terça-feira, 7 de agosto de 2012

E essa foi minha última mentira

/*Antes de começar esta leitura, leia o texto “O lado que ninguém viu da Violência Infantil”…Sério*/ 

Depois desse pequeno incidente, minha mãe passou a agir de forma muito peculiar. Estranha até. Logo de cara, ela cortou todos os meus direitos: Computador, videogame, brincar com os pirralhos do prédio, desenho animado… Enfim, o caralho à quatro ( .|.4 ). 
Eu até entendia que havia feito algo errado, mas no fundo começava a achar que minha mãe é que estava ficando doida. Como eu não podia fazer porra nenhuma, ficava o dia todo fazendo porra nenhuma por todos os cômodos do apartamento, enquanto ela ficava lá olhando pra mim, com cara de choro, cara de doida. Pra onde quer que eu fosse lá estava ela, calada e olhando pra mim com cara de choro/doida. Pensei em correr pegar o telefone e ligar pra polícia, mas o que diria a eles? Era melhor esperar minha mãe voltar ao normal.
Passaram-se uns cinco dias até que uma simples pergunta veio e pôs fim a toda aquela situação. Lá estava eu, sentado no tapete da sala, olhando pela porta da varanda o pôr-do-sol em todo seu esplendor, eu olhando fixamente pro céu que lentamente mudava de cor e minha mãe olhando fixamente pra mim. Acho que ficamos uns dez minutos fazendo isso, até que minha mãe se levantou do sofá, fechou a porta, puxou a cortina e sentou-se frente a frente comigo. Então, ela olhou bem nos meus olhos, fez a maior cara de choro do mundo e gaguejando me perguntou: 
- Filho, porque você comeu um pedaço da parede?

Ou eu dizia a verdade, que aquilo foi um teste que friamente elaborei para saber se ela era uma bruxa malvada que queria me devorar, ou uma mãe amorosa que queria agradar o seu filho gordinho,... ou inventava uma mentira qualquer. 
Escolhi a mentira e disse com a maior sinceridade que consegui dar à minha mentira: 
- Não sei, mãe
Ela imediatamente fez a cara de choro, logo depois a cara de doida, a de doida mais uma vez, e então escondeu o rosto e saiu correndo em direção ao seu quarto. Não consegui ficar quieto, fui atrás dela e quando estava prestes a entrar no quarto, consegui ouvi-la gritar para alguém pelo telefone: 
- Ele não está bem… Ele não está bem… Marque o mais rápido possível! 
Foi aí que eu percebi que tinha dado a resposta errada pra pergunta dela. E é por isso que eu nunca mais menti em toda a minha vida.
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