sexta-feira, 7 de junho de 2013

Sobre Diabos, Ladrões e Vagabundos

Sobre Diabos, Ladrões e Vagabundos

Mais um dia se aproxima. Você acorda e entra no ringue das horas, mais uma vez. Você se livra dos pensamentos involuntários que o cercam visando loucura, e se serve de um café fresco, porém ralo, como seu próprio sangue aguado, e pensa que sumir talvez seja melhor que aparecer.
Você até ontem era diferente, cara, você andava pra lá e pra cá, você trabalhava mais, sonhava mais, falava melhor (sobre temas piores)... Você ainda esperava que as pessoas pudessem tirar coelhos das cartolas; mas aí o tempo veio e convenceu-lhe de que não existem cartolas, e os coelhos são poucos.

- 650, Norte Shopping, Dom Hélder direto!! Alguém vai?
Eu vou. Kombi, ônibus, trens, carros, discos voadores, pula-pulas, Alces... Eu vou olhando a paisagem do caos e pensando coisas que não quero pensar. Comprando coisas sem querer comprar, e talvez já vivendo sem querer viver.
- Aí barbudo, perdeu!! Passa a carteira e o relógio.
- Eu só tenho dez paus na carteira, isso aqui é um Casio velho, camarada.
- Me dá essa porra!!
Voei no diabo. A primeira bala passou zunindo perto da minha orelha esquerda, aí eu controlei o bracinho magro dele até a arma cair, mas ele não tinha tantos cigarros e garrafas na carcaça, a outra mão foi desferindo socos nervosos com certa precisão.
Um golpe de sorte... Quebrei a mandíbula do zumbi com um gancho curto de direita. Bem encaixado, coisa de cinema. Sangue na roupa, gritaria, corre, corre.
- Você não vem mais, Pitz?
- Voltei pra casa. Avisa ao Galleti que amanhã eu levo o material. Aconteceu um monte de merda na rua, a cabeça não está boa não, Valdir.
- Tá ok... Eu falo com ele. Mas não vai furar hein?
- Que furar... Qualquer coisa vai por sedex, é papel mesmo.
- Tá certo. Vou confirmar amanhã, então.

Você está em casa, mas a casa não é sua... Você está na sala dos outros, cercado de lixo, aclamado grande vagabundo, invasor, humilhado, ferido, barata... Porém aquela bala, aquela última engatilhada no fim dos dias não será para mim. Aquela estúpida forca não abraçará meu pescoço na alvorada, e, aquela faca apontada cortará suas ilusões ao meio, como um dia cortou o meu amor mais humano em pequenas partículas espaciais invisíveis.

Que venham, venham todos os demônios terrestres, eu ainda estou de pé. E, na outra dimensão (pasmem), eu ainda pretendo continuar de pé, tomando o meu vinho ao lado de grandes caras.
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