terça-feira, 18 de junho de 2013

Perturbação Interna - Onze professores e um segredo

O que fazer quando, do nada, você começa a receber e-mails com relatos sinistros de um desconhecido? Bom, eu resolvi publicar aqui no blog! 
Para isso eu criei essa sub-coluna intitulada 'Perturbação Interna' onde venho postando, para dividir com vocês, essas conturbadas palavras que insistem em chegar a minha caixa de entrada.
Eu sinto como se eu estivesse sendo tratado como um retardado quando uma reunião começa com um vídeo motivacional. Pode ser trecho de filme, vídeo baixado da internet, ou, pior ainda, aqueles powerpoints com frases de efeito e fotos de pessoas sorridentes.
A situação do ensino é desesperadora, as instruções pedagógicas são contraprodutivas, o comportamento dos alunos é pior do que o de bandidos (é sério, conversei com um colega que dava aulas em um projeto com presidiários),  a situação vai de mal a pior, e apesar de tudo isso, como se fôssemos idiotas, os coordenadores insistem em começar suas reuniões com uma porra de um powerpoint com solos de piano e fotos de filhotes de gato.
E sabe o que é pior? Isso funciona.

Não comigo, mas sabe aquele esquema de ilusões que eu falei, aquele comportamento humano de precisar acreditar em alguma ilusão para suportar a infelicidade da vida?
Então, o nível de compreensão da realidade é tão baixo em algumas pessoas que qualquer meia dúzia de palavras bonitinhas já são o suficiente para enchê-las de energia e fazê-las passar por mais um dia de merda com um sorriso no rosto.
Teve um desses powerpoints que fez tanto sucesso que meus colegas professores pediram uma cópia doa arquivo com tal pérola.
A coordenadora, toda solícita, prontamente ofereceu seu pendrive para que os professores pudessem multiplicar essa maravilha pelo mundo, toda feliz por conseguir plantar sorrisos com seu powerpoint conseguido em meia hora de pesquisa em sites de viadagem (não tenho nada contra o homossexualismo, odeia apenas a viadagem, seja cometida por héteros ou homossexuais).
Fiz questão de pegar o tal pendrive, levo meu netbook para essas reuniões para ter o que fazer, como, por exemplo, escrever esses textos que lhe envio.
Fiquei colocando e retirando o pendrive enquanto ele executava algum arquivo até queimar os contatos daquela porcaria.
No final da reunião, a coordenadora tentou passar mais um dos vídeos lindinhos dela que estava no pendrive, mas, é claro, não conseguiu.
Com cara de bunda murcha, ela buscava a confirmação do funcionamento do pendrive com aqueles que tinham baixado o arquivo, eles confirmavam, cada vez olhando mais para trás na sala, e eu expliquei: “Olha, eu não consegui não, acho que alguém tirou o pendrive antes de aparecer a mensagem de confirmação de ejeção de periférico USB e acabou queimando os conectores.”
Os professores que haviam confirmado o funcionamento do pendrive também ficaram com cara de bunda murcha, muitos nem sabiam o que era a tal ejeção de periféricos.
O resultado foi que a reunião terminou alguns minutos mais cedo e o demônio tentava sorrir usando a minha boca.
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