terça-feira, 12 de junho de 2012

A Fábula do Brucutu e da Princesinha

Vocês já ouviram a história do brucutu que se apaixonou pela princesinha? Não? Então me dêem a honra de contar a vocês esta bela fábula de domínio popular (se não for de domínio popular... é minha, digo logo) que nos fala de valores que foram esquecidos há muito tempo. 
Como vocês já devem suspeitar a fábula fala daqueles amores improváveis que teimam em se complicar. Nesse caso a complicação vem da distância criada pelas qualidades que transformam o homem em um brucutu e a moça em uma princesinha. Como esta história só existe no boca a boca, ou na minha mente confusa, vou dar a cada um de vocês leitores a liberdade para imaginar seu próprio brucutu e sua própria princesa.

Só peço que o brucutu de vocês tenha cabelo no peito, sovaco peludo, barba invariavelmente por fazer, nem saiba o que é EMO, beba cana sem fazer careta, tenha um trabalho bem viril (Ex: pedreiro, estivador, programador em C…) e não saiba se expressar direito. Quanto à princesinha, peço que seja mais rica que o brucutu, melhor educada, bem articulada, bela, doce, delicada… aquela baboseira toda que cansamos de ver nos filmes da Disney.
Tudo iria começar com o brucutu de boa, fazendo coisas de brucutu como: jogar bola, beber cana ou dar porrada em alguém. E nesse exato momento a princesinha passaria a alguns metros dele, ele ficaria congelado com sua beleza e por puro instinto de cabra safado iria a seu encontro. Descarado como só, soltaria logo uma cantada de pedreiro e receberia em troca um olhar de puro nojo, o tipo de olhar que uma dona de casa dá as baratas que teimam em aparecer em sua cozinha. Mas… como isso é uma fábula, tem que haver magia! Então digo que o brucutu pela primeira vez em toda a sua vida, sentiria algo estranho com o olhar da princesa. Apesar de ser um olhar de reprovação, ainda assim era um olhar dela para ele, olho no olho, o primeiro contato. 
Ele não conseguiria falar mais nada, borboletas em seu estômago, sua boca secaria, seus pernas tremeriam. Simplesmente travaria. Só conseguiria vê-la partir com a cara emburrada. Mas ele a acharia ainda mais bonita com raiva. Aí ele iria pra casa todo atordoado, só pensando nela. Passaria horas sonhando acordado, pensando… nela. No outro dia ele estaria louco pra vê-la mais uma vez e iria pro mesmo local, na mesma hora do encontro da noite anterior. E quase que por mágica ela apareceria, vindo do mesmo lugar, tão linda como antes. O brucutu quase tão afobado quanto na noite anterior pularia na frente da princesinha, que assustada ensaia um grito que seria calado pelas palavras inusitadas do brucutu: 
-Olha! Queria me desculpar por ontem. Quando te vi, algo dentro de mim disse “vai falar com ela agora, porra. Pode ser a tua única chance de falar com ela!”. Eu obedeci. Só que aquele é único jeito que eu sei tratar uma mulher. Queria saber falar direito com uma dama como você, mas não sei.
Ela ficaria incrivelmente emocionada. Como pode um ser feio, ignorante, fedorento e tão mal vestido soltar algo daquele calibre? Mas depois de alguns segundos olhando pra aquela figura, ela veria que não seriam palavras bonitas que fariam com que ela se aproximasse daquele homem. Ela respiraria fundo e faria o que julgara ser a coisa certa a se fazer numa situação como aquela. Ela diria: 
-Você foi rude, mas o seu pedido de desculpas foi sincero. Eu te desculpo. Mas se você me der licença, tenho que ir. 
-Claro. Posso pegar seu telefone? 
-Não, eu não acho uma boa idéia. 
Ele ficaria simplesmente arrasado, na merda total. Iria pra casa engolindo choro e se perguntado o que havia feito de errado. Não acharia nenhuma resposta satisfatória até entrar no banheiro da sua casa e olhar pro espelho. Como uma gata daquela iria se agarrar com um cara que nem penteava o cabelo, tinha barba mal feita, cravos e fedia? E em um momento de raiva ele iria pegar uma tesoura, cortar o cabelo bem curtinho e todos os outros pêlos do seu corpo. Depois ele iria se barbear, tomar banho, usar xampu, condicionador, lixa na sola dos pés… a porra toda! 
No outro dia, ele tomaria coragem e, mais uma vez, no mesmo local e na mesma hora interceptaria a donzela. Desta vez ele não fala absolutamente nada. Ela olharia pra ele, soltaria um sorriso e pensaria algo como: Ele até que é bonitinho! 
E para a surpresa e felicidade dele, ela quebraria o silencio dizendo: 
-Ainda queres o meu telefone? 
-Demorô! – fala o brucutu feliz da vida. 
-É… mudar sua aparência não melhorou o teu jeito de falar. E você ainda tem que dar um jeito nessas suas roupas. Os dois iriam dar um sorriso amigável e se poriam a caminhar lado a lado. Conversariam bastante e ele a acompanharia até o portão de sua casa. E na despedida ele, todo sem jeito diria “até amanhã”, ela mais uma vez riria e entraria. 
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O brucutu, já não mais tão brucutu assim, daria uns pulinhos de alegria tal qual qualquer artista de comedia romântica e iria pra casa sem sentir a distancia, feliz da vida. Ao chegar lá, abriria seu guarda-roupa e separaria uma camisa polo, a sua melhor calça e daria uma engraxada em seu melhor sapato. Tudo pro encontro seguinte. A cada encontro, o brucutu ficaria menos brucutu e a princesinha ficaria cada vez mais apaixonada. Até que o improvável tornou-se inevitável, o primeiro beijo. 
E daí pra frente as coisas iriam seguindo naturalmente até a noite em que os dois iriam dormir juntos. Essa noite seria o ponto alto da fábula. A coisa começaria bem devagarzinho, passeio no parque, mãos dadas, beijos envergonhados, cheirinho no cangote, abraços forte… e coisa e tal. Até o momento em que ela aceitaria o convite para darem “uma passada” na casa dele. Tudo que ele sempre quis. Tudo que ele sempre sonhou. 
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A casa altamente esculhambada, bagunçada, fedorenta e caindo aos pedaços. Ela pensaria até em ir embora, mas ele a segura pelo braço e dá-lhe um puxão. E com os rostos colados a putaria começa! Beijos molhados, mordidas, botões saltando das camisas, peças de roupas sendo rasgadas, gritos, toques íntimos, palavrões, mordidas, tapas puxões de cabelo… e o sono. 
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No outro dia, ainda na cama, a princesinha começaria a recordar-se da noite anterior e perceberia que estava errada: o brucutu de fato era um brucutu. Nem de longe era o príncipe disfarçado de ogro com o qual ela vinha sonhando nos últimos tempos e… para a sua completa surpresa, era bem melhor assim. Era o que ela precisava.
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Barba arranhando, suor gotejando, mordidas, palavrões e outras coisas indizíveis. O mundo real era ainda mais mágico que o mundo de fantasia que a cercava. Ela aprenderia que mundo real não é tão belo quanto o dos sonhos, mas é melhor. Mais que melhor, é real. 
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Quanto a ele… ele simplesmente se desencantaria com a moça. Perceberia que ela era simplesmente uma mulher como qualquer outra. Toda aquela frescura de princesinha era apenas… frescura. Ela era um ser humano comum, sem aura, mágica ou qualquer outra coisa que fugisse da sua compreensão. Ao se dar conta disso tudo, ele entraria em desespero e sumiria o mais rápido que pudesse. 
A moral da historia seria: É legal você ser agradável, doce, bonito e inteligente… Mas essa porra toda não vale de nada se você não for verdadeiro.
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