quarta-feira, 5 de junho de 2013

'Alucinações do Passado', o filme que inspirou o terror psicológico do jogo Silent Hill

Alucinações do Passado (Jacob’s Ladder)
Diretor: Adrian Lyne (Atração Fatal)
Roteiro: Bruce Joel Rubin (Ghost-Do Outro Lado da Vida. Impacto Profundo)
Ano: 1990
País: EUA
Atores: Tim Robbins (Sobre Meninos e Lobos), Elizabeth Peña (Transamerica), Danny Aiello (Era Uma Vez na América. Madonna-Papa Don’t Preach), Macaulay Culkin (Anjo Mau. Esqueceram de Mim)

Jacob e os outros estão na guerra do Vietnã quando se vêem no alvo de um ataque surpresa. Desprevenidos, lutam como podem em meio à carnificina que se instaura. Sorte ou não, Jacob é resgatado com vida. Daí em diante, somos apresentados à sua nova e, à primeira vista, decadente vida. Abandonou a esposa e filhos para viver com uma nova mulher no Brooklin. Em meio às lembranças de seu filho mais novo, que faleceu, segue uma rotina sem graça como carteiro, porém composta por cicatrizes emocionais, traumas e visões perturbadoras que o colocam num caminho sem retorno.
Tentando entender o que acontece, Jacob mergulha em tudo que lhe é apresentado, iniciando uma viagem onde as coisas não conseguem ser definidas, por mais que se apresentem. Novos caminhos são apresentados, deixando protagonista e espectador igualmente impressionados.
Todos os personagens são significativos, especialmente seu filho mais novo e o quiropata, este facilmente como uma metáfora quanto à preparação para o próximo e definitivo passo, cada vez que Jacob a ele se entrega, desejando que as fortes dores de coluna desapareçam. Tais cuidados sempre são acompanhados de reflexões, conversas densas sem influência de medos, traumas ou fatores externos. Talvez o único lugar onde Jacob realmente olhe para aquilo que acontece, sem pré-julgamentos como loucura ou racionalidade.
Logo no início, vemos Jacob com o livro O Estrangeiro, de Albert Camus, seu romance mais famoso, parte de uma trilogia que narra sobre o absurdo. Talvez, a presença deste livro (também noutra cena) no filme seja um aviso de que tal encontra-se em nossas vidas muito mais profundamente do que imaginamos. Que nossas vidas sejam um absurdo até o momento em que acordamos e subimos a escada, num trocadilho quanto ao seu significado na história.
Entre cenas na época consideradas vanguarda e outras mais, Jacob nos transforma em companheiros durante sua estranha caminhada, brincando com nossa percepção até o último momento, ao mesmo tempo que pistas variadas são tranquilamente apresentadas dentro do contexto de tal forma que acabamos recebendo-as como algo trivial na história. Uma única linha apresentando uma série de realidades.
Sua estética visual, cheia de tons frios, lembra bastante o filme Fome de Viver (1983), apesar da total distinção das histórias. E o jogo de cores acaba sendo muito mais que um cuidado estético-visual, mas um indicador de metáforas e importantes significados.

Um filme denso, cerebral, que apresenta uma faceta muito curiosa, afastando os espectadores mais preguiçosos. Uma fagulha de tempo pode conter anos de sofrimento e perturbações. E depende de cada um saber aceitar aquilo que foge das nossas mãos e dar o próximo passo.
Se você ainda insiste em classificar o gênero como sinônimo de putaria adolescente e mortes seja lá como elas aconteçam, está na hora de assistir Alucinações do Passado (e muitos outros títulos). É melhor você se preparar.
Em 1991, Adrian Lyne ganhou o prêmio Avoriaz Fantastic Film Festival nas categorias Audiência e Crítica.
Para os gamers de plantão, caso ainda não saibam, Alucinação do Passado serviu de inspiração para a criação do terror psicológico explorado no jogo Silent Hill, que teve sua ambientação totalmente baseada nas luzes utilizadas na produção do filme.

E qual o pensamento que tirei sobre?
Às vezes o caminho mais fácil é o mais difícil.
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