segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Estação Jugular, uma estrada para Van Gogh

Na primeira vez que li e resenhei um livro deste autor, seu trabalho caiu meio que de paraquedas em minhas mãos e eu desconhecia totalmente sua origem e procedência. Durante esta mesma leitura acabei passando por diversas epifanias, e ao seu término fiz questão de postar o livro aberto bem na minha frente e render palmas ao exemplar. Como ainda não havia me dado por satisfeito pelas informações consumidas, logo depois corri para a internet para pesquisar mais sobre aquele trabalho tão corajoso que parecia ter sido escrito por alguém com pelo menos uns 50 anos de estrada, tanto na vida quanto na literatura.
Minha pesquisa me levou a um escritor jovem, com cerca de oito livros já publicados, mas com energia verborrágica suficiente para lançar pelo menos mais algumas dúzias de boas composições. O jeito foi cutucar aquele sujeito, só pra ver quais outras palavras poderiam escapulir por entre seus poros. O jeito, foi ofertar uma coluna nesse mesmo blog para Allan Pitz , destruir certas barragens e deixar seus textos fluírem como um rio de forte correnteza. Assim nasceu a nossa Coluna Invisível.

Foi nesse meio tempo que foi relançado seu livro ‘Estação Jugular – uma estrada para Van Gogh’, cronologicamente anterior ao que citei acima, com uma estética bem diferente, mas ainda a mesma pegada lúcida. Mesmo que desta vez ele transite por caminhos bem lúdicos.

Quem está acostumado com os pés sujos de terra do autor, pode estranhar um pouco do seu desprendimento terreno nos primeiros capítulos deste enredo. Eu mesmo sentia como se estivesse lendo um bom livro, uma boa história, mas ainda assim algo sem a assinatura característica do escritor.
Cheio de boas intenções, segui em frente com a leitura. E justamente quando eu começava a me conformar com tudo que me era apresentado,... Não é que seus dedos surgem sem aviso por entre as páginas, rasgando-a em tiras, vindos diretamente de alguma fase escondida do seu próprio jogo, só pra avisar que estava lá o tempo todo. E se eu não pude vê-lo antes, é porque fazia parte da jogada me coagir a olhar pra cima enquanto as coisas na verdade aconteciam bem ao meu lado.

Em uma era que o mercado editorial só procura lançar livros escritos no ‘plural’, que gritam pra todos os lados feitos uma metralhadora na expectativa de alvejar um público já cansado de ser baleado pelo mesmo baixo calibre, esta obra abre caminho sussurrando feito um sniper por entre as outras. Um tiro só com alta precisão, bem certeiro,... No coração? Não. Na sua alma. Um trabalho limpo e pessoal que cria uma espécie de vínculo entre o assassino e sua vítima. Entre o autor e seu leitor. Enfim, trabalho de profissional.
O que estou tentando dizer, é que ao final desta leitura dificilmente você irá compartilhar essa experiência com seus amigos. Não é assunto a se tratar em mesa de bar. É mais como aquela conversa que se ouve e não se passa pra frente com medo de parecer indulgente. Mas toda vez que você detectar alguém com um olhar insólito, provavelmente irá se questionar se esse alguém passou por lá. Se ele já embarcou naquele estranho ônibus rumo à estação jugular.

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