sábado, 29 de dezembro de 2012

Sentindo frio no calor do Rio

A República da Felicidade Solar
Vejo as pessoas daqui circulando sob um sol fervilhante de quarenta e dois graus, exatamente como informa o termômetro digital sobre suas cabeças. Os prédios produzem falsas sombras de concreto, anárquicas do ponto de vista das árvores, sombra mais quente que um pedaço de brasa na coluna do seu raciocínio. E o povo caminha cada um para um lado, pensando na conta de luz, pensando na conta do mercado, no cartão, no presente, no cheque, no carro, no remédio, no ladrão. O povo pensa que andar igual todos os dias resolverá o problema da caminhada... Mas o pé se cansa... A cabeça sacaneia fingindo que desconhece o caminho. Depois, o tudo se esquece; deve ser quando retornamos ao nada.
O Sol do meu Rio ferve, tira da toca quem vive por ele, em função dele, para ele, para a praia, para a república da felicidade constante que as fotos preferem mostrar aos outros enquanto outros trabalham no escuro. A claridade tropical é a ausência parcial da introspecção, a queima dos empedrados que agonizam do outro lado.. Ou não?
Belas mulheres em seus carros conversam com as secretárias enquanto dirigem; engravatados falam ao celular, taxistas encostam para pegar os passageiros. Ônibus cortam vans, vans cortam ônibus, motos ultrapassam ambos. O sol queima pessoas e veículos, mas o menino dorme no chão embrulhado em seu lençol sujo... O outro corre e pega a bolsa da velhinha... O PM até olha, mas vai ter que correr muito, é melhor comunicar pelo rádio.
Preciso de uma cerveja. Paro em um bar e os bêbados parecem já acordar com a mesma cara de derrota do dia anterior, encarando seus copos e algum jornal popular...
- A Dilma é sapatão.
- Tá doido, Misael, ela tem filha...
- É, mas eu acho que ela é mais homem do que eu e você juntos.
Papo estranho... Dois pinguços questionando a sexualidade da presidente da república. Perguntei ao balconista o preço das cervejas e do salgado.
- É tleze leaisx!
Chineses... Antigamente eram portugueses os reis dos salgados e armazéns. Agora são chineses. 
Os portugueses me pareciam mais amigáveis.

Um cara magricelo pingando suor me entrega um panfleto na saída do bar, sexo com belas garotas por apenas 50 reais. Guardei o panfleto no bolso da calça.
Lá está o prédio... Calma Pitz, é só um emprego temporário... Você precisa dele. Entre e seja um bom menino. Esquece a tal arte da invisibilidade e faça tudo como deve ser.
- Pitz, você chegou  novamente com quarenta minutos de atraso!
- Pois é Senhor Onofre, eu desacostumei com o transito da cidade, piorou muito nos últimos anos.
- Foi o segundo atraso, no terceiro eu te mando embora.
- Ok.
O velho sabe que eu não vou conseguir terminar o mês naquela merda, nós sabemos.
Está calor, não está?
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