terça-feira, 22 de maio de 2012

Gente 'azonal', ou coisa parecida

Dia desses eu estava em uma mesa de bar tomando umas e conversando merda com um pessoal estranho lá da universidade. Depois de um tempo de bebedeira, um mestrando em alguma-coisa-chata-de-geografia entrou naquele estado de bêbado intelectual. Um saco. Ele começou a citar gente que eu nunca ouvi falar, defender uns filhos da puta do governo e desenvolver algumas idéias extremamente viajadas. Estava me preparando para deixa-lo falando só, quando ele veio com um conceito que me chamou a atenção. “Paisagem azonal” era o nome da parada.
Em resumo, diz-se que paisagem azonal é aquela que ocorre sem a influencia da latitude, longitude ou temperatura. Achei isso muito escroto, fiquei intrigado. Não entendi como era possível o mesmo ecossistema ocorrer em locais muito diferentes entre si, mas ele citou alguns exemplos e falou com tanta seriedade que eu me senti forçado a acreditar. E como grande pensador pós-moderno que sou, fiquei pensando nessa porra o dia inteiro. Fiz algumas modificações no conceito original e cheguei a conclusão de que todas as coisas desse mundo no fundo são iguais. Isso vale pra tudo, mas acho que eu teria de escrever umas quinhentas laudas para dissecar meu pensamento. Como só tenho uma coluna curtinha vou me ater a paisagem urbana.

Todas as cidades, todos os bairros e todas as ruas são preenchidas pelos mesmos tipos de indivíduos.  Sempre há o pinguço, a mãe desquitada, o corno, o cara que tira dinheiro do nada, o moleque que certamente vai ser bandido, o crente chato, o velho fanático por algum time de futebol... São muitos tipos para descreve-los um à um. Para simplificar ainda mais o meu trabalho, vou fixar o resto desse texto num tipo de cabra que nem é tão universal assim, mas é extremamente irritante e marcante na sociedade brasileira.  
Ele é o cara que nunca levou uma topada. O cara que nunca, nunca, saiu perdendo em nada. O cara que diz saber fazer de tudo, come todo mundo, tem mais grana que o Eike e quando algo sai errado ele já tem uma desculpa na ponta da língua. O bicho é cabuloso demais.

Você provavelmente acha que estou inventando coisas para encher a tela do seu monitor com letrinhas confusas, mas eu vou lhe provar que você conhece um cara desses. Vou descreve-lo nos mais profundos detalhes, afinal também domino as artes mediúnicas. Bem... esse cara teve uma infância complicada. Ele não tinha algo que os outros garotos tinham e por isso teve de desenvolver a habilidade de contar vantagem de tudo que tinha para não sair perdendo dos outros. Ele diz que dispensou todas as suas namoradas, nunca levou um pé na bunda e até a galhada, que todo mundo sabe que ele levou, ele diz que foi depois de ter acabado o relacionamento. O carro dele está meio acabo, mas ele diz que vai pegar outro no mês que vem. Ele gesticula muito, fala alto e sempre rouba a atenção de todos os presentes pra falar alguma merda engraçadinha. Apesar de todas as mentiras e desconfortos causados por este tipo de indivíduo, seja legal com ele. Tenha pena dele. Tudo que ele precisa é de um par de ouvidos fingindo que acredita que ele não é um merda tão grande assim.
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Comentários
1 Comentários

Um comentário :

  1. Báh tu acabou de descrever o pizzaiolo que trabalhava comigo... huahuahaua... realmente digno de pena... =)

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