sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

'O Canto da Sereia' pode marcar uma iconoclastia baiana na rede Globo

Não importa o quão longe e isolado seja o local que você escolheu para tirar suas férias, por mais longínquo que seja, aí pode não ter sinal da TIM, mas com certeza chega as imagens da Rede Globo de televisão e você já deve estar sabendo da super estreia da minissérie O Canto da Sereia divulgada exaustivamente pela emissora nos últimos dias. 
Esta serie tem seu enredo baseado em um livro homônimo de Nelson Motta. Caso queira conhecer um pouco mais sobre essa história, você pode CLICAR AQUI e ler um post do blog com a resenha desse livro onde eu também comento sobre a possível produção da série antes de ser anunciada na TV.
Agora vejam vocês, a série ainda nem estreou e eu já estou aqui para dar os meus 'parabéns' a Rede Globo. Não pela qualidade da produção, até porque, assim como todos eu só assisti as chamadas comerciais da serie. Mas sim pela emissora finalmente ensaiar os seus primeiros passos em direção ao século 21.

A Globo que já foi simbolo de inovação em questão televisiva (uma das maiores do mundo), ao meu ver, vem se arrastando em um ciclo de nostalgia sem fim, ressuscitando mortos sepulcros e repetindo variações do mesmo tema ás dúzias. Basta dizer que a emissora já revirou o túmulo de Jorge Amado tantas vezes que já pode ser considerado uma violação de sepultura. 'Dona Flor e seus 2 Maridos' e 'Gabriela' por exemplo, já foram explorados de todas as formas possíveis, ambas as obras já tiveram suas versões recontadas na formato de filmes, novelas, series, mini series, e quando você acha que acabou, eles arrumam um jeito de espremer uma nova atualização. 
Será mesmo que o Brasil, conhecido por sua rica diversidade cultural, não conseguiu produzir mais nada que mereça uma adaptação televisiva nos últimos cinquenta anos? Porra, já conheço essa putaria toda (literalmente) de cor e salteado, e caso eu queira relembrar essas histórias, vocês já fizeram o favor de colocar tudo disponível em DVD. Sério Globo, pode confiar em sua audiência. Eu assisti da primeira vez que vocês passaram, deixe as repetições apenas para o 'Vale a pena ver de novo'.

Porra, quero conhecer coisas novas. Quero saber o que está sendo produzido com a linguagem contemporânea, a mesma história com atores novos não é a mesma coisa (na maioria das vezes isso só denigre um clássico). Cadê a galera que ainda está viva e produzindo freneticamente? Cadê o Mario Prata? O Veríssimo? A Fernanda Young? O João Ubaldo Ribeiro? A Martha Medeiros... E o mesmo vale para esses autores decrépitos de novela (se liga aí Glória Perez).
Tá aí. Finalmente alguém dentro da Globo foi iluminado, e voltou os olhos da 'poderosa' para o trabalho literário do Nelsinho Motta que já há anos vem lançando algumas excelentes obras ainda sem o mérito e reconhecimento devido.
'O Canto da Sereia' foi uma excelente escolha. Tem um enredo surpreendente, dinâmico, quase um Pulp Fiction brasileiro (caso seja feito corretamente),... Mas sinto que ainda não é o ideal. Sei que essa atualização de autores já foi um grande passo, e é justamente por isso que digo que o próximo passo deveria ser para fora da Bahia. Nada contra o estado, mas já está na hora do público provar produções com outros temperos regionais, já está enjoando tanto azeite de dendê.
Vocês já pensaram em pesquisar algumas histórias da região Norte? Parece que desde 'Amazônia' (se liga aí Glória Perez 2), vocês nunca mais passaram por lá. Pois então vá, meu nego, pois então vá.
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Comentários
3 Comentários

3 comentários :

  1. Olha eu ja desisti de ver algo que preste na TV aberta, até a cabo anda meio vazia de conteúdo bacana.
    Mas você está certo, não me lembro de ver alguma obra de autores contemporâneos na telinha.
    Agora outra coisa interessante é a Bahia, eu como bom paulistano assumo que de modo ignorante sempre que se fala em norte e nordeste tenho como parametro a Bahia, até que fui para Natal mes passado e vi que é totalmente diferente, costumes, linguajar , comida... sendo assim norte então é uma região quase inexplorada.

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  2. Quase um Twin Peaks ao meu ver, versão tupiniquim!

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  3. "Pulp Fiction Brasileiro"? Calma cara, não se empolga tanto...

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