quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Editora Dracaena lança Segredos, com prefácio de Aguinaldo Silva

“Quando, após o que eu chamaria de arranca-rabo, do qual participa boa parte dos personagens do livro, a matriarca da família Souza e Lima anuncia “Acho que nossos problemas estão se acabando”, o leitor certamente dirá: “E que problemas”! Pois problemas em literatura, vocês sabem, são provocados pela existência de boas tramas. E Segredos, este alentado romance de estreia de Bolivar Soares, é o mais pródigo em boas tramas dos muitos que li nos últimos tempos – tantas que eu, cultor do subgênero televisivo que sou, diria a vocês sem pestanejar: sim, esse livro daria uma ótima novela.
Mas não é telenovela o que Bolivar Soares faz em Segredos, é literatura, e a diferença entre uma coisa e outra não é apenas relativa.  Este, sem dúvida, é um romance; e o que posso dizer a respeito dele é que se trata de um romance como há muito tempo não se lia. Na contracorrente da literatura atual, que se esmera em mais sugerir do que dizer (e menos ainda em afirmar), em que tudo pode ser, mas nem sempre é, e por isso nunca rende mais do que 150 páginas em corpo graúdo, Bolívar faz uma verdadeira reversão de expectativa no gênero e produz uma obra que eu chamaria de versão pós-moderna de “Crônica da Casa Assassinada” (Lembram? Lúcio Cardoso, um grande, imenso, escritor, ora caído no mais injusto esquecimento).

Vejamos como a obra é apresentada:
“Um segredo encoberto há mais de 40 anos pela poderosa família Souza e Lima e o suspense em torno do assassinato da jovem Francis Mendes se fundem em uma trama de ambição, ódio e mentiras. A bela Luiza Mendes, engenheira de alimentos, instala-se na cidade de Gramado – RS, não só para descobrir o assassino de sua irmã, morta de forma hedionda, mas também para destruir os possíveis suspeitos do crime, os membros das poderosas famílias Souza e Lima e Guerra.
Em sua luta por vingança e destruição, Luiza não tem escrúpulos. Após infiltrar-se em um meio que acalenta ódio, Luiza não mede esforços para atingir seus objetivos, desencadeando uma trama de intrigas, traição e assassinatos a sangue frio. O que ela não imagina é ser avassalada por uma paixão arrebatadora e todo o seu ódio passa a não ter mais sentido”.

A apresentação é precisa e deixa bem claro aos que lerão Segredos, o que vão encontrar pela frente: o modelo clássico da disputa familiar, luxuosamente enriquecido pelas tintas do melodrama. 


Ao longo das 596 páginas do livro (no original), Bolívar Soares maneja suas várias tramas e suas dezenas de personagens com vigor e maestria. Tudo faz sentido, não há um deslize, um senão, e quando finalmente se chega à frase da matriarca dona Cecília, que já citei acima, a mais simples afirmação que se pode fazer sobre o autor é que ele é um mestre da tessitura.
Suas histórias se juntam e se separam como os fios de uma esmerada teia até que, no final, o leitor se vê diante de um desenho perfeito.

Esse trabalho de artesão, hoje tão raro em nossa literatura, é apenas um dos méritos do autor, mas não o maior, que é sua capacidade de criar histórias e jamais perder o fio delas.
Por isso, Segredos é um romance cujo final se persegue com verdadeira unção, pois só lá é que todos os mistérios afinal serão desvendados, todas as histórias se tornarão uma só e, então, como sempre acontece nos grandes romances, tudo fará sentido”.

Aguinaldo Silva
Autor de novelas da Rede Globo


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