sexta-feira, 5 de abril de 2013

Contando com um pouco de sorte

Procure a sorte nos escombros lunares

Quando as palavras fogem, fica difícil encontrar a lógica. Procuro nos escombros, na mata, na cidade, nas garrafas, nas pessoas..., e nada de encontrar as sacanas. Estão dentro da minha cuca (de repente sempre estiveram lá), mas não querem sair; hoje não querem colaborar comigo.
Saio eu, então, em busca de ar puro, de palavras, de motivação. O dia está agradável lá fora. As nuvens dançam nublando e clareando o céu, brincando de fazer outono, e de trazer assim as sensações agradáveis da estação. Se eu fosse poeta seria o momento certo para escrever, mas eu não sou poeta. Tenho um livro de poesias publicado no velho continente, outro aqui, mas nem sei o que é a tal poesia de verdade. São apenas berros. Os meus velhos poemas são berros estúpidos buscando rima.  Detestáveis.
Passo por uma rua estreita e bem arborizada... Amendoeiras, dos dois lados. Um caminhão da prefeitura fazia a poda de uma delas, bela árvore.
- AMARROU BEM, MIGUEL??
- JÁ FOI! PODE SERRAR!
O camarada que estava no alto amarrando desceu, o outro enfiou a serra elétrica no galho enorme. Quando puxaram, o nó desamarrou com o peso e o galho caiu no muro de uma casinha.
- TÁ AMARRADO NÉ, SEU VIADO? AMARRADO QUE NEM O TEU CU!!!
- Ih, caraca... Foi mal...
Um casal de idosos saiu do interior da casa gritando absurdos.
Fui caminhando para não rir na frente deles. A Dom Hélder Câmara é uma avenida extensa que liga vários bairros do subúrbio carioca, e eu não desgosto dela não, muito pelo contrário. Caminho no sentido Del Castilho, depois eu paro e tomo um Chopp antes da Rua da Abolição. É um lugar de passagem, geralmente as pessoas olham para o relógio, esperam nos pontos de ônibus, caminham apressadas. E eu estou lá, parado, entornando tulipas e pensando algo relevante para a coluna... Vagabundeando, como se diz no popular.
- Mais um Chopp, meu camarada!
- Positivo.
Mais dois, mais três, mais quatro. Você percebe que está bem fodido, as ideias são rasas, confusas, não está rolando nada. Não é o dia. Pago a conta e sigo caminhando de volta para casa. Antes procuro a banca de jornal, compro o jornal do dia e uma raspadinha da sorte.
As notícias do jornal são todas umas bostas, como sempre... Mas a raspadinha me deu 100 reais!
- Aqui, Bileco, eu ganhei 100 reais! Dá pra trocar na banca mesmo?
- Claro. Você tá com sorte.
- É. Um pouco de sorte não vai me matar.

Sorte... Coisa maluca que só se encontra quando não está procurando. Como as palavras aladas que invadem o pensamento apenas quando querem, deixando seu rastro inevitável de veneno ou açúcar.
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