quarta-feira, 12 de junho de 2013

Phenomena

Phenomena (Phenomena)
Diretor: Dario Argento
Roteiro: Dario Argento
Ano: 1985
País: Itália
Atores: Jennifer Connelly (Labirinto. Uma Mente Brilhante), Daria Nicolodi (Opera), Fiore Argento (Demons)

O ano é 1985 e, em meio à safra de criatividade da década, uma obra-prima do terror dirigido pelo consagrado Dario Argento, pai de Suspiria, Mansão Terror e Demons, Phenomena apresenta Jennifer, a jovem filha de um famoso ator (Paul Corvino) que, atualmente em sua nova produção, envia a filha a um colégio para moças na suíça, especificamente numa região conhecida como a “Transilvânia suíça”, pois ficará nas Filipinas por quase um ano.
Enquanto depara-se com certa rigidez em sua nova escola, descobre que garotas estão sendo assassinadas sempre que cometem algum deslize, como descer do ônibus no lugar errado ou permanecer sozinha à noite após o namorado partir. Logo nas primeiras noites, ao ter uma crise de sonambulismo, ela é levada a sair da casa e, por sorte, termina na casa do professor John MacGregor, um estudioso de insetos. O único que aceita o estranho dom da jovem. Conversar com insetos e, através dos mesmos, aproximar-se do assassino e das mortes.
Personagens marcantes, como o professor John MacGregor, interpretado por Donald Pleasance (conhecido por dar vida ao Doutor Loomis, em Halloween), sua macaca de estimação, além da própria Jennifer Connelly, que, curiosamente, tem o mesmo nome de sua personagem. A beleza da jovem atriz é cuidadosamente explorada, algo que, convenhamos, não é difícil de ser mostrada.
Phenomena, à primeira vista, soa como fantástico, mas logo mostra-se uma história singular e impressionante dentro do gênero terror. Talvez, dirigido por outro, tivesse se transformado numa bomba. Mas Dario Argento mantém a seriedade e lógica dentro da realidade apresentada, nos apresentando uma história que mais parece um pesadelo onde coisas acontecem sem explicação, mas nunca soando como incoerentes, Phenomena nos obriga a aceitar a viagem proposta, pois somente assim é possível encontrar a coerência do que é apresentado. Algumas coisas são como são, e ponto. Temos de nos dar por satisfeitos com o que nos é apresentado, não saber certas coisas e aceita-las como são podem ser a melhor resposta. Nossa curiosidade grita por todo o filme, o diretor parece saber disso e faz questão de nos deixar sedentos. Então você entende por que o diretor também é o roteirista.
Os jogos de iluminação, aliados aos enquadramentos, são de uma beleza impressionante. Mas vão além do estético, transformando-se em parte do decorrer. Vide as cenas das janelas sendo acesas. O mesmo para a trilha sonora, composta pela banda Goblin, perfeitamente encaixada em todos os sentidos, dando a intensidade certa, além da curiosa presença de canções do Iron Maiden e Motorhead.

Muitas vezes nossa relação com o filme pode estragar a obra e aceitar que muitos deles exigem de nós mais que uma passividade mental diante da tela. É preciso se desarmar, aceitar o que não é concebível em nossa realidade e, pelo tempo da película, acreditar no que é apresentado. Se não, o diálogo entre filme e espectador passa a não existir, e esse diálogo é necessário. Além de limitar enormemente o espectador.
Atualmente, um filme que fica nesse limiar entre o excelente e a baranguice é A Dama da Água. Não faço aqui uma comparação de qual é melhor, mas sim um exemplo mais recente de um trabalho que vai, do início ao fim, nesse limiar sem oscilar e que, ao mesmo tempo, nos exige uma mente aberta para que seja aceito.
Phenomena pode ser um filme difícil para os de mente fechada. Mas se você se permitir, estará diante de uma obra inesquecível e densa.
E qual o pensamento que tirei sobre?
Quando assistimos um filme, temos de aprender a viajar com ele e aceitar o que é apresentado. Se conseguimos mastigar a própria comida, também podemos pensar sobre o que assistimos e deixar de lado esse pensamento passivo: “vou assistir um filme, portanto, não mexerei um neurônio sequer. Apenas receberei.” Além disso, como o diretor pôde fazer Mãe das Lágrimas? Após tantos trabalhos inesquecíveis, é inacreditável que tal exista. Assista e tire suas próprias conclusões. Tudo que posso dizer é como se uma história dividida em dois filmes começasse com Apocalipse Now e terminasse com American Pie.
O filme encontra-se completo no Youtube. Assista clicando aqui!
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