sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A dor e a delícia de ser o que se é

O desejo e a realidade de cada um
Um dia novo para cada sonhador

E eis que tudo muda: Pisque e veja a criança. Pisque e veja o adulto. O dia girando como um cenário de teatro, ao mostrar repetidas vezes o nascente e o poente; a nuvem de chuva. Dias felizes e dias tristes passam todos na linha veloz de um trem bala, mas não tão rápido que você não possa ver... apenas rápido ao ponto de não conseguir mais alcançá-los.

- Alô.
- Fala, Pitz, é Rodrigo! Estou te atrapalhando?
- Mais ou menos, diga aí...
- Opa! Então depois eu te ligo.
- Não, agora 'Inês é morta'. Fala aí o que é?
- Oh, meu camarada, tu tem 100 paus pra me emprestar, na virada do mês eu te pago?
- Cara, 100 paus é uma fortuna para outro pobre. É algo urgente, coisa de saúde?
- Nada, tenho que inteirar no churrasco do Bireba pra domingo agora.
- Ok., vá tomar no seu rabo, então. Não tenho.
Poucas pessoas podem ter o prazer de viver da maneira que querem, e no lugar onde querem. Esses dias eu estive pensando em como seria minha vida a partir de outra criação, outro lugar, outras experiências e aprendizados, levando em conta que o adulto nada mais é do que a criança adestrada por outros adultos - que incutiram nela seus valores e cultura
Eu poderia ser um daqueles caras xaropes que acordam com jeito de quem acaba de cheirar um peidinho fino. Ou mais um feliz por nada desses que confundem abutres com papagaios; sei lá. Um músico doidão, daqueles despirocados mesmo. Uma família de médicos? Filho de um açougueiro português (é a minha cara!), ou de um maestro e uma delegada de polícia? Morar no campo, na praia? Na serra, no meio da natureza, tendo overdoses diárias de oxigênio! Ou bem fodido: deitando de barriga no chão da cozinha a cada cinco minutos para escapar de uma bala perdida. Ou naquele condomínio chique, vendo a cidade de longe, amando a paisagem da segurança através das janelas mágicas de um carro blindado.

- Alô...
- Oi Pitz, é Laura!
- Ohh Laurinha! Que surpresa boa!!
- Então, você nunca mais ligou né mocinho...?
- Ah, mas eu sou um filho da puta... Foi ótimo você ter ligado, ontem eu pensei muito em você. Na verdade estava pra te ligar hoje ainda.
- Você está trabalhando?
- Estava escrevendo o texto do DpM.
- E pode vir pra cá?
- Claro! Chego aí em menos de duas horas.
- Traz um vinho.
- Pode deixar.

(De tantas e tantas vidas que poderíamos viver, tenho andado feliz por ser quem eu sou)

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