segunda-feira, 18 de março de 2013

Chagas da Condenação

Com tantas referências atuais sobre zumbis, fim do mundo, apocalipse e similares, nós podemos ser levados a acreditar que existe um certo padrão a ser obedecido, por qualquer tipo de mídia, na hora de abordar o assunto. Qualquer coisa que saia fora dessa linha, aparentemente pré-determinada, pode causar espanto e até torcer alguns narizes. Refiro-me basicamente a manjada metodologia do bom mocinho tentando salvar sua amada (ou mantê-la viva) enquanto enfrenta os perigos (sobre)naturais de uma terra devastada, e investidas cruéis de vilões sem caráter.
Daí por diante basta escolher alguma criatura apavorante dentre tantas conhecidas e aptas para povoar um mundo pós-apocalíptico, rechear a história com elas, e esperar ansioso pelo triunfo dos ‘good guys’. Uma lógica bem fácil.

Mas que tal se fizéssemos um pouco diferente? Ao invés de uma, coloquemos várias (se não todas) criaturas sobrenaturais coexistindo no mesmo mundo devastado, zumbis, lobisomens, e até vampiros (os de verdade). Troquemos o tradicional herói jocoso, provavelmente um militar ou ex-policial, por um cara comum que aprendeu tudo que sabe sobre armas jogando horas de videogame. Alguém que não ficaria sofrendo dias por suas perdas, mas que se adaptaria facilmente a essa situação catastrófica, como se esperasse por isso a vida toda. Imagine ainda, se essa figura fosse do tipo que arriscasse sua pele por uma boa transa, mas jamais pagaria pra entrar no velho clichê de mocinha e bandido...

É claro que jamais veremos um argumento destes em uma produção gringa, seja ela qual for. Além do mais, uma situação caótica como esta só poderia ocorrer mesmo em um país pobre capitalista como o Brasil, mas precisamente, no Rio de Janeiro. E apesar de ‘neurótica’, essa visão de fim de mundo não é tão improvável, pois é justamente o que você encontrará nas páginas do livro Chagas da Condenação do escritor Victor F. Miranda, lançado pela editora Dracaena. Uma história onde o autor se desprendeu de todos os elementos ‘épicos’ do gênero, e optou por sublinhar as partes básicas de uma situação de sobrevivência, as relações humanas.
Depois de ler e assistir tanta coisa relacionada ao assunto, pela primeira vez consegui me sentir totalmente inserido em um mundo condenado. Parte pelo cenário que traz um Rio de Janeiro de verdade, e não uma cidade fictícia que tem nome brasileiro mais hábitos e cultura americanizados. Parte pela mesma brasilidade aflorada nos personagens que nada tem a ver com o estilo ‘superpower’ dos gringos. E totalmente pelo humor insipido, também produto nacional, que sempre ocorre nos momentos mais impróprios.

Pra ser exato, ao ler Chagas da Condenação me senti como se estivesse com uma bela saga de história em quadrinhos em mãos, algo bem voltado para a linha Vertigo. Não sei se foi intencional, mas ao transcorrer da leitura praticamente podia visualizar os acontecimentos desenhados quadro a quadro.
Acima de tudo uma leitura extremamente divertida, e uma quebra no paradigma enfadonho do mercado que vem transformando as criaturas sombrias que docemente 'aterrorizaram' nossa infância no passado, em algo que temos vergonha de apresentar aos nosso filhos.

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