sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A política do “Entrego nas mãos de Deus”.

Andei reparando mais uma vez (como um ET deslocado e sem lar no planeta) “Demonstre ser feliz e integrado à normalidade imposta ou receba pedradas na frágil linha que divide o seu saco escrotal” - outro ponto bem intrigante da nossa boa humanidade. Deuses e Governos parecem compartilhar da mesma responsabilidade vital sobre os seres humanos. Entre o “a culpa é do governo” e o “eu entrego nas mãos de Deus” existe um degrau bem pequeno, quase imperceptível, que nos permite viver aos pés de dois nítidos pilares de sustentação.
Talvez “culpar os governantes” seja hoje mais como uma herança, hábito antigo nascido na época dos imperadores malévolos em que o corajoso (heroico) comediante sacaneava os nobres (merecedores de tal sacanagem) desfilando seus textos ácidos na praça do mercado e, depois, mostravam as nádegas ao fim de mais um escárnio público. O necessário com o tempo passou a ser costume, o homem pirou na ideia de “o governo democrático livre é ser como Deus na terra”, o maior provedor do povo, a resposta para tudo. Portanto o governo também acabou sendo culpado por pequenas e grandes faltas, por tudo o que ele, maior provedor da sociedade (representante dela), não conseguiu resolver. Aí entra em campo a grande força, aquela que nos observa com seu enorme binóculo espacial ditador de regras, que só trabalha no Cosmo celeste das benevolências palpáveis se dermos a ele alguns trocados (da moeda que inventamos) para comprovar nossa fé. 
Eu acredito em Deus, mas não acredito no homem ao manusear o que supostamente é de Deus. Não consigo cogitar a ideia de seguir um livro divino editado por homens que, com seu poder e controle, ergueram um império de tesouros (tesouros inventados por homens que lhes atribuíram valores). E outros impérios vieram! E ainda virão muitos mais!

Caramba, estou sambando novamente em areia movediça... Incentivo para mais textos voadores dizendo que literatura é palco para representar somente felicidade, carinho, equilíbrio emocional, maturidade e o cacete a quatro. Vá se foder... A literatura é um corredor com milhões de portas abertas, escolha a sua  como eu já escolhi a minha. Preciso de um café para terminar este maldito texto... Um café como máxima salvação. Já volto.
Voltei. 
Continuando o raciocínio de antes do café, aqui vai um exemplo:
Onde é depositado o lixo tóxico, e o que é feito com ele, o senhor sabe?
-Isso aí o governo é que tem que saber.
Ainda assim eu insisto martelar a questão no indivíduo:
- Eu quero saber do senhor, esqueça o governo, qual é a SUA postura sobre o lixo tóxico?
- Eu? Ora, meu amigo, eu sou uma pessoa humilde, entrego nas mãos de Deus. O ser humano é isso aí mesmo...
A vida é isso, o mundo sempre foi assim, Deus é quem sabe, entrego nas mãos de Deus, entrego nas mãos do governo, entrego nas mãos do destino, do futuro, da sorte. E em nossas mãos? Não ficará nada? Talvez não... Pois seremos eternos inocentes enquanto pudermos culpar os dois pilares que nos sustentam fiéis até hoje: O governo (figura do imperador cruel), e as forças mágicas do desconhecido.

(A grande mágica da vida é poder culpar alguém... Governos, encostos malignos, deuses, escritores brasileiros de ficção...)
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