sábado, 9 de fevereiro de 2013

Histórias de pais e da falta que eles fazem

Eu fazia uma pesquisa costumeira para um texto que pretendia escrever quando me deparei com uma matéria de revista que abordava justamente um ponto crítico do assunto sobre o qual eu queria dissertar. Procurando mais a fundo também descobri que aquela era apenas uma ponta de um imenso trabalho já desenvolvido sobre a questão. 
Após consumir todo aquele vasto material, gritei um sonoro 'Porra. É isso!' e cheguei a conclusão que seria mais sensato reproduzir esse conteúdo aqui no blog, pois nada que eu produzisse a respeito conseguiria ser tão completo quanto o que eu acabava de ler,... e assistir.

Sendo assim, peço a atenção de todos para os seguintes trechos abaixo da crônica de uma pessoa que cresceu sem um pai.
'Um pai de presente
Tenho na memória a imagem nítida: eu na escola pintando com guache a gravata de papel que mais tarde ficaria esquecida em algum canto da minha gaveta. Eu não tinha para quem entregar, mas não ia jogar fora o empenho que havia dedicado ao meu trabalho da arte. Nunca foi um drama e até por isso ao longo de anos a figura desse pai que não sei nem o nome e nem o rosto ficou esquecida na estante das "coisas que não são tão importantes".
(...)
Nasci e vivo num modelo do que hoje se classifica como "nova família". Acredito que pessoas são completamente viáveis em qualquer modelo de estrutura familiar. Mas nesse movimento moderno e crescente, quero sugerir e desejar a inclusão de novos papéis familiares e não a exclusão de outros. Ser humano precisa de afeto e atenção, e pai, quando existe, é importante, sim! Compromisso e responsabilidade com os filhos nos tornam mais fortes como cidadãos, mas dar carinho e apoio e ser leal à paternidade nos tornam seres humanos melhores, criamos em nosso entorno uma sociedade mais igualitária.

O Brasil vive uma epidemia de pais ausentes. Os movimentos sociais e a justiça se articulam em campanhas para trazer de volta à família a figura do pai. Muitas vezes a paternidade é tratada como um caso de Justiça ou apenas um mero acerto financeiro. Mas eu, como filha que cresci e sobrevivi sem meu pai, penso que esse pai deve ser convidado amorosamente para esse retorno. As histórias de pais e filhos são, acima de tudo, histórias de amor que precisam e devem ser vividas. Além de todas as responsabilidades jurídicas e financeiras, ter pai e ser pai é bom por inúmeras razões. Ao longo desses anos de pesquisa, ouvi relatos peculiares. Uma vez, em Porto Alegre, um menino me disse que queria ter um pai para jogar bola com ele. Outra vez, em Salvador, uma menina queria o pai porque as amiguinhas tinham e ela não. Mas o caso que mais me chamou a atenção e com o qual secretamente me identifiquei foi o de um porteiro em Brasília. Ele queria um pai para poder chamar alguém de pai. E como não tinha essa pessoa, chamava o filho de 7 anos de pai. Ele era um homem enorme, e o filho muito franzino. E vê-lo chamar o filho dessa forma soava um tanto estranho. Ninguém consegue explicar sentimentos, mas se hoje alguém te chamar de pai, retribua com um abraço. Você ocupa um papel muito importante na vida dessa pessoa. Se puder, nunca delegue essa função a ninguém. Do seu jeito, da forma que puder, SEJA PAI. Assim, contribuiremos para que futuramente tenhamos mais dias de paz(is).'

As excelentes palavras acima foram escritas pela cineasta Susanna Lira, e quem não teve preguiça de lê-las, nitidamente percebeu, assim como eu, que não teria como dizer algo melhor sobre o assunto,... A não ser que eu o tornasse 'malevolamente' pessoal.
O fato é que esse texto primoroso é apenas uma 'chamada' para a serie 'Em busca do pai' dirigida pela cineasta e exibida ano passado pelo canal GNT onde são apresentadas histórias de vida de pessoas que conviveram sem a figura paterna e como lidaram com o trauma que isso acarreta.
Mas se você também perdeu o 'time' da coisa e chegou atrasado no lance, não se desespere. Eu tive a sorte de encontrar no youtube dois episódios completos da série que você pode assistir dando play nos vídeos abaixo. O primeiro está inteiro e completo, mas o segundo está dividido em partes, portanto a primeira está aqui e as outras você encontra fácil pelo youtube.

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Comentários
1 Comentários

Um comentário :

  1. Cara vou te falar, ta foda acompanhar o ritmo das postagens heimmm, atividade sem parar nem no carnaval rsr, melhor assim.
    Maldito, eu faço ´parte deste time, o time dos " sem pai", alias é uma coisa bem estranha de explicar, tive dois que não valeram por 1, mas o fato é que esse texto mecheu comigo assim como a serie que vi alguns episódios.

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