segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Rumo a Hegemonia Perdida - Volume III

Confira antes os volumes I e II

No post passado dizíamos sobre a revolução liberal burguesa e seu poder de transformação, transformação essa que deixou a sociedade um tanto mais complexa, e não menos conflitiva. A aliança entre a indústria bélica+bancos+interesses nacionais produziram duas guerras mundiais, setenta milhões de mortos, isso sem contar os feridos.
Da revolução francesa até o início do século XX, os levantes políticos foram intensos no mundo. Com uma característica particular: a tomada de assalto do aparelho de Estado era feita apenas por um pequeno grupo bem-armado determinados em pontos estratégicos (estações ferroviárias, portos, sedes de governos) onde o poder político estava (ainda que precariamente) conquistado. 
Hoje se eu assassinar a presidenta com meus amigos que vivem na clandestinidade, tomar a sede do banco central e declarar o fim da propriedade privada no país, ainda assim seríamos humilhados até no Twitter.
Uma pessoa que pensou as mais diversas formas de relação com o Estado foi o militante comunista Antonio Gramsci (1891-1937). Segundo o próprio, é possível observar, desde as primeiras décadas do século XX, uma abertura de canais de ação política das classes sociais subalternas (partidos políticos, eleições e sindicatos, por exemplo). Dessa forma, Gramsci rompeu com uma visão que restringia o Estado. Na ótica gramsciana, o Estado pode ser dividido em duas esferas: De um lado, a sociedade política, representada pelas agências burocráticas e aparelhos estatais; e de outro, a sociedade civil, que se materializa nos aparelhos privados de hegemonia (Federação de Indústrias, Associação de Moradores, Sindicato das Empregadas Domésticas, Federação dos Bancos, dos Bancários, Entidade dos Estudantes, Professores, Entidade dos Comerciantes) que tem como objetivo desenvolver canais de interlocução com o restante da sociedade (blogs, revistas, propagandas, reportagens pagas, festas, cursos de formação) e também defendem os interesses político-econômicos das frações de classe (difundindo certas visões de mundo, criminalizando outras e claro produzindo CONSENSO!). 
Assim podemos afirmar que o governo Dilma não é o puro reflexo de seu jeito sargentona-diretora-de-escola, ou apenas um governo pau mandado das vontades do Lula. Mas o Estado brasileiro é uma condensação das disputas e relações sociais presentes na sociedade civil brasileira.

Então amigos, digo com tranqüilidade, é na sociedade civil, através das entidades de classe que representam interesses políticos (daí serem chamadas de aparelhos “privados” de hegemonia.) que o pau come! Pra vocês terem poder, ou melhor, para vocês e seus pares terem o poder precisam ter apoio na sociedade civil. A Primazia na sociedade civil garante a determinado grupo a aceitação de outros grupos a seu projeto de poder. E a primazia é a hegemonia, que deve ser entendida como uma busca permanente de construção e consolidação da direção e do consenso junto a outras frações de classe, disseminando valores e visões de mundo através da cultura e ideologia.
Agora pensem comigo: Quem é mais organizado, possui alianças com outros setores da sociedade do país e participação dentro da ossatura material do estado (isso mesmo ossatura material – cargos, mandatos...)? Latifundiários ou o MST? Evangélicos anti-aborto ou feministas de esquerda? Banqueiros ou trabalhadores assalariados? Quem tem apoio da “grande mídia”? Quem financia os candidatos que vencem as eleições? O governo desses eleitos tendem a favorecer quem? E assim vai...

Agora, amiguinhos, terminem para mim esse post nos comentários: De que classe social os amigos vieram? Quais grupos freqüentam? O que consomem?
Respondendo essas questões podemos imaginar com alguma precisão o que vocês pensam, aspiram e assim por diante...
Até.
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