quarta-feira, 28 de março de 2012

Reencontrando Ex-namoradas .2

Quanto mais velho se fica, maiores são as memórias execráveis que você tenta se livrar. Esquecer essa merda toda antes de morrer pra poder, quem sabe, ter uma vida menos indigna é mais uma corrida contra o tempo. Digo isso porque a dignidade é algo que sempre estão tentando tirar de você. Te espremem feito uma laranja até que todas as suas virtudes escorram feito um grosso sugo e sobre apenas esse bagaço que te encara no espelho todas as manhãs.
Seus pais, patrões, desafetos e até os ‘amigos’, todos são responsáveis pelo bagaço que nos tornamos. Esses pobres coitados fazem o possível para tirar de alguém o que um dia foi tirado deles. É a guerra da inumanidade.

Mas ninguém fará isso tão bem quanto uma mulher. Independente do cargo que ocuparem, seja mãe, filha ou amante, quando elas passam pela sua (às vezes por cima de sua...) vida, nada mais será como d’antes. Serão anos até que todos os danos causados durante essa passagem sejam, pelo menos parcialmente, sanados. E para que isso aconteça, será necessário que se esqueça. Se não gozássemos dessa incrível habilidade de ‘esquecer’, com certeza já teríamos explodido de tanta amargura.
E o que dizer quando procuramos potencializar essa capacidade combustando com componentes tóxicos e alcoólicos. Tudo para queimar aquela lembrança indesejada.
Relevar, deixar pra lá ou até mesmo fingir que aquilo nunca aconteceu... Nem sempre é uma tarefa fácil. Especialmente quando esses fantasmas do passado perambulam livremente pela rua e podem voltar a te assombrar a qualquer momento em forma de música, lugares, situações e até cheiros.
Meus fantasmas nunca são tão sutis. Costumam se materializar de corpo e alma.
-Olaaaa. Nunca imaginei te encontrar em um lugar como este.
-É,... oi. Engraçado, eu nunca imaginei te encontrar mais.
-Pois é, a vida nos prepara dessas armadilhas. Mas e você? O que anda fazendo?
-Tentando me manter longe de problemas.
-Eu casei ano passado. Ficou sabendo?
-Não. Como eu disse,... Estou tentando me manter longe de problemas.
-E como vai a sua mãe?
-Temos nos falado pouco. Acho que ela também está tentando se manter longe de problemas.
-Haha,...sempre o mesmo. Não faz muito tempo eu passei um final de semana naquele lugar onde passamos nosso último feriadão juntos, aí eu me lembrei da gente dominando a jukebox daquele bar. Lembra?
-Aquele com o garçom mal educado?
-Sim! Esse mesmo. Você lembra.
-Como eu poderia esquecer aquele garçom? Errou o meu pedido duas vezes e ainda tentou colocar umas cervejas a mais na conta. Um tremendo canalha.
-Ah tá. Você lembra do garçom e da conta errada. E de mais nada?
-Lembro que já vi esse filme e sei que sou eu que pago a conta no final, certa ou errada. Então que tal se recuássemos em passos lentos até que estejamos distantes o suficiente para que cada um retome seu caminho fingindo que esse encontro nunca aconteceu?
-Nossa! Tá bom, eu me excedi, mas também não é pra tanto. Não precisa me tratar como uma criminosa. O que que é? Vai chamar a policia quando me encontrar na rua agora?
-Acho que o mais apropriado seria chamar os caça-fantasmas.


*Indiretamente Interligado com o texto Reencontrando Ex-Namoradas
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