terça-feira, 11 de setembro de 2012

A sétima vez que escapei da morte

O texto de hoje não será uma crônica como de costume. 
Se eu pudesse me utilizar de mais fatos até tentaria escrever algo parecido com uma crônica policial. Mas eu tenho acesso a pouquíssimos fatos relevantes para colocar neste texto, e o próprio acontecimento que será relatado infelizmente não é nada fora do cotidiano da maioria de vocês. Isso é uma merda. Você pode até estar acostumado com isso, mas não se esqueça que isso é uma merda. De forma alguma eu posso ser considerado um humanista. Odeio gente quase tanto quanto odeio sertanejo universitário. Às vezes eu sinto mais empatia por um filhote de gato que encontro pela rua que por um motoqueiro esticado no asfalto. Não é que eu odeio as pessoas, eu simplemente não me importo com aquelas que não influenciam diretamente na minha vida. 

Quando assisto um noticiário na televisão não me sinto mal pelas tantas vítimas mencionadas pelos jornalistas sanguinários, me sinto mal ao pensar que quase todos os bandidos responsáveis por aqueles crimes ficarão à solta e poderão fazer a mesma com pessoas que são importantes para mim. Isso é o que realmente me incomoda. 
Não sei se sou um monstro, um sociopata ou se eu, involuntariamente, escolhi me distanciar do resto da humanidade para conseguir levar uma vida menos miserável sem ter que sofrer pela dor dos desconhecidos. 
De qualquer forma não está adiantando muito, não sinto nem 10% da felicidade que meus amigos do facebook publicam que sentem quase todos os dias. Apesar d'eu gostar desse tipo de reflexão, esta não veio do nada. Estive a poucos metros de um acontecimento que segundo os jornais é algo extremamente corriqueiro e segundo minha visão a respeito de pessoas desconhecidas deveria ser algo extremamente sem importância: um assassinato... ou pelo menos uma tentativa disso.
Já havia visto vários corpos estendidos pelas ruas antes, já havia visto atropelamentos, espacamentos e até outras vítimas de arma de fogo. Mas não lembro de ter escutado tão claramente o som dos disparos quanto ouvi hoje. Não dá pra confundir com o som de fogos de artifício, não dá. Também nunca havia sentido vontade de ver alguém caído, mas algo me puxou desta vez. Queria ver o que havia acontecido, e vi. Não foi algo legal de se ver. E o choro da esposa da vítima não foi algo fácil de se ouvir. 
Desconheço as razões que levaram àquela situação. Ouvi alguém dizer que ele era um ex-presidiário. Ouvi outro falar que ninguém leva quatro ou cinco tiros de graça, que ele deveria ter feito algo. Vi que um ser humano tem quase tanto sangue quanto os filmes de ação insinuam. E não consegui parar de pensar que -azarado como sou- poderia ter sido uma vítima de uma bala perdida. Talvez se eu houvesse saído alguns segundos antes da casa onde eu estava, teria visto a cena e poderia ter sido morto também como queima de arquivo. 
Eu poderia estar morto, de novo. E eu não quero morrer agora. Não que eu ache este mundo uma maravilha, ou que eu creia que tenho um longo caminho a trilhar ou ainda que eu tenho muito a oferecer... 
Eu simplesmente acho que eu deveria viver melhor, e mais.

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