quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Nove Mortes

Nove Mortes (Nine Dead)
Diretor: Chris Shadley
Roteiro: Patrick Wehe Mahoney
Ano: 2010
País: EUA
Atores: Melissa Joan Hart, William Lee Scott (Efeito Borboleta, 60 Segundos, Pearl Harbor), John Terry (Lost, Zodíaco)

Nove pessoas acordam aprisionadas num lugar sem móveis ou janelas. Todas algemadas em barras de ferro que as mantém distantes o suficiente umas das outras. Assim inicia-se Nove Mortes.
Em meio a agressões gratuitas e tentativas rasas de descobrir o porquê daquilo estar acontecendo, um misterioso mascarado adentra no local e dá dez minutos para descobrirem qual a conexão entre eles. Passado o tempo, caso não descubram, matará um para em seguida dar mais dez minutos. Ou descobrem ou morrem, um a um, de forma aleatória.
Dá-se então início à uma sucessão de conversas/agressões e todo tipo de reação, visto que trata-se de um grupo nada homogêneo.

Existem dois pontos fortes em Nove Mortes. O primeiro encontra-se nas entrelinhas. Em meio a momentos óbvios e outros nem tanto, somos apresentados (Como se fosse novidade...) a como o ser humano consegue ser egoísta, preconceituoso e capaz de tudo para manter a fantasia social de uma vida correta. A maneira como se protegem, mentem e colocam-se distantes de tudo ali relacionado, acaba sendo visto como um reflexo de uma sociedade fútil, egoísta, que não pensa em nada além da satisfação pessoal e no agora. Pouco se importando com a possibilidade de certos atos acabarem influenciando/destruindo vidas de pessoas (Vide o excelente/triste Monster-Desejo Assassino de 2003). Afinal, o próximo só existe se te favorece, e o mesmo vale quanto a ajuda-lo.
Mas os dez minutos passam e mortes vão acontecendo, deixando claro que a única alternativa é conversar e descobrir o que os conecta. Mas como montar um quebra-cabeça composto por nove egos inflados/machucados que tentam se manter distantes daquilo que não sabem, ou fingem não saber? Afinal, obter respostas, mesmo que falsas, podem dar a ideia de que um ponto final foi dado. Mas qual a necessidade disso se o ocorrido não pode ser desfeito? Desespero? Egoísmo? Falsa segurança? A única verdade, até então, está na forte presença da omissão e da mentira, colocadas de acordo com a necessidade. Os sobreviventes vão até onde podem, até que, não tendo mais para onde fugir/esconder, começam a se abrir, devido ao desespero por não querer morrer, nos apresentando uma nova faceta, voltando à velha ideia de que toda ação causa uma reação.
Em meio ao turbilhão envolvendo egos obrigados a desnudar-se de tudo que os protege, acabamos vez ou outra, nos identificando com posturas, frases e ações. Mas agora, nem eu e você nos manifestamos. Ninguém olha para o maluco, assassino ou aquele que fez tudo por dinheiro e diz: “Nossa! Igual a mim!”. Deixemos isso para as comédias românticas e outras películas que enaltecem nossa auto-imagem fantasia.

Esse é o mérito de Nove Vidas. Por tudo que é apresentado nas entrelinhas, deixando a história quase que de lado. O segundo ponto forte é o final. Queria falar sobre, mas um único detalhe pode acabar entregando-o... Assista e tire suas próprias conclusões...
E qual o pensamento que tirei sobre? Todo ser humano é capaz de impressionar, tanto pelo positivo quanto pelo negativo. E se um dia você achar que está de frente ao limite, pode ter certeza de que, cedo ou tarde, alguém te surpreenderá indo mais longe ainda.
Eu até encontrei o filme completo no youtube, mas infelizmente encontra-se em francês ou inglês, ambos sem legendas.


Conheça um pouco mais do trabalho do colunista Gerson Couto no livro '3355 Situações que você deve saber para não morrer como nos filmes de terror'
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