sábado, 9 de março de 2013

O velho Bukowski perguntou: 'Então você quer ser escritor?'

Na data de hoje (9 de março) se completa dezenove anos desde o falecimento do grande poeta, contista e romancista Charles Bukowski, um dos escritores mais obscenos do século passado, e no caso o meu favorito. Além de minha fonte maior de inspiração.
É claro que a data é um marco importante, não só pra mim, mas creio que deva ser para a literatura em geral. Ainda sim, resolvi não me prestar a fazer uma  retórica 'homenagem' ao velho Buk, acho até que o próprio me repudiaria por isso e provavelmente berraria comigo algo do tipo: 'Deixa de ser idiota! Não Vê que estou morto? Não posso te ler, ver e nem ouvir. Sua homenagem me valeria menos que um saco de peido!'. 
Quem já leu o cara, entenderá o que estou dizendo.

Ao invés de cair em tal clichê, resolvi tentar algo diferente. Decidi bater na tampa do caixão do velho (Toc-toc, Bukowski! Toc-toc, Bukowski! Toc-toc, Bukowski) e convidar sua alma cansada para nos honrar com um post aqui no blog. É isso mesmo que você leu. E por que não? Tá cheio de gente regravando com a voz de cantores mortos, então porque eu não posso ressuscitar um escritor morto?
Peguei um livro de coletâneas de poesia do cara, fechei os olhos, e folheei suas páginas aleatoriamente durante alguns segundos até parar em algum texto qualquer. Mentalmente perguntei 'E aí camarada? O que você quer nos dizer depois de tanto tempo fora de ação?', em seguida abri os olhos.... E não é que o 'filhodaputa' me respondeu com outra pergunta.
Então você quer ser um escritor?
Se não estiver explodindo em você. apesar de tudo, não escreva.
A não ser que saia espontâneo e sem permissão do seu coração, da sua mente, e da sua boca, e suas entranhas. Não escreva.
Se você tem que se sentar por horas encarando a a tela do computador ou debruçado sobre o sua máquina de escrever procurando as palavras. Não escreva.
Se você estiver fazendo isso por dinheiro ou fama, não escreva.
Se você estiver fazendo isso porque quer mulheres em sua cama, não escreva.
Se você tem que sentar lá e reescrever de novo e de novo, não escreva.
Se der o maior trabalho só de pensar em fazer, não escreva.
Se você estiver tentando escrever como outra pessoa, desista.

Se você tiver que esperar até isso rugir dentro de você, então espere pacientemente.
Se esse rugido nunca sair, faça outra coisa.
Se você tiver que ler primeiro para sua esposa, ou para sua namorada ou seu namorado, ou para seus pais ou a quem quer que seja, você não está pronto.

Não seja como tantos escritores, não seja como tantos milhares de pessoas que se dizem escritores, não seja chato, estúpido e pretensioso, não se deixe consumir pela vaidade.
As bibliotecas do mundo bocejam até dormir sobre tipos assim. Não aumente isso. Não escreva.
A não ser que saia da sua alma como um foguete, a não ser que isso faça-o levar à loucura ou suicídio, ou assassinato, não escreva.
A não ser que o Sol dentro de você esteja queimando suas vísceras, não escreva.

Quando for realmente o momento, e se você for escolhido, ele irá fazê-lo por conta própria e continuará acontecendo até você morrer, ou isso morrer em você.
Não há outro jeito.
E nunca houve outro.

Não sei quanto a vocês, mas coincidentemente era tudo que eu precisava ouvir, e creio que muitas outras pessoas que trabalham direta ou indiretamente com a literatura também... Quando li essas palavras, chegou a me arrepiar os pelos da nuca.

Fiquei ainda mais surpreso quando encontrei o mesmo poema recitado pelo próprio Bukowski em um video no youtube que você confere abaixo.
Bebemos Bukowski!
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