quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

American Mary

American Mary (American Mary) 
Diretor: Jen Soska, Sylvia Soska
Roteiro: Jen Soska, Sylvia Soska
Ano: 2012
País: Canadá
Atores: Katharine Isabelle, Antonio Cupo, Tristan Risk

A modificação corporal (body modification) é a alteração deliberada e permanente do corpo humano por razões não médicas. Consiste em qualquer alteração realizada em qualquer parte do corpo, com o intuito de diferenciar o indivíduo de outros. Fonte: Wikipedia.

Mary é uma garota extremamente dedicada ao seu curso de medicina. Já nos momentos finais e totalmente focada em ser uma excelente cirurgiã, faz o que pode para sobreviver enquanto usa as duras críticas recebidas de seu professor para prosseguir, pois acredita que tais sejam um incentivo, já que a coloca como  melhor da turma. Mas chega o momento em que o dinheiro acaba e, não encontrando outra opção que possa sustenta-la de forma rápida e ainda manter-se livre durante o dia para estudar, decide ir a uma casa de strip-tease.
Tamanha é sua ingenuidade e inexperiência que, mesmo vestida para o novo trabalho, ao chegar, a primeira coisa que faz é entregar seu currículo a Billy, o dono da boate. Ele o lê, apesar dos maiores atrativos não estarem na folha. Quando prestes a experimentar as possibilidades de Mary quanto ao novo trabalho, são interrompidos e, instantes depois, oferece à garota cinco mil dólares para executar um trabalho que somente ela, naquele recinto, seria capaz. Ela aceita e, já no dia seguinte, seu telefone toca. Novamente o fruto de sua inexperiência por ter deixado o currículo para trás.
A partir daí, o que seria um grande erro apresenta-se  como o início de um estranho caminho. Curiosos personagens passam a procura-la a fim das intervenções mais variadas e radicais, voltadas para uma estética cada vez mais singular e bizarra.
Neste caminho nem um pouco ético, Mary segue com remorso e sempre a um passo de retornar sua vida normal, até que algo acontece e, de uma vez por todas, assume isso para sua vida.
Mary é um grande personagem. É sexy, gostosa, mas não se utiliza de tais artifícios. A melhor cirurgiã da sua turma de faculdade, capaz de realizar os mais bizarros desejos e, por todo o tempo, carregando uma tensão que não a leva aos lugares óbvios. Nada de descontrole, gritos histéricos e ações realizadas por tal. O cuidado estético e sua construção não ficam para trás. O visual de Mary acompanha suas mudanças, escolhas e sentimentos, tendo como ápice sua relação com os sapatos de salto alto. Pode parecer apenas um detalhe, quando na verdade uma  grande sacada visual e cognitiva. Vide a música Ave Maria, que toca três vezes durante o filme, em diferentes níveis. Primeiramente uma versão quase amadora; na segunda uma gravação intermediária e; na terceira e última, no momento “máximo” de Mary. Um crescendo que acompanha a evolução de Mary como cirurgiã. Tudo aliado a uma atuação ímpar.
Mary executa tão perfeitamente seu trabalho que não se preocupa com nada que não seja trabalhar e ficar em seu canto. Nada de glamour, aproveitar que transformou-se numa celebridade entre os apaixonados pelo body modificaion. O que lhe interessa é realizar os trabalhos e ganhar seu dinheiro. Até por que, seu maior vínculo afetivo passou a não mais existir. Agora é somente ela e mais ninguém.

Em American Mary, ela realiza sonhos que julgamos bizarros e até mesmo doentes, ajudando essas pessoas as se expressar a partir das mais variadas interferências. A utilização do Body Modification num filme do gênero poderia ser mais do mesmo. Sangue, putaria, cenas grotescas e uma trilha sonora no melhor estilo “U-huuuu”. Mas não. O cuidado estético do filme é tanto quanto positivo. Somos apresentados ao que realmente é importante, ao invés de closes em cortes e demais cenas. Tudo que poderia banalizar a história foi sabiamente deixado de lado. Cortes e sangue podem ser uma mera bobagem descartável se o que há por trás é muito mais significativo.
A relação entre o que é bizarro e não também não fica por trás. Assim os valores começam a ser observados detrás de tantas camadas já modificadas. E durante a comparação diante do que nos é apresentado, o questionamento sobre o que é bizarro ou não.
American Mary também entra para o time de Castelo Maldito (Castle Freak – 1995), Presos no Gelo (Fritt Vilt – 2006), Grito de Horror (Sonata – 2004), A Fronteira (Frontière(s) - 2007) e muitos outros. Trabalhos imperdíveis que, devido uma horrenda sinopse, capa ou adaptação do título para o português acabam, ao primeiro olhar, dando certeza de um trabalho horroroso.
Um filme deliciosamente bem construído, apresentando questões inteligentes. Vale muito a pena.

Premiações:
- Screamfest-2012 – Melhor Maquiagem: MasterFx. Melhor Atriz: Katharine Isabelle. Melhor Diretor: Jen Soska. Sylvia Soska. Melhor Fotografia. Diretor de Fotografia:  Brian Pearson.
- Festival Trophy-2012 – Melhor atriz: Katherine Isabelle.

Curiosidades:
-American Mary foi filmado em 15 dias
-As irmãs dos Soska re-hipotecaram sua casa para levantar dinheiro para o filme.
-Katharine aprendeu a suturar um peru para seu papel como Mary. Também foi a uma escola de medicina para desenvolver seu papel.
-Billy Barker foi assim nomeado numa homenagem a Clive Barker. 
-A maquiagem e a prótese facial de Beatrisse demorava duas horas paa estar pronto.

E qual o pensamento que tirei sobre?
Todo mundo tem um caminho, não importa qual (literalmente!).

Você assiste o trailer aqui:
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