terça-feira, 10 de abril de 2012

Uma tarde fantasma no parque

Lembro como se fosse hoje de tudo que aconteceu naquele dia, cada pensamento, cada decisão. E o que mais me dói é que não fiz as escolhas certas. Nem sei se posso chamar aquilo de escolhas… Perdão, deve estar  muito confuso pra vocês. É melhor eu contar tudo.
Era uma tarde de janeiro, há uns dois anos atrás. Minha mãe decidira que aquele era um dia perfeito para se ir ao parque e para mim, todos os dias com uma visita ao parque de diversões tornava-se perfeito. Lembro que fiquei ainda mais feliz quando ela me contou que eu teria de usar minha roupa de cowboy, pois todo o parque estava ambientado em algo chamado de “Semana da fantasia”. Não entendi bem o que aquilo significava, mas fiquei feliz pra cassete: Parque e fantasia no mesmo dia!
Minha mãe me dizia que aquele era o maior parque do estado, para mim ele era o maior do mundo. Passei do portão recebi o carimbo na mão que valia pelo ingresso, e uma pulseira com o nome da minha mãe e o telefone lá de casa. Finalmente, estava dentro do maior e mais legal parque de diversões do mundo. Ele estava particularmente enfeitado naquele dia: todos os funcionários fantasiados, brinquedos piscando com cores diferentes. Parecia que eu estava em outro mundo. Eu corria pra cá, corria pra lá, minha mãe gritava pra cá, gritava pra lá. Mas ela gostava de me ver daquele jeito, hoje eu consigo perceber isso. Chegou uma hora em que ela segurou minha mão e levou para o seu brinquedo favorito, a roda gigante. Eu até achava legal, mas era muito parado. 
Depois fomos na montanha russa, bate-bate, kamikaze… Tudo que eu tinha direito.

As coisas estavam indo muito bem até o momento em que ela precisou ir ao banheiro. Eu já estava mocinho, não podia entrar com ela. Ela disse que podia, mas eu insisti que não. Já era um rapaz, melhor esperar na porta. Ela riu e entrou. Foi aí nesse instante que eu, um menino buliçoso, decidi que deveria fazer algo enquanto ela não saia do banheiro. Olhei para um lado, olhei pro outro e vi o único brinquedo que eu nunca tinha ido em todo o parque. Meus olhos brilharam. Puta que o pariu, finalmente eu iria entrar no Castelo Fantasma. Eu nunca tinha ido porque minha mãe nunca havia deixado, dizia que eu teria pesadelos à noite. 
Onde já se viu um garoto corajoso e fodão como eu ter pesadelos? Era a minha chance, ela estava fora da jogada por uns três minutos. Colei em um coroa e me passei por filho dele… como esses guardas de brinquedos são fáceis de enganar. E quando começou a caminhada, uma porra de um vampira pulou na minha frente. Rapariga! Que medo do caralho! Corri, corri, corri e continuei correndo até perceber que eu estava perdido. Aquilo era um labirinto. Pensei nos meus brinquedos, pensei na minha mãe… pensei que passaria minha vida todo preso ali, perdido, comida de vampiro. Comecei a chorar. Tentei engolir o choro, mas não consegui, o melhor que pude fazer foi me esconder num cantinho para que os vampiros não me achassem. Não sei por quanto tempo fiquei ali. Mas houve um instante que eu percebi que eu tinha que levantar a cabeça e achar a saída. Enxuguei os olhos, limpei o nariz e quando ergui a cabeça vi o objeto que foi a minha salvação: Uma lâmpada mágica.

Ela estava coberta de teias, meio sem brilho, mas assim que eu a toquei com a minha mão senti algo tocar no meu ombro. Fechei os olhos e pensei “Que não seja um vampiro”, quando os abri e olhei para trás vi um negão que deveria ter uns três metros. Fique apavorado e meio sem perceber perguntei quem ele era, ele riu e me respondeu que era o gênio daquela lâmpada que eu havia tocado. Fiquei sem reação, o observei dos pés à cabeça e cheguei a conclusão que aquilo era mentira. Primeiro, eu nem havia esfregado a lâmpada e segundo, ele não era azul, era preto. Relatei a ele estas minhas breves constatações e ele se justificou dizendo que só o gênio do Aladim é azul, que por coincidência era primo dele, e que a lâmpada que eles estava era muito apertada e qualquer toquezinho o fazia acordar. 
É… As explicações dele eram muito boas, tive de confiar um pouco no sujeito. Foi nesse meu instante de fraqueza que aquele miserável se aproveitou de mim. Ele olhou nos meus olhos ainda vermelhos de tanto chorar e me perguntou se eu queria sair da casa dos vampiros… Foi hipnose, só pode. Concordei sem nem pensar e do nada ele fez uma porta se abrir bem onde eu estava abaixado chorando. 
O Miserável me roubara o primeiro pedido.
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Comentários
2 Comentários

2 comentários :

  1. kkkkkk já tinha lido antes, e comentado tbm... acho que houve alguma atualização né? Mas, muito bom! Sempre rindo com suas histórias nêgo, tens futuro já disse. =)

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  2. Mto bom o conto kkk. E mto bem escrito tbem. parabens

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