segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

As Esganadas

Às vezes eu costumo 'provocar' dizendo que minha maior motivação para escrever surgiu quando encontrei um livro do Jô Soares jogado na casa de uma amiga e, sem opção, me vi obrigado a ler enquanto espera o fim de uma chuva torrencial. Ao acabar a leitura concluí: ‘Ta aí. Se um livro como esse faz sucesso, eu também posso fazer isso!'.Brincadeiras a parte, isso já faz muito tempo e o Jô Soares já é uma figura tão cativa na mídia que as vezes esquecemos que ele tem anos de carreira como humorista, ator e apresentador, mas não faz muito tempo que começou a se aventurar como escritor.
Não me intimidei com essa minha parca primeira impressão e mergulhei de cabeça nos bárbaros crimes narrados no último lançamento do autor, As Esganadas
Dessa vez ele inverte os clichês policiais nos revelando logo de cara o seu assassino e deixando toda a ‘graça’ da trama na procura incansável pelo serial killer de gordas.

Gosto muito do jeito como foi explorada a ‘brasilidade’ no livro. Embora um dos protagonistas mais inusitados seja lusitano, a história transcorre com uma incrível riqueza de detalhes pelas ruas de um Rio de Janeiro dos anos trinta, de uma cultura carioca histórica que não sofreu muitas mudanças com o passar das décadas, as farras na Lapa, os antigos cafés da Rua do Ouvidor, a gastronomia do Largo do Machado e diversos outros pontos (hoje points) da cidade maravilhosa servem de cenário para essa curiosa serie de assassinatos cruéis.
Alem disso, o autor não perde a mania de misturar ficção com realidade criando situações divertidas onde entrelaça seus personagens com grandes figurões da história, e dessa vez sobrou para o poeta Fernando pessoa, o mago Aleister Crowley, o presidente Getúlio Vargas e até mesmo pro líder nazista Hitler. E é beirando a verdadeira história que Jô Soares constrói a sua própria.

É fácil encontrar o autor em cada página do livro. Quem assiste ao programa apresentado diariamente pelo mesmo, fatalmente irá reconhecer várias falas, tiradas e piadas que o Jô está cansado de repetir dezenas de vezes durante as entrevistas que já fez. Claro que isso não tira o mérito da obra, mas a torna um tanto previsível em alguns pontos.
Não consegui descobrir se o segredo está na diagramação, mas é certo que todos os livros do Jô foram editados de forma que a leitura seja ligeira a ponto do leitor (com um pouco de dedicação) ser capaz de finalizar as quase 300 páginas em uma tarde. Comigo foi quase assim.

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Comentários
1 Comentários

Um comentário :

  1. Cara eu li um livro do Jô fazem alguns bons anos, foi o tal Xangô, achei o livro " bonzinho" bem " Inho " mesmo. com diversas piadas previsíveis, as quais não ri muito.

    Desde então não me animei muito com os outros lançamentos já que imaginei seguirem a mesma linha.

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