segunda-feira, 29 de julho de 2013

Artista da Marvel quer relançar um dos primeiros heróis brasileiros

Mike Deodato Jr., desenhista da Marvel, planeja relançar alguns dos trabalhos de seu pai, o quadrinista Deodato Borges, como o personagem Flama --um dos primeiros super-heróis brasileiros-- e "3000 Anos Depois", obra que lançaram juntos em 1984. A editora Opera Graphica, responsável pelo álbum, também planeja uma coletânea das histórias de terror lançadas pelo autor nos anos 1980.

"3000 Anos Depois", uma ficção científica pós-apocalíptica em que a humanidade enfrenta uma invasão alienígena após a Terceira Guerra Mundial, deve sair no final do ano em comemoração aos 30 anos de seu lançamento. A obra, que também teve edições na Alemanha e nos EUA, contará com uma nova capa desenhada por Deodato Jr., entrevistas com os dois autores e textos discutindo a obra.

"Essa é a oportunidade de publicar uma história mais longa dele, que só teve algumas obras mais curtas, de meia página até oito, no máximo", diz o editor Franco de Rosa, da Opera Graphica, responsável pela publicação --que terá 32 páginas.
Rosa também organiza a coletânea, ainda sem nome definido, de algumas histórias de terror lançadas por Deodato Jr. entre 1983 e 1986, através de editoras nacionais independentes e fanzines. Um dos principais atrativos do projeto será a história do personagem Ramthar, publicada originalmente na versão alemã da revista "Heavy Metal", em 1986. O quadrinista diz que foi seu primeiro trabalho no exterior.
De acordo com Rosa, nem todas as histórias foram definidas. "O Deodato fez muita coisa em fanzine que a gente está descobrindo ainda. Tem tanta que coisa que nem ele lembra", conta ele. O projeto deve sair em 2014.

INFLUÊNCIA
Flama é conhecido como um dos primeiros super-heróis brasileiros e, além de ter quatro edições impressas nos anos 1960, foi o protagonista de radionovelas em diversas rádios na Paraíba por cerca de oito anos --de 1959 a 1967, de acordo com o quadrinista.
Ele conta que seu pai tinha criado o personagem na adolescência. Anos mais tarde, enquanto dirigia algumas rádios na cidade de Campina Grande (PB), teve a oportunidade de produzir uma novela de Flama. "Ele mesmo interpretava. Era um grande sucesso. As gravações aconteciam em um auditório e ele saía distribuindo fotos com a máscara do personagem e carteirinhas de 'agentes do Flama' para as crianças", diz.

De acordo com Deodato Jr., o herói não tinha superpoderes. "Ele era como o Batman. Usava a inteligência e a própria força para combater o crime", fala. "Era tudo bem ingênuo, como tudo daquela época."
Com o sucesso das novelas, seu pai decidiu lançar a revista em quadrinhos do personagem. "O primeiro número mal saiu e tinham filas e filas para comprar. Estava há dois anos no ar", conta. No entanto, a versão impressa do herói teve apenas quatro edições. "Ele trabalhava em rádios, jornais e ainda tinha quatro filhos para criar. Não dava para, além de tudo, fazer quadrinhos."

Apesar do desejo de retomar o projeto do pai, ele conta que acha mais difícil que a ideia se concretize tão cedo quanto "3000 Anos Depois". "Tenho ideias, rabiscos guardados, mas o ritmo [de produção para a Marvel] é muito intenso. Não dá tempo."
Como visto em Folha de S.Paulo
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