sexta-feira, 19 de abril de 2013

O triângulo amoroso bizarro

A colunista que me amava em demasia
Ou o triângulo amoroso bizarro

- Você não acredita por quê?
- Simples. Uma escritora do calibre dela, em primeiro plano, não se preocuparia em alfinetar você.
Geraldo votava sempre em favor de minha possível esquizofrenia. E eu, para não sair mais louco e derrotado que antes, propunha brindes.
- Está certo, deve ser piração.. Mas os meus livros e os dela estão nas mesmas livrarias. Quem me garante que ela não leu algum...? Quem me garante que a cretina não lê a coluna no DpM?
- Enfim...
- É... enfim. Ela leu. E ponto final.
Por três domingos seguidos a colunista do grande jornal martelou contra a teoria invisível, nas entrelinhas. Depois seus textos dominicais pareciam quase responder os meus textos de sexta. No começo acreditei ser mais uma de minhas utopias. Depois fui vendo que não. E achei até legal.
- Então ela te ama. Ódio também pode ser amor, Pitz. Não é assim que falam?
- Que seja. Cambada de relativistas sebosos.. Burgueses de ofício.
- Amém! Vamos beber mais?
- Não. Vamos embora. Meu fígado anda me sacaneando ultimamente.

Paguei a conta e saímos do bar. O melhor do Rio de Janeiro não é só a alegria praiana do dia, em minha modesta opinião, mas também os grunhidos alucinados noturnos; toda aquela euforia desmedida, que nem mesmo o famoso dia de praia deu conta de amenizar. Minha vontade é apenas andar, pura e simplesmente andar olhando as coisas ao redor. Meus amigos entendem quando o cenário me toma o sentido furtando a fala. Não existe outro som capaz de superar o som da noite se preparando em roupa de festa. Impossível também superar a visão das luzes, os cheiros, as pessoas. Eu gosto desse movimento. Posso entrar em suas cabeças e provar das expectativas, posso tentar sentir pelos olhos de cada um aquilo que esperam da noite antes de adormecer. Quisera eu poder olhar pelos olhos de cada um, antes de adormecer para a vida.
- Pitz...
- O quê?
- Você entrou nessa para ser amado ou ser lembrado?
- Nessa de escrever, você diz?
- Ahã.
- Eu nem sabia que tinha entrado em nada. Os leitores é que foram chegando e dizendo. Quando vi já estava preso nesse triangulo amoroso. Nunca tive a pretensão de ser amado ou lembrado, meu amigo. Eu só queria escrever. E, sinceramente, hoje eu só quero andar.

(O colunista invisível, em nome de toda a equipe DpM, agradece de coração aos grandes escritores que nos leem. Muito obrigado e voltem sempre. Não se esqueçam de comprar a camisa oficial em nossa lojinha, o Paiol do Mal)
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