quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Algumas dicas essenciais para escritores nacionais

Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar claro que não possuo formação que me qualifique como crítico literário e nem me sinto capaz de orientar novos escritores dando o ‘mapa da mina’ ou agindo como uma espécie de guru da literatura. Não. As dicas abaixo são baseadas apenas nas opiniões pessoais de um leitor voraz com uma boa bagagem de livros lidos em seu currículo, no caso eu mesmo.
São detalhes que me fazem torcer o nariz para uma história. Pequenas coisas que ao decorrer da leitura desconta pontos do livro deixando um fardo pesado para o final que precisa mesmo ser surpreendente para compensar essas falhas.
Seguir as indicações listadas não te fará um escritor melhor, não te ajudará a ganhar dinheiro e muito menos a conquistar mulheres. Mas com certeza impedirá que eu saia falando mal da sua obra caso eu tenha o prazer de ler. Não que isso valha de algo...
Já que estamos entendidos, vamos as dicas:

1. Nomes da terrinha
Sabemos que a maioria das palavras ficam mais bonitas em inglês (onde Rio Comprido vira Long River), mas por favor, deixe essa bonita sonoridade gringa para os cardápios das cadeias de fast food. Não tem como se identificar, ou se apegar, a um personagem chamado Andrew em uma história que se passa em Ubatuba, por exemplo. Crio uma antipatia logo de cara. Minha cultura sempre me impulsiona a torcer por um Sebastião da vida, além do mais, o Brasil tem uma gama tão extensa de nomes diferentes, tenho certeza que você encontrará algum que combine na sua história.

2. Homens da lei
Dependendo do tipo de história, é bem provável que em algum momento da sua narrativa passe por uma intervenção policial, seja investigando um assassinato, analisando uma cena de crime, procurando um foragido ou aceitando suborno pra fazer vista grossa, eles sempre estarão resolvendo ou sendo o foco de algum problema. E se você não pensou nessa possibilidade, volte para a ‘prancheta’ até aprender a lidar com isto, não dá pra acreditar em trezentas páginas de situações complicadas sem uma notificação no disque denuncia. Você até pode tentar manter os homens da lei longe dos fatos principais, sempre um passo atrás do esperto malfeitor, mas tome cuidado para não fazer isso de forma que a corporação pareça formada pelos três patetas.

3. Subestimando o leitor
Se você está contando uma história na terceira pessoa, faça seu papel de narrador e não deixe esse pesado fardo para seus pobres personagens, eles já devem estar lidando com problemas demais para ainda terem que explicar o que estão fazendo, ou o porquê de estarem fazendo, para o leitor. Essa é sua responsabilidade como autor. Basta que você diga que a próxima cena será no hospital, não precisa que seu protagonista repita a intenção explicando com palavras diferentes que é lá que se tratam pessoas doentes. 

4. Familiaridade com o assunto
Caso você queira tocar em um assunto que ache interessante, mesmo que de relance, tenha um mínimo de aprofundamento antes de sair escrevendo sobre algo. Claro que a sua leviandade pode passar despercebida pela maioria dos leitores que também ignorarem o assunto mencionado, porém, sempre há uma pequena possibilidade de que seu livro caia nas mãos de alguém que conheça bem a coisa toda e de cara, isso desmotivaria qualquer leitura. Posso tomar como exemplo uma das minhas últimas leituras onde uma personagem que é apresentada como uma bruxa do mais alto nível de magia pagã, clamava um ‘Ai meu Deus!’ toda vez que se via em perigo. É pra acabar com a paciência de qualquer cristão.

5.Não apele no final
Já vi muitas histórias muito bem construídas se estragarem por estúpidos finais clichês apelativos. Posso citar alguns dos piores:
-Bomba atômica: Esse é a derrota da falta de criatividade, o autor chega a um ponto que ele não sabe o que fazer com seu enredo e decide detonar todo mundo em uma grande explosão. Um trabalho rápido, limpo, sem testemunhas e muito frustrante para o leitor.
-Voltando no tempo: Nesse final o autor sempre acha que está sendo brilhante, mas se a história já não for construída encima do tema ‘viagem do tempo’ , usando esse artificio apenas no final, deixa o livro com uma tremenda cara de picaretagem.
-Foi tudo um sonho: Faça-me o favor, se tudo que aconteceu durante esses dias de leitura foi um sonho, preferia ter perdido esse tempo tirando uma soneca.

Novamente vale frisar que essa é a minha opinião, mas eu estou disposto a ouvir a sua nos comentários deste post (menos a dos anônimos). Mostre o que tem no crânio e conte o que te incomoda durante a leitura de um livro e te desmotiva a finaliza-lo.
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Comentários
1 Comentários

Um comentário :

  1. Acho que você disse tudo .... me irrita quando me subestimam como leitor , esse final da bomba atômica eu li em um Best Seller de um escritor brasileiro e me frustrou muito... alias outro livro deste mesmo auto foi igualmente desanimador, aí deixei de mão não leio mais os " clássicos" dele, e olha que ele é meu conterrâneo, vem de Osasco também ...

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