sábado, 31 de dezembro de 2011

MaudioPOST #17 - 'Maldita Retrospectiva 2011'

Antes que o ano ( e talvez o mundo ) se 'descabasse' de vez, corre que ainda dá tempo de você ouvir esse MaudioPost onde finalmente eu consegui me reunir com os outros colunistas desse blog, @adaildoneto e @negodobroz, alem de abrilhantar esse podcast com a presença feminina da @deniseLS para amaldiçoarmos alguns dos acontecimentos que marcaram esse ano que acabou de acabar.

Instruções de uso:
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-Vencedora da Promoção do livro FOME de Tibor MoriczSamila Lages
Próxima promoção O Chamado Selvagem (veja resenha)

Posts mais acessados do ano:

'E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você se questione a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você lamente essa inimizade.'
Sérgio Jockymann

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dito pelo meu maldito tio

Sempre confirmo que os implantes biônicos são um plausível futuro para humanidade quando vejo as pessoas depositarem mais confiança em um bom eletricista do que em um bom médico. Tudo bem deixar seu carro em uma oficina e voltar pra pegar só na semana que vem, mas no caso de um parente internado são dias de vigília ao lado da cama de um hospital.
Foi assim com meu tio que ganha a vida como eletricista de automóveis e por ironia do destino foi atropelado por um carro bem em frente ao seu trabalho. No hospital foi diagnosticado que ele teve a bacia deslocada, uma perna quebrada e outras avarias menos importante para esse relato.

-É aí tio? Como tem sido a recuperação?!
-Agora até que tá tranquilo, mas os momentos antes da cirurgia foram tensos.
-Porque? Foi complicado?
-A parte mais difícil foi ficar ‘ligado’ para os médicos não fazerem alguma cagada na minha perna.
-Aconteceu alguma coisa do tipo?
-Porra, toda hora que entrava um médico na sala, ele perguntava qual era a perna que seria operada. Toda hora eu tinha que avisar que era a esquerda: "É a esquerda porra, já falei umas dez vezes que é a esquerda".
-Mas depois da anestesia o senhor relaxou?
-Claro que não. Fiquei tão preocupado daqueles ‘putos’ colocarem os pinos na perna errada que dispensei a anestesia geral e fiquei com a local. Uma merda.
-E essa muleta? Tem previsão de quando vai largar?
-Ainda não. A sua mãe conseguiu pra eu fazer fisioterapia com uma gorda que me estica como se eu fosse massa de pizza. Ela tá achando que eu sou bobo, outro dia eu tava na sala de espera da clínica e ouvi uma conversa na surdina entre a gorda e sua mãe. To só esperando,... A sua mãe ainda não teve coragem de me contar.
-Sério? É grave?
-Eu ouvi a gorda dizer pra sua mãe, que apesar do tratamento, tá arriscado eu perder todo o movimento do lado esquerdo...
-Caraca tio, sério? Que dureza,...
-Eu não pensei duas vezes, logo que ouvi isso eu puxei o meu ‘pau’ para o lado direito da cueca.
-...
-Hehehehe.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Onde procurar os segredos de um parlamentar

A campana já durava uma semana, tempo mais que suficiente para que ela catalogasse toda a rotina do corpulento Deputado Estadual Luiz Pedro Caldeira da base governista. Agora por exemplo, bastava que ela esperasse sentada em seu escort XR3 branco conversível por mais alguns minutos até que o político terminasse seu almoço no restaurante italiano habitué, e logo ela teria as condições perfeitas para executar seu plano.

O nobre Deputado não dispensa em ter sua digestão em um luxuoso prédio da área nobre da cidade. Ela espera que essa seja a perdição de seu alvo. O que ele faz lá dentro é um mistério, mas também irrelevante para os interesses de Suzy Ventura que acabou de ligar o carro fora de linha para seguir o moderno sedan de Luiz Pedro que parte por uma transversal em direção à seus segredos.  A mulher de pele morena e pesados cabelos negros maneja o volante com maestria seguindo o rastro do Deputado, três curvas à esquerda e mais duas à direita e os veículos adentram por uma rua vazia beirada por um morro pedregoso de um lado e o muro sinuoso de uma antiga indústria do outro, situação prevista pela perseguidora que se prepara para agir conforme tantas vezes ensaiou mentalmente. Era a hora e local exato para a abordagem. Praguejou pelo que estava prestes a fazer com a lataria do Escort. Odiava a idéia, mas estudou os passos do deputado por tempo suficiente para saber que esse era o único momento e a única maneira de chegar perto do inacessível político. Simulando uma falta de prática ao volante que certamente não condizia com Suzy, ela guinou o carro em uma infeliz ultrapassagem que culminou em uma abrupta batida lateral entre os veículos. Luiz Pedro freou o sedam imediatamente enquanto Suzy seguiu com o Escort por mais alguns metros enfeitando o acontecimento com derrapagens de pneus e parando com o carro atravessado logo à frente, bloqueando a rua.
O deputado sai do sedan batendo a porta, visivelmente irritado. Primeiro olhou para o estrago da batida, coisa pouca, mas ainda assim estava motivado em fazer valer sua posição política para pressionar o culpado a pagar por todo o prejuízo, por menor que fosse. Todo o ar que Luiz Pedro arrecadou nos pulmões para esbravejar ficou inútil depois que ele viu a condutora do outro veículo sair do carro com a bolsa na mão e uma postura grandiosa de quem era a dona da rua. Luiz Pedro soltou o ar na forma de um enorme suspiro.
-Tudo bem com você mocinha?! Foi apenas um susto. Pode deixar que eu arco com as despesas, inclusive as suas se me permite.
O gracejo foi sumariamente ignorado por Suzy que sacou da bolsa uma pequena pistola negra e executou o político com dois tiros certeiros no peito. Luiz Pedro caiu feito uma pedra sobre o asfalto recém recapeado graças aos esforços da oposição do governo.

Uma olhada rápida ao redor e certificou-se de que não havia feito testemunhas. Guardou a arma e iniciou imediatamente sua busca, não sabia por quanto tempo aquele trecho permaneceria deserto.  Começou pela pasta que Luiz Pedro trazia no banco traseiro do sedam, passou pelo porta-luvas, porta-malas e demais compartimentos do automóvel e nada. Correu no corpo estirado de deputado e vasculhou seus inúmeros bolsos, celular, carteira, cartões de crédito, chaves de casa e mais nada. Pensou em como é terrível quando se procura algo que não se sabe exatamente o que é.
O tempo urgia, se o pagamento não fosse tão bom ela já tinha desistido desse serviço estúpido. Tentou se acalmar e relembrar da conversa com o contratante na procura de alguma pista que indicasse o que exatamente ela deveria encontrar.

“-Tá querendo me sacanear? Como eu vou roubar uma coisa que eu não sei o que é e nem onde está?
-É por conta dessas dificuldades extras que você está recebendo o triplo do que de costume.
-A grana não vai valer de nada se eu não conseguir executar o serviço por falta de informação.
-O que eu sei é que vale muito, e olha que eu nem estou falando de dinheiro. Com certeza ele deve guardar em algum lugar bem seguro e longe de suspeitas, e como precisa carregar pra lá e pra cá, cofres estão descartados.
-O miserável deve levar sempre consigo, em algum lugar sem muito destaque. Como ninguém sabe que existe esse objeto, de certo ele deve estar tranqüilo achando que ninguém está procurando por isso.
-Vejo que já está se aprofundando no serviço. Não esquece, é importante que continuem achando que o objeto não existe...
-E pra isso acontecer, o Deputado não pode ficar vivo para dar queixa do roubo.
-Exatamente.”
 ***
Suzy fita o corpo por alguns instantes e resolve apostar em um palpite.
Ela desafivela o cinto e desabotoa a calça de sua vítima. Com um pouco de dificuldade e uma expressão de nojo ela arrasta a veste do homem na altura do joelho, respira fundo e começa uma minuciosa revista na roupa íntima do defunto tentando sufocar a cena inusitada mentalizando a gorda quantia de dinheiro oferecida por esse trabalho que ficava cada vez mais complicado.
-Vamos lá Deputado, onde mais você guardaria essa preciosidade se não com os bagos que o senhor nunca honrou?... hupft...Arghhh, achei! Achei! Pelo menos eu acho que sim.
De um bolso secreto, mal costurado na cueca pelo próprio Deputado, a assassina saca uma pequena caixa dourada de fino trato. Com um movimento do polegar ela destrava o fecho e a tampa abre revelando um pen drive no formato de uma chave.
-Mas que porra é essa!?
Ao longe o barulho de um motor anuncia que um novo veículo começa a trafegar pela rua a tornando menos deserta. Suzy guarda sua descoberta entre os seios e corre para o Escort branco implicando em uma fuga alucinante. Pelo retrovisor do conversível ela ainda pode ver quando um jovem casal alheio ao caso se desespera ao topar com a cena do crime que ela acabara de abandonar.
Mantendo uma mão no volante, com a outra ela sente a pequena caixa entre os peitos, satisfeita pela missão cumprida, mas ainda incomoda por ter se arriscado tanto por algo que não se sabe bem o que é.
O celular alerta sobre uma chamada do contratante. Ela imagina que o canalha já deve ter ouvido sobre a morte do deputado pela freqüência da policia e está louco para colocar as mãos sobre essa preciosidade.
‘O que eu sei é que vale muito, e olha que eu nem estou falando de dinheiro’
Ela desliga o celular sem dar chance para a ligação. Pega um retorno na estrada e muda de direção decidida em descobrir o que se pode encontrar dentro da cueca de um parlamentar.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Especial paramilitar de Natal com o Maioral!!!

Quando o plano é matar o bom velhinho e acabar de vez com o Natal, ninguém melhor para executar esse trabalho sujo do que o mercenário Lobo, o personagem mais agressivo do Universo DC. 
Nesse especial, baseado em uma HQ do personagem, o maioral aceita a árdua tarefa de riscar o feriado de Natal do calendário invadindo o Polo Norte e tingindo a alva paisagem local de vermelho sangue.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vilões reunidos por um natal do mal

Os vilões mais temidos da história do cinema se reuniram, mas dessa vez não foi para dominar o mundo, promover chacina em massa e nem maltratar pobres animais indefesos. Trata-se de um comercial de natal, onde finalmente os caras maus conseguiram um bico como garotos propaganda de uma marca famosa.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O homem que mentia para as mulheres

Ele é um bom rapaz, eu juro. O conheço desde o primário e já nesta época ele apresentava este comportamento tão singular. Não posso escrever que nunca menti para uma mulher e sei que pouquíssimas pessoas no mundo têm direito de fazer tal afirmação, talvez umas cinco. Mas esse meu amigo, Giovani, têm o direito e dever de fazer a afirmação inversa: Ele nunca falou a verdade para mulher alguma.
Gio –como era chamado pelos amigos- era muito bom no que fazia, mentia de coração, mentia com a alma. Era incrível, todas as mulheres acreditavam nele. Ora eu o admirava com a mais pura inveja, ora eu sentia nojo das suas mentiras fantasiosas, mas ele era um grande amigo e tenho que admitir que vez ou outra eu acabara o ajudando fazendo algum papel de menor importância dentro de suas encenações. Lembro de uma vez em que ele se passou pelo filho do embaixador dos Estados Unidos e eu fui seu tradutor. 

Ele começou mentindo pra sua mãe: Lavei atrás da orelha, não fui eu que comi o chocolate, ele que começou, já fiz o dever… Depois começou a mentir para as professoras e por fim, para as namoradinhas. Lá pelos quinze anos de idade, desistiu de ter namoradinhas e passou a ser um puro pegador, sempre que podia uma diferente.
E a vida de Giovani foi desse jeito até que em uma festa, avistou uma garota baixinha, magrela e toda recatada, encostada na parede. Ele, como de costume, se pôs em direção a sua presa, mas dessa vez algo totalmente inesperado aconteceu, ele travou. Ficou em pé de frente a garota, enquanto sua língua dava voltas e voltas sem formar fonema algum. O suor surgiu em sua testa e suas pernas tremeram. Envergonhado ele deu meia volta, sentou-se sozinho no sofá e ficou lá o resto da noite. 
Tentamos animá-lo, mas sem sucesso. Ele só voltou a sorrir e a falar lá no final da festa, quando a tal garotinha veio falar com ele. Uma conversa surreal que ocorreu mais ou menos assim:
- O que foi aquilo? – ela perguntou.
- Eu não sei. Sou muito tímido e de vez em quando essas coisas acontecem comigo. – mentira absurda! Primeiro ele nunca foi tímido e ninguém nunca o viu ficar sem voz antes.
- E agora, que a sua voz voltou, pretende me dizer algo?
- Sim. Eu queria dizer que você é a garota mais linda que eu já vi em toda minha vida. – isso é um absurdo. Ela até que era engraçadinha, mas ele havia tocado mulheres bem mais formosas.
- Garotas como eu, não ouvem isso com muita freqüência. Qual o seu nome? – Perguntou a garota entre sorrisos.
- Giovanni, com dois ‘n’. E o teu? – claro que o nome dele só tem um 'n', não to escrevendo errado não.
- Ivana. Muito prazer em conhecê-lo Sr. Giovanni com dois 'n'. Que horas são?
- O prazer é todo meu, Ivana. E são exatamente 03:27. – mais uma mentira, eram 3:28.
- Olha eu tenho que ir. Pego amanhã as dez no trabalho, nem sei o que ainda estou fazendo por aqui.
- Certo… posso pegar seu telefone, meu amor? – ele arriscou, arrancando dela mais um sorriso e o numero do telefone em um pedacinho de papel.
Logo na manhã seguinte ele ligou e eles se encontraram algumas vezes, cineminha, parquinho, sorvetinho, mãos dadas, enfim, a porra toda. Ele dizia “meu amor” daqui, ela mandava um benzinho de cá. Gio ficou encantando. Acho que nunca teve esse tipo de relação antes.  As coisas foram andando e não tardou até que Gio apresentasse Ivana à sua família. Ela retribuiu e o levou para jantar em sua casa. Era coisa séria. Oficial. Ninguém conseguia acreditar naquilo. Especialmente eu. Nada demais, Gio sempre teve esse poder com as mulheres, mas com ela, ele era meloso em demasia, isso era inédito. 
Pensamos ser piada, joguete, alguma malandragem pra conseguir alguma coisa. Ele era um canalha, sabíamos disso, sempre soubemos. Era só uma questão de tempo para ele se revelar. Fizemos um bolão: Quanto tempo aquela melação iria demorar?
O tempo foi passando. Um mês, dois, três… até que todos nós paramos de contar, não tínhamos mais como faturar aquele bolão. Tivemos que beber o dinheiro para afogar a dor de ter perdido um amigo para o time dos casados. Giovani, o namorador sério. Foi duro se acostumar. 
Quando havíamos perdido quase toda a esperança, Gio abre a porta do boteco pedindo nossa ajuda, estava nervoso e mal conseguia falar. Demos cerveja ao moleque e depois de alguns instantes ele desembuchou:
- Ela disse que me ama. Ela abriu a boca para dizer que me ama.
- E o que você fez, Gio? – perguntei ao perceber a aflição que tomava conta de seu rosto.
- Fiz nada, velho. Fiz nada!
- Porque, meu velho?
- Eu não sei falar a verdade! – falou enquanto seus olhos se enchiam de lagrimas.
- Calma, Gio. Calma… Mas, me responda uma coisa, você não a chamava de “meu amor” uns tempos desse?
- Chamava, chamava. Mas isso foi bem no começo, quando eu não me importava com ela. Eu dizia que a amava, que queria casar com ela, ter filhos… A coisa toda. Hoje eu não consigo falar essas coisas por que simplesmente eu a amo, quero casar, morar numa casa com jardim, três filhos. Tudo que você imaginar.
- É… nunca pensei que iria te ver falar algo desse tipo.
- Nem eu.  Nem eu… Mas o que eu faço? Você é meu melhor amigo, você tem que me ajudar.
- Eu não sei, cara. Se você não consegue falar, é melhor ficar calado. Pelo menos vai ganhar algum tempo pra pensar.

Ele obedeceu. Claro que não era a solução definitiva, mas ele conseguiu comprar algum tempo quando aliou o tal silencio a outras mentirinhas. Inventou uma ex, problemas no trabalho, tia doente e mil e tantas coisas que lhe bateram na telha. A paciência de Ivana foi se esgotando, ao passo que sentia falta de provas da correspondência de seu amor. Gio se viu obrigado a contar seu terrível segredo, diria a ela que tudo que saia de sua boca eram mentiras descaradas. Claro que não conseguiu. 
Um mentiroso falar que está mentindo, é um paradoxo foda. Mais uma vez Gio inventou uma mentirinha. 
Ivana frustrada com a aparente falta de amor de seu amado, Gio deprimido e frustrado com a sua maldição. A situação ficou insuportável. Apesar do amor que ainda existia, Ivana decidiu que era melhor a separação. Gio teve suas forças consumidas pela dor que sentia em ver sua amada sofrer e não poder discordar de sua decisão. Ela partiu.
Meses se passaram, Gio voltou a sair conosco, continuou a mentir para as mulheres e de vez em quando ainda solta aquele sorriso moleque que conhecemos desde criança. Mas sabemos que ele nunca mais foi o mesmo e até hoje ainda pensa naquela garota baixinha, magrela e acanhada. A maior prova disso é que ele secretamente frequenta um terapeuta –só eu sei do fato- e fundou um grupo: os Mentirosos anônimos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dicas para Sobreviver a um Ataque Zumbi

Se conseguiu assimilar todas as dicas citadas acima, veja agora se Você está preparado para um futuro apocalíptico...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Trancado por dentro

Faz tempo que eu temo pela extinção de publicações do tipo livro-jogo. Tá certo que o modelo nunca foi lá muito popular no Brasil (como qualquer coisa que exija um mínimo de alfabetização), mas ainda assim, sempre possuíram suas prateleiras (por menor que fossem) em algum canto empoeirado das livrarias. Talvez, pela complexidade de sua criação, nos últimos dez anos pouquíssimos lançamentos foram feitos no estilo.

É por isso que eu peço a atenção dos senhores para o claustrofóbico projeto ‘Trancado por Dentro’ de Rogério de Mello Godoy, um livro-jogo que ignora a sorte dos dados tradicionais e usa um esquema de pontos finitos que explora o bom senso do leitor/jogador ao se aventurar na pele de Douglas Amaral , um bioquímico do setor de testes da Opitdrogas.
A história começa com uma clássica situação de “personagem inocente que se envolve com uma grande conspiração”, mas quando o leitor começa a montar suas especulações sobre o que pode acontecer, a história muda quase que completamente, deixando o leitor confuso e desafiado a descobrir o que está acontecendo. O formato de livro-jogo é o que aumenta esses sentimentos no leitor, porque ele percebe que se ele não pegar todas as pistas, não conseguirá chegar ao final da história.
É um livro para ser lido e relido como qualquer livro-jogo; é quase impossível desvendar a história na primeira vez que ele é lido. Tomar diferentes decisões, presenciar outros fatos, coletar novas pistas e descobrir novas características de pistas antigas são as possibilidades que a releitura do livro proporciona.

Para saber quando, como e onde os questionamentos de Trancado por Dentro podem te levar, basta clicar no banner abaixo. Se você comprar um exemplar, siga para o trecho 753, caso contrário, o post acabou pra você.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Preconceito sempre rola, vai acontecer contigo também!

Dona Ana é uma cidadã idônea, e a prova disso é que até freqüenta igreja. Esposa fiel e dona de casa exemplar que só se abala com a possibilidade de seu filho Rodrigo ‘acidentalmente’ se envolver com uma mulher de cor. Coisa que não tem chance de acontecer já que o jovem, ainda na adolescência, já se assume gay perante os amigos mais íntimos. Boato esse que se espalhou na escola onde estuda gerando a imediata repulsa do professor Carlos que começou a tratar o aluno diferente (de mal a pior) depois que soube de sua opção sexual. Mas nem por isso ele se sente homofóbico.
Por estar bem acima do peso, o mesmo Carlos sofre com as piadas de gordo feitas na sala de professores pela sua colega de profissão Professora Valdete, que por conta de seu alcoolismo crônico, está com seu emprego ameaçado e sendo observada de perto pelo diretor do colégio, o Seu Augusto, que se orgulha de nunca ter colocado uma gota de álcool na boca, mas possui um caso extraconjugal recentemente descoberto pelo seu enteado Anderson.
Anderson odeia o seu padastro a quem atribui à alcunha de ‘porco traidor’, mas ignora que no apartamento ao lado um ódio ainda maior é nutrido pelo seu vizinho Roberto, um policial aposentado que se enfurece toda vez que sua casa é tomada pelo cheiro da maconha fumada pelo jovem que mora ao lado. A aposentadoria de Roberto aconteceu por invalidez, já que o consumo de três maços de cigarros diários lhe presenteou com um câncer descoberto já em fase terminal. Por isso ele constantemente carece do auxílio e da ajuda de sua empregada doméstica Silvia, que no fundo acha mesmo que o velho deveria morrer o quanto antes, como todos os fumantes estúpidos de boca de cinzeiro.
Mal sabe Silvia que acabou neste trabalho de merda por que, apesar de possuir um bom currículo, foi rejeitada nas três entrevistas anteriores de emprego por conta de suas tatuagens. Uma coisa inadmissível para o  gerente de loja Marcelo, que acha isso coisa de vagabunda. No fim do expediente o gerente fecha o caixa e relaxa com uma boa cafungada de cocaína de ótima qualidade fornecida por um contato que atende pelo nome de ‘Nózinho’.
Nózinho é um homem beirando seus cinqüenta anos acima de qualquer suspeita que conduz seus negócios ilícitos e paralelamente sustenta uma vida de classe média alta de pai de família comum onde é conhecido como Fernando, esposo da racista Dona Ana que vive tentando levar o marido para assistir um culto em sua igreja. Coisa que ele odeia, já que ainda moço ‘fechou o corpo’ em um terreiro de Candomblé e acha que a esposa, ao invés de perder tempo com essas baboseiras, deveria dar mais atenção para o filho que anda tendo atitudes das mais suspeitas.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Darth Vader vs. Adolf Hitler (2° round)

Os caras do Epic Rap Battles já começaram bem a 2° temporada de seus vídeos produzindo uma revanche de rimas entre os vilões mais cruéis da história da humanidade, Darth Vader e Adolf Hitler.
Quem perdeu o duelo anterior, vale a pena CLICAR AQUI e relembra como o Lord Sith congelou o rabo nazista do Hitler em carbonita no primeiro round.



Veja também a batalha entre Capitão Kirk e Cristovão Colombo

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cada um com seus problemas

Vamos observar o jovem Willian que no momento está passando por alguns problemas pessoais. Problemas esses que ele prefere não compartilhar conosco. Ok, vamos tentar entender e respeitar sua decisão.
Para espairecer um pouco, Willian opta por não pensar em suas preocupações, e para que isso aconteça, resolve distrair sua mente com alguma atividade recreativa. A internet foi à escolhida.
Basta alguns cliques do mouse e Willian abre o seu programa de bate-papo favorito onde começa a procurar em sua lista de contato por alguém que possa lhe prestar o serviço gratuito de uma descontraída conversa fiada sem compromisso.
Antes que pudesse escolher alguns dos presentes na lista, Willian foi escolhido. 
O programa abre uma janela de conversa onde Renata diz:
-Ola! Tudo bem?
-Opa! Não tá muito bem não, mas sobreviverei.
-O que foi? Aconteceu alguma coisa?
-Eu to com uns problemas pessoais aí, mas prefiro não falar sobre isso! Como vão as coisas no trabalho novo?
-Ah, estão ótimas,...Que tipo de problema são esses?
-Coisas minhas. Deixa pra lá.
-Talvez eu possa ajudar!
-Pessoais, Renata. Os problemas são pessoais. Mudemos de assunto.
-Às vezes é bom conversar sobre nossos problemas.
-Renata, não há nada que você possa fazer a respeito. Eu agradeço sua oferta de ajuda, mas eu realmente prefiro não falar sobre isso.
-Eu só to querendo ajudar...
-Eu sei, e agradeço por isso. Mas sério, eu to legal. Não preciso de ajuda.
-Não precisa ser ignorante, só to querendo ajudar.
-Não to sendo. Só to tentando mudar de assunto.
-Ah é, agora que você foi grosso comigo, tá querendo mudar de assunto. Quer saber de uma coisa Willian, você tem algum tipo de problema. Tem que aprender a lidar com as pessoas...
Willian está offline,... Pelo menos para Renata.
...
Nosso protagonista respira fundo, se refaz, e acreditando na força da neurose feminina, resolve dar mais uma chance ao programa de bate-papo. Dessa vez escolhendo bem a pessoa do outro lado da tela do computador. Alguns movimentos com o cursor do mouse e dois cliques no nome do amigo Matheus e logo uma janela abre onde Willian diz:
-E aí vacilão! Tudo tranqüilo?
-Fala seu Mané! Como estão as coisas?
-Uma merda, to cheio de problemas na cabeça.
-Pode crer,... Essas coisas são foda mesmo! Já viu o game novo que saiu pra PS3?
-Só isso?
-Como assim ‘só isso’?
-Você não vai perguntar qual é o meu problema?
-Cara, se você não falou sobre o seu problema, é porque provavelmente eu não posso ajudá-lo com ele. Então não me interessa saber qual é.
-Puta que me pariu! Não acredito que você entendeu a mecânica da coisa assim, tão fácil. Acabei de passar os últimos vinte minutos tentando explicar a mesma coisa para uma garota que insistiu tanto pra eu contar o meu problema que eu a deixei falando sozinha.
-Só se fala esse tipo de coisa com uma mulher quando se tem certeza que ela é à solução do problema. Do contrario só se consegue mais problemas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Metallica libera 2 faixas inéditas, extras de 'Death Magnetic'

Parece que com o passar dos anos, o Metallica está amolecendo sua ríspida postura perante a internet, tanto que os caras resolveram ser complacentes com os fãs e liberaram duas faixas inéditas que acabaram não entrando no último álbum 'Death Magnetic'.
Ouçam as poderosas 'Hate Train' e 'Just a Bullet Away' que provavelmente estarão no futuro projeto 'Beyond Magnetic', ainda sem data marcada para o lançamento.
METALLICA - Just A Bullet Away
Hate Train - Metallica

Veja também como o Metallica prejudicou as finanças da Igreja Universal

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Subindo alto no mundo da auto-ajuda.

Fico muito puto quando entro em uma livraria e vejo uma sessão enorme destinada à livros de auto-ajuda. Bando de ladrões. Um dos jeitos mais fáceis e desonestos de se ganhar dinheiro, é só sentar o rabo numa cadeira e começar a digitar um monte de baboseiras. Qualquer um que saiba escrever é capaz de fazer isso, qualquer um. Se eu fosse um pouco mais cara de pau faria o mesmo. Pensando bem… não o mesmo, sou um cara que gosta de inovar, escreveria algo mais pessoal, algo com valor, algo realmente novo e não um recorte de livros anteriores.

Começaria o meu livro falando da minha infância, do jeito que eu conseguia realizar tarefas complicadas… eu era bom nisso, sempre tinha alguma artifício que me mantinha na linha e não me deixava desistir. Um bom exemplo é o que eu fazia pra chegar à escola que ficava no topo de um morro. Escola professora Zulmira de Paula Almeida era o seu nome, a escola do topo do mundo, maldita escola. Todos os dias eu saia de casa todo arrumadinho, farda branquinha, bolsa dos Power Rangers nas costas e o guarda-chuva na mão direita, fizesse chuva ou sol o guarda-chuva estava lá por imposição de minha mãe. 
No começo o guarda-chuva era um peso morto, só servia pra me deixar mais puto, mas com o tempo percebi que ele poderia ser uma ferramenta muito útil em minha jornada. O guarda-chuva seria o meu cajado e o morro da escola o meu Everest. Cada passo no barro escorregadio era mais perigoso que qualquer gelo de qualquer montanha, mas eu não desistia, ia em frente. Cara de mau, corpo suado, cajado, perna direita, perna esquerda, cajado… e a cara de mau sempre lá. As pessoas me olhavam admiradas, acho que pensavam algo como “Que garoto determinado” quando eu passava.
Certo dia, quando já tinha passado do acampamento base, uma chuva começou. Não vi chuva, vi uma pesada nevasca vinda do norte, levantei a minha camisa só deixando espaço para os olhos e continuei a escalada com o meu cajado. O barro/neve estava mais escorregadio que nunca, o vento estava forte, frio, impetuoso. Mas eu não desisto… Nunca! Perna direita, perna esquerda, cajado forte no solo, perna direita, esquerda, cajado. Acho que a montanha dobrou de tamanho naquela manha, mas eu fui até o fim- com passos curtos é verdade, mas até o fim. Naquele dia cheguei ao cume da minha montanha nas condições mais adversas possíveis e foi um dos dias mais felizes da minha vida. Mas para a minha surpresa as aulas foram suspensas, só fiz quebrar meu guarda-chuva e ganhar uma gripe.

Outro episódio que eu iria colocar no meu livro é o da “Cólera do Dragão”. Quando garoto, religiosamente assistia aos Cavaleiros do Zodíaco, sabia o nome de tudo e de todos. Bons tempos. Meu favorito era o Shiryu, calmo, correto e poderoso. Eu queria ser como ele, mas não nos parecíamos em nada. Pensei muito e cheguei à obvia conclusão que eu ainda não me parecia com ele porque não tinha treinado o suficiente, pura falta de treinamento. 
O primeiro passo foi deixar o cabelo crescer. O segundo foi aceitar que meu cabelo nunca ficaria daquele jeito - sou negro- e o terceiro passo foi tentar repetir o maior feito do cavaleiro de dragão, fazer uma cachoeira correr ao contrário. Claro que eu não tinha uma cachoeira a disposição, tive de improvisar, ficava meditando sob a água que caia do chuveiro e quando sentia que toda a minha energia estava no ponto, deferia o meu golpe na água… mas ela nunca correu ao contrário. Minha mãe ficou preocupada por uns tempos, sempre me perguntava o que eu tanto fazia dentro do banheiro, eu não respondia… deixava ela pensar que eu estava fazendo o que qualquer garoto da minha idade estaria obviamente fazendo trancado no banheiro.

Claro que eu poderia citar muitos outros episódios, a fase em que eu queria ser Benji Wakabayashi, a época em que ficava dando chutes a torto e a direito pensando ser o karatê-kid e muitos outros. Mas os dois principais seriam o do cajado e o da cólera do dragão, especialmente o do cólera do dragão, de onde eu tiraria a lição mor do meu livro de baboseiras. 
Lá no finalzinho eu diria “nunca desista” de um modo bem sutil, diria que até hoje quando vejo a água cair do chuveiro, concentro meu 'chi' e solto um Cólera do Dragão bem baixinho. 
A água ainda cai, como sempre caiu, mas… quem sabe um dia eu consigo fazer igualzinho ao Shiryu?

A Revista da mulher de verdade.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

SAÚDE!...mas eu acho que é gripe.

Amigo MalDito, acabei de comprar um desses aparelhos Tablets, o que agora me permite ler esse blog nos lugares mais apropriados possíveis, o que claro, inclui indiscutivelmente o banheiro. E foi durante um desses momentos ‘de força’ que li o seu post tragicômico sobre a vesícula do seu maldito pai, e apesar de você achar que as ‘nuvens do azar’ só pairam sobre o seu lar, lamento dizer que lidar com o sucateamento da saúde brasileira não é um privilégio seu ou do seu coroa.

Se você reparar bem, atualmente qualquer veículo de jornalismo já separou uma parte de seu informativo para noticiar as mortes hospitalares que já possuem a sua porcentagem certa nos índices de ‘causa mortis’ do país. Costumo dizer que os médicos são os seriais killers mais irregulares que existem, difíceis de serem pegos por não possuírem um padrão, dificultando as linhas de investigação. 
Nos últimos meses os métodos foram dos mais diversos, teve aquele dos moribundos que morreram na fila de atendimento, esse é um clássico, mas um tanto defasado, facilmente superado por técnicas modernas em abate de paciente como infecções hospitalares, medicamentos (e até tratamentos) trocados e os mais variados tipos de erros médicos que nem o Dr. Fritz explica.
A nova onda dos homens de branco é trocar o conteúdo intravenoso das crianças por qualquer porcaria que esteja ao alcance, pode ser doses cavalares de morfina, vaselina e até leite materno. O que corre nas veias dessas enfermeiras? Sangue de Barata? Ou ainda tá batendo a ressaca da cachaçada da noite passada? Sim, por que sabemos bem que as festas desses profissionais são as melhores desde a época de faculdade, a exemplo do famoso evento anual OREM ( Olimpíada Regional dos Estudantes de Medicina) onde a cada edição regada a muita farra, pelo menos meia dúzia de estudantes de medicina morrem por overdose de drogas ( alguns até mesmo por anestésicos surrupiados nos hospitais residentes) e outras dezenas entram em coma alcoólico.
Mal cheguei no Brasil para passar minhas férias de verão e passei muito mal ontem a noite. Minha acompanhante companheira temeu por um enfarte e cogitou me levar para o hospital.
-Se você não melhorar nos próximos 10 minutos, eu vou ligar pra emergência.
-Não faz isso,...nem pensar. Eu vou ficar legal.Não liga.
-Mas e se você morrer?
-Assim como ir no banheiro, prefiro fazer isso dignamente em casa.
-Você pelo menos tem um plano de saúde?
-Sim, planejei ter saúde pra vida inteira,...mas de acordo com essa dor, parece que algo não está saindo como o planejado.Ahhhhhhrgh!

Como pode ver, sobrevivi para escrever mais um dia graças ao sistema público de saúde que é tão precário que nos faz suportar a dor alem dos nossos limites só para não ter que recorrer a um hospital, nos tornando orgulhosos brasileiros que não desistem nunca.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Como um garoto se tornou a lenda Peter Pan

Todas as vezes que nos deparamos com a história de Peter Pan, acaba sendo uma tremenda fraude, já que na verdade o que sempre é mostrado são as desventuras de Wendy e seus irmãos na Terra do Nunca e não a trajetória do moleque voador que acaba se tornando coadjuvante de sua própria lenda.
Mas parece que finalmente resolveram explorar a origem de Peter (e de seu inimigo, o Capitão Gancho) na minissérie de 2 episódios que acaba de estreiar intitulada Neverland
Na trama, Peter e os 'garotos perdidos' são um bando de trombadinhas que sobrevivem roubando quinquilharias nas ruas de Londres sobre as ordens de seu mentor James 'Jimmy' Hooks.

James Hook se tornará o temível Capitão Gancho e dará início a uma guerra pela conquista da Terra do Nunca , na qual o jovem Peter terá que decidir se volta para o seu mundo ou se fica e luta pra proteger um lugar onde ele nunca irá crescer.
O elenco ainda com a volta de Bob Hoskins no papel de Mr.Smee, o atrapalhado ajudante do Gancho, personagem que ele já havia interpretado no filme Hook - A Volta do Capitão Gancho de 1991.
Cá pra nós, uma ideia mais original do que fazer um remake de uma história que já estamos cansados de conhecer,... Veja o trailer e descubra como o garoto se tornou a lenda.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Cronica de Elevador.

Tá descendo!?
Por que se eu tiver que dividir esse cubículo metálico com um bando de desconhecidos por mais de três andares, não garanto a integridade física de nenhum dos presentes. Não me entendam mal, não é que eu seja anti-social,...bem, tem isso também, mas a proporção de espaço dentro de um elevador foi nitidamente projetada para comportar no máximo três pessoas que se conheçam ou dois estranhos entre si. Mais que isso já se instaura um leve pânico entre os usuários.
Vai que essa porra para, não é verdade? Não vamos querer narinas excedentes respirando a parca reserva de ar alem do necessário.
Só quem já ficou preso com um punhado de estranhos dentro de uma dessas coisas que conhece a aflição de passar por uma experiência do tipo. Acredite, aconteceu comigo e é mais comum do que se imagina.
Eu sabia que ia dar merda no momento em que uma morena alta, estilo ‘globeleza’, veio correndo com seus saltos barulhentos pedindo para segurar a porta do elevador. Estávamos no limite da lotação, mas dois velhos tarados insistiram que com jeitinho ainda cabia aquela mulata e suas curvas privilegiadas a quem chamaram de ‘senhorita’. Não deu outra, ficamos presos entre o 2° e o 3° andar, as seis da matina, de um prédio residencial.
As seis e quinze, todos ainda estavam socados dentro do elevador em silencio, preferindo passar mais alguns minutos naquela situação de aperto a ter que passar a vergonha de gritar por socorro e admitir a estupidez de desafiar o aviso ‘Máximo 5 Pessoas’ atochando uma bunda feminina a mais.
As seis e dezoito toda bravura caiu por terra e em coro os ‘aprisionados’ berraram por socorro feito crianças desmamadas,... Menos eu, que por estar voltando de uma noitada, acabei passando mal com o ambiente fechado e vomitando as seis e dezessete, dando início a histeria coletiva.

Que merda, parou no 2° andar. Que tipo de preguiçoso insiste em chamar o elevador estando tão perto do piso térreo? Parece que faz de propósito, o cara até pretende usar a escada, mas quando vê que o elevador está ‘de passagem’, recheado de estranhos apressados, clica no botão só pra ver a cara de desânimo das pessoas em ter o desconfortável contato com desconhecidos prologando por mais alguns segundos.
Eu ainda sinto falta daqueles momentos de privacidade quando se estava só dentro de um elevador, antes das câmeras de vigilância. Era como em um banheiro, só que sem a privada. Onde também podíamos cantar desafinados, tirar meleca, espremer espinha com o auxílio do espelho e deixar um ‘presente’ para quem solicitar o elevador depois de você. Esse último indetectável pelas câmeras de segurança.
Bom,...Eu fico aqui! Esse é o meu andar. Até mais.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Rolando a bola na grama morta.

Quando vi a notícia sobre a aprovação do Novo Código Florestal, na hora achei que o assunto merecia uma 'cutucada da ferida' aqui no blog. Diante da minha falta de conhecimento no assunto, lancei um desafio no twitter perguntando quem se interessaria em escrever sobre a pauta para o DpM, e eis que o maluco do @RodrigoUla aceitou a tarefa, cumpriu a missão e tá aí o texto do cara sobre a questão!
O Brasil é o país do assistencialismo paternal, e exatamente por este motivo é tão difícil entender as reais pretensões das mudanças em debate para o novo Código Florestal brasileiro.
O Projeto aprovado no Senado nesta última terça (6) ainda voltará para análise na Câmara dos Deputados, porém, ambientalistas, ruralistas e cientistas já demonstram que o resultado não será obtido através de um consenso.
Assistencialista por princípio, contudo, paradoxal por natureza. Este é o Brasil de milhões de bolas-cheias e bolas-murchas!
O intuito do novo texto da lei é a preservação do verde ostentado na bandeira desse imenso país, mas o que se vê é a redução de reservas ambientais. Existe a promessa de maior rigidez no combate ao desmatamento e uma regulamentação melhor definida para a exploração de terras, porém, os novos incentivos econômicos e a falta de clareza na definição do que viria a ser o real pequeno produtor rural, por exemplo, terminam por demonstrar que o objetivo pretendido não é algo tão fácil assim de ser atingido.
A exploração do solo brasileiro é de interesse comum a toda a população dessa imensa “Pátria de Chuteiras”, mas o que se percebe é que a proteção e recuperação de nossos craques da bola compensam bem mais  que o combate à devastação da vegetação nativa que se encontra além das quatro linhas de um campo de futebol.
O povo debate o Mercado Futebolístico brasileiro junto ao Cartola FC e não se dá conta que os “dirigentes” de Brasília pretendem diminuir a quantidade de 'grama verde' disponíveis em outras partes das terras brasileiras, enquanto regam com água mineral importada com gás o gramado de estádios espalhados pelo país.

O Projeto em questão não se preocupa com a possibilidade de risco quanto ao aumento de fenômenos naturais ou redução da biodiversidade nacional. Afinal de contas, o país está às vésperas de uma Copa do Mundo e a construção de novos estádios foi ponderada como sendo “atividade de interesse social” e, portanto, ser a sexta nação no ranking de Emissores de gases poluentes não é argumento suficiente para que se impeça o progresso do tão importante esporte bretão.
Ponto pacífico neste debate tão importante para o futuro dessa Pátria Amada é a preservação do verde dos gramados brasileiros que são os grandes responsáveis pela produção da maior riqueza que essa nação já viu: O Craque de Bola,... ainda em estudo para ser acrescentado na bandeira nacional.
dito pelo Rodrigo Ula

Editora Dracaena amplia rede de distribuição.

A editora Dracaena está com novas parcerias para a distribuição de seu catálogo.
A empresa que já tem se destacado no mercado nacional principalmente pela distribuição de autores nacionais, planeja para 2012 uma expansão de seu trabalho.
Segundo Léo Kades, editor-chefe da Dracaena “O Ano de 2012 será dedicado na ampliação da rede de distribuição, buscando novos canais de vendas e conquistando novos parceiros dentro e fora do Brasil. A Dracaena publica, divulga e distribui livros, portanto não é auto publicação. Buscamos oferecer uma estrutura para que os autores tenham seu trabalho nas grandes lojas.” 

NOVOS AUTORES.
A Dracaena aproveita para convidar novos autores para fazerem parte de seu catálogo.
Se você é autor brasileiro ou português e deseja publicar e distribuir seu livro, envie seu original para avaliação no email: publique@dracaena.com.br
Para mais informações visite o site da editora.
OBS: Para que o retorno seja mais rápido cadastre seu fone fixo. 

Conheça o catálogo da editora e aproveite as ofertas de natal no site da DRACAENA.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quando um homem tenta dizer NÃO!

Eu devia ter desconfiado. Aquele gingado, aquele passo arrastado, aquele olhar vidrado, todos os sinais indicavam que eu estava prestes a ser abordado. Ela já me cercava há quase meia hora, enquanto dançava, corria a língua pelos lábios e fingia girar um gelo imaginário no copo de plástico cheio de cerveja. Foi como em um clássico do cinema de baixo orçamento, onde o cenário era um desses clubes cafonas de cidade pequena que disfarçam o fato de ser o mesmo lugar que seus pais frequentavam há décadas atrás com o que há de mais moderno em questão de jogo de luz. Todo esse aparato incandescente aliado a um som estridente em um local de péssima acústica torna o ambiente propenso à perda temporária de alguns sentidos ou possíveis ataques epiléticos. Eu estava à beira do segundo.
Ela colocou a mão no meu peito e com três fáceis passos me fez caminhar para trás feito um caranguejo em uma dança ensaiada, o que acabou me encurralando entre a parede e o balcão do bar. Daquela distancia, nem todas as luzes coloridas, strobos e nem mesmo a escuridão daquele canto onde fui acuado, me impediriam de notar que aqueles olhos azuis eram grosseiras lentes de contato. O olhar vidrado me foi explicado, e agora era eu que não conseguia parar de olhar para aquele truque feminino. Situação incomoda.

Não tinha como escapar.  Iniciamos uma ‘guerra fria’ usando gestos e expressões como armas, atacando e se defendendo como pudemos.
Ela exibiu um sorriso e eu achei prudente devolver a gentileza.
Balançou a cabeça para esquerda, para a direita, e eu acompanhei seus movimentos na esperança de encontrar uma brecha para uma possível rota de fuga.
Foi ela quem quebrou o acordo de paz e se lançou em minha direção. Nitidamente cansada de se insinuar, resolveu partir para o tudo ou nada, certa de que possuía todos os atributos necessários para me ter.
Bloqueado pela parede e sem espaço para um recuo estratégico, ergui a mão, como quem pede trégua, bloqueei seu beijo e suspendi seu fogo.
Novamente foi ela quem fez as palavras necessárias, para mim, o silencio bem poderia evitar mais uma situação incomoda.
-Você não quer ficar comigo?
-Bem,... não.
Achei que valia a pena tentar mais um sorriso, mas dessa vez não recebi a mesma gentileza em troca.
-Como assim você não vai ficar comigo?
-Escuta, deixa eu te explicar...
-Eu não to acreditando no que eu to ouvindo. Você tem coragem de dizer na minha cara, que não vai ficar comigo,... É isso?
-E de que outra forma seria?
-Você é gay?! Olha, por que se for,...Pode falar! Na boa, eu vou entender.
-Gay!? Não! Jamais! De onde você tirou isso?
-É o único motivo que te impediria de ficar comigo.
-O único motivo? Já passou pela sua cabeça que eu posso ser comprometido?
-Hum,.., nada de aliança nos dedos, então podemos descartar casado e noivo. Então sobra namorada, o que também não é motivo para não ficarmos. Só resta você ser gay.
-Ok, eu não sou comprometido... 
-Entendi,...
-Mas também não sou gay!
-Tudo bem, então prova gatinho. – mal terminou a frase e juntou os lábios se lançando em uma nova investida, novamente bloqueada pela palma da minha mão.
-Escuta garoto, eu já falei com a Pri, a Cá, a Lu e a Isa que nós íamos ficar, eu não posso te arrastar assim pra um canto e simplesmente voltar rejeitada. Com que cara eu vou ficar? Façamos o seguinte, a gente se beija, dançamos juntos umas três músicas, damos uma volta até o bar para sermos vistos, você me paga uma bebida e depois eu faço um showzinho qualquer dizendo que você é um cretino por ter olhado pra bunda de alguma das minhas amigas periguetes. Aí você fica livre pra sumir,... certo?
-E se eu não concordar com esse seu roteiro doentio?
-Eu faço um escândalo. 
Nesse momento me questionei se não teria sido mais fácil ter confirmado que eu era gay quando tive a chance.
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