segunda-feira, 28 de outubro de 2013

As melhores aparições do Diabo na literatura

Bem, caso você não seja um xenofóbico radical, deve saber que estamos próximos da data festiva americana de Halloween, o conhecido dia das bruxas. Um período onde o sobrenatural interage com o terreno por vias comerciais, e produtos ligados a criaturas sombrias vendem mais que o habitual.
Apesar de ser um tema atípico para se comemorar, a data tem suas raízes findadas em tradições tanto pagãs quanto cristãs, e hoje em dia, francamente, é um dia para se divertir como qualquer carnaval, com fantasias, música e substituindo as bebidas alcoólicas por doces. Ou seja, do Halloween contemporâneo, sobrou pouco das características assustadoras de outrora.
E como aqui no blog somos do tipo 'roots', eu gostaria de lembrar que enquanto você se diverte por esses dias assistindo as sessões especiais de filmes de terror na TV ou, até mesmo, aproveitando o momento para acessar as dicas obscuras da nossa coluna 'A Maldição do Cinema'tente não esquecer que não importa o quão mal algum assassino psicopata, fantasma, vampiro, ou lobisomem possa parecer, o diabo é o pior vilão dentre todos eles.

Não importa sobre qual alcunha esteja identificado, se Lúcifer, Satanás, Belzebu, capeta, anjo caído, coisa-ruim, anticristo, ou José Sarney, é inegável que o cramulhão teve uma longa e frutífera relação com a literatura, e não vejo momento melhor do que esse para relatar aqui algumas das suas melhores performances em obras literárias.

A Divina Comédia , de Dante Alighieri
Sabe quando alguém está te enchendo o saco por causa de algo, e você pensa que poderia ser muito pior, mas não possui uma base de comparação para atestar sua teoria? Nessas ocasiões você poderia simplesmente dizer algo do tipo: "Pelo menos você não está descendo para o inferno com um poeta morto, só para acabar cruzando com Satanás e suas três faces, meio imersas em gelo, mastigando Brutus, Cassius, e Judas Iscariotes, enquanto eles choram".
Este é o melhor exemplo, e o mais terrível, em relação ao diabo que a humanidade conseguiu imaginar, e também é a única maneira adequada de terminar uma viagem através do Hades.

Fausto , de Johann Wolfgang von Goethe
Fausto é originalmente uma antiga lenda alemã, que antecede a peça de Goethe, e se assemelha ao conto bíblico de Jó, mas o malandro Mefistófeles, embora não seja exatamente uma pessoa agradável, com certeza é melhor companhia do que o monstro horrível que Dante descreveu.
A partir da lenda faustiana, Goethe trata do conflito de um homem que se dilacera entre a vontade de se elevar espiritualmente e a atração pelos prazeres e bens terrenos. Súmula de razão e emoção, consciência e natureza, a peça é uma das obras-primas da literatura universal. Fausto é uma poema dramático em que Goethe trabalhou desde a juventude; teve a sua primeira parte publicada em 1808, e a Segunda, postumamente.

Compre 'Fausto' na Submarino
Paraíso Perdido , de John Milton
O épico poema do século 17 de Milton nos deu um Satanás com ar carismático e quase simpático, que sabia muito bem o que queria ao proferir a célebre frase "Prefiro reinar no inferno do que servir no Céu.".
Considerado um dos pilares da cultura de língua inglesa, essa obra é um clássico em que a erudição épica renascentista se associa à sonoridade retórica e religiosa do barroco. 
Paraíso Perdido (1667) é a obra-prima de Milton, onde recria o conflito entre Lúcifer e Deus com uma metafísica monista e uma espécie de materialismo cristão.


O Mestre e Margarida , de Mikhail Bulgakov
Essa obra é um romance revolucionário, onde Bulgákov narra a fantástica chegada do diabo em plena Moscou comunista dos anos 1930. E satanás não está sozinho; em sua comitiva há uma feiticeira nua de "ardentes olhos fosforescentes", um homem de roupas apertadas e monóculo rachado e um gato preto de "proporções espantosas". Tudo começa em uma tarde de primavera, quando Satanás e seu séquito diabólico decidem visitar a cidade e encontram poetas, editores, burocratas e todo tipo de pessoas tentando levar a vida em pleno regime comunista. O que todos ali não sabem é que, depois dessa visita, nada será como antes.
Como se essa sinopse já não fosse o suficiente para levar qualquer um a procura desse livro, vale lembrar que a obra também inspirou a composição de 'Sympathy for the Devil' uma das maiores canções dos Rolling Stones.

Memnoch o demônio, de Anne Rice
livro já resenhado aqui no blog. clique aqui e confira a resenha
Este livro é um bom exemplo que criaturas sobrenaturais não passam de meros capangas perto do chefão de fase, o senhor capeta. Nesse caso, revelado sobre o nome de Memnoch pela autora. Depois de explorar toda a crueldade contida em seus vampiros e os colocar como predadores naturais da humanidade, nessa obra, Anne Rice deixa seu protagonista Lestat em uma posição desconfortável perante alguém de poder superior.
Desta vez, num romance fantástico, ele enfrenta a maior das tentações: Memnoch coloca o imortal diante da oportunidade de voltar no tempo, conhecer a criação, visitar o purgatório e escolher entre o céu ou se tornar um príncipe no inferno. Nessa viagem de extremos, a autora propõe algumas situações que podem incomodar aos mais impressionáveis, mas que certamente tornam a leitura mais instigante.


A Batalha do Apocalipse , de Eduardo Spohr
Aqui temos um demônio mais clássico que ainda preserva certas virtudes de seu tempo angelical. Apesar de Lúcifer não ser o foco das atrações dessa estória, o anjo caído comete aparições pontuais com uma personalidade muito bem construída pelo autor.
Único sobrevivente do expurgo, Ablon, o líder dos renegados, é convidado por Lúcifer, a se juntar às suas legiões na Batalha do Armagedon, o embate final entre o céu e o inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro da humanidade. Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano, das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval, A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, repleto de lutas heroicas, magia, romance e suspense.
Related Posts with Thumbnails
Comentários
1 Comentários

Um comentário:

O Dito pelo Maldito é um blog voltado para a literatura de contracultura . Seus textos são provocativos, críticos, cínicos e debochados, muitas vezes não tomando partido em uma questão apenas para poder agir como uma espécie de Advogado do Diabo do caso.
Na verdade um anti-blog criado para falar bem,...de tudo que você odeia.