tem salário melhor na iniciativa privada, e não é louco de entrar numa sala de aula com 60 alunos que não querem saber de matemática e receber (como no RJ) um salário de 700 contos por mês e lançar notas em diários, planilhas e na Internet por que não têm funcionário na secretaria da escola. 
Quando verem um bancário em greve antes de xingá-lo lembre que ele trabalha 8hs por dia não só atendendo mal os clientes, mas te ligando oferecendo cartões e empréstimos (e que ele tem metas de vendas por mês!) e contando dinheiro do lucro do banqueiro (lhe causando LER Lesão de Esforço Repetitivo). Quando ver um carteiro em greve, lembre que o trabalho dele é cada vez mais intenso e totalmente desproporcional ao seu salário.

E o principal deixei especialmente pro final: os resultados das greves dependem não só da adesão da categoria em greve, mas principalmente da opinião pública. Pois é dela que dependem grevistas e governos nas horas de negociações, por isso a imprensa CRIMINALIZA as greves.
Portanto lembrem: quando forem contra greves estão sendo a favor da privatização dos correios (e o consequente encarecimento brutal das tarifas e a deteriorização ainda maior do serviço), ao aumento das tarifas bancárias e o aumento da impessoalidade dos bancos, a favor da aumento continuo do analfabetismo e sua consequente alienação que serve para sermos contra greves e para votarmos nos mesmos Sarneys de sempre.
Por isso sou sempre a favor da GREVE GERAL! GREVE GERAL! GREVE GERAL! GREVE GERAL! GREVE GERAL! GREVE GERAL!
dito pelo Juca Inácio
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Comentários
4 Comentários

4 comentários :

  1. Não sei porquê as pessoas odeiam tanto a privatização.
    Eu sou a favor da privatização dos Correios, como também sou a favor que se abra o mercado e tenha concorrência.
    Se não tivesse privatizado a telefonia em São Paulo uma linha hoje custaria 10 mil reais e demoraria 1 ano para ser instalada.

    No caso dos bancários.. escolheram esse emprego porque quiseram, não está gostando mude de mercado.

    Se bem que essas greves não jogadas do sindicato e não de quem trabalha mesmo..

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  2. Concordo com a conclamação: GREVE GERAL. Essas manifestações em feriado não estão com nada. Tem que parar tudo. Como eu digo, faço greve para NÃO PERDER poder de compra. Este índice de inflação é simplesmente falso. Preço do leite, aluguel, tudo subiu mais do que seis virgula alguma coisa por cento. GREVE GERAL!

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  3. De fato, é só com a mobilização geral que algo talvez mude.
    Como dito, na hora de se fazer algo que gere impacto real, a sociedade é contra, é covarde, por isso tudo sempre permanece da mesma forma, e piorando muitas vezes.
    Vamos nos mobilizar sim, todo o trabalhador tem direito de greve. Greve é o que ainda nos resta para chamar atenção da população.

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