quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera (The Phantom Of The Opera)
Diretor: Rupert Julian
Roteiro: Gaston Leroux
Ano: 1925
País: EUA
Atores: Lon Chaney, Mary Philbin, Norman Kerry

Aos olhos do grande público O Fantasma da Ópera é um musical. Mas não, trata-se de um romance francês escrito por Gaston Leroux e publicado em 1910. E apesar de todas as músicas e sua paixão desenfreada por Christine, a obra original segue um caminho muito distante de todo esse amor e inocência engolidos pela obsessão de um maluco apaixonado.
Na Ópera de Paris, no século XIX, os administradores e seus empregados sofrem com a presença do Fantasma, que aterroriza a todos, além de suas inúmeras exigências, modificando os planos de todos. E, quando não atendido, causa sofrimento e morte aos demais.
Nesta obra, sua paixão por Christine é quase um segundo plano, pois primeiramente a usa como um fantoche, para depois se apaixonar. Ela, por sua vez, é uma mulher ambiciosa que abandona seu noivo, Gaston, para dedicar-se exclusivamente à ópera. E com seu ego alimentado pelas sedutoras palavras de sucesso do fantasma, entrega-se à elas sem saber o que seu dono realmente tem em mente. E assim a história prossegue.

Nos dias atuais, para os não-curiosos e amantes de blockbusters, tal obra facilmente seria classificada como chata e cheia de momentos desinteressantes, além do fato de ser muda. Mas quando assistimos um filme feito noutra década, é necessário desarmar-se daqui que para nós é trivial e aceita-lo como é, sem julgar as possibilidades da época. Se não assim, tudo seria obsoleto, antigo e descartável. Não uso a palavra limitação nestes casos pois soa um tanto quanto negativa.
Mas voltando ao filme, a utilização das sombras ao longo do filme é um show à parte, engrandecendo a tensão e em momento algum tornando-se um artifício cansativo. Assim como sua trilha sonora, que cresce junto com a história em momentos de oscilação ou somente para preencher uma ausência de som. Cenas inesquecíveis como a perseguição final e o baile merecem ser observadas com atenção.
A atuação do homem das mil faces, Lon Chaney, é algo à parte. Expressivo, deixa de lado qualquer possibilidade de sedução ou algo belo, apresentado com requinte o que há de mais grotesco na história de Erik, o verdadeiro nome do Fantasma. Diferente das atuações de Raoul e Christine, que não chamam tanto a atenção, mas não fazem feio. Além disso,
Frio, tenso e cheio de egoísmo, o Fantasma da Ópera mostra-se um filme eterno, mantendo em evidência o horror de uma história que ainda surpreende. Um marco na história do cinema, especialmente para o nosso tão querido gênero.
Esqueça o belo fantasma Butler e a inocente Christine. Eles não fazem parte desta realidade.

O Fantasma da Ópera ganhou versões em 1943, 1962, 1989 (Interpretado por Robert Englund, nosso eterno Freddy Krueger), 1990, 1998 (Interpretado por Julian Sands. Foi lançado como Um Vulto na Escuridão e dirigido por Dario Argento. Diga-se de passagem: Uma bomba! rssss), 2004.

Prêmios:
-Academy Of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA – 2013 – Melhor DVD/blue-ray coleção Monstros da Universal: Uma Coleção Essencial
-Natural Film Preservation Board, USA - 1998 – National Film Registry

Curiosidades:
-Segundo Charles Van Enger, a reação de Mary Philbin quanto ao fastasma sem sua máscara foi real, pois ela não fazia ideia de como ele seria, até aquele momento.
-Edward Sedgwick dirigiu algumas poucas cenas após o diretor Rupert Julian sair do set, após discutir fortemente com o elenco e produção.
-Lon Chaney fez sua própria maquiagem.
-Gregory Peck disse que o primeiro filme que o assustou foi o Fantasma, aos nove anos de idade, a ponto de sua avó permitir que ele dormisse com ela naquela noite.
-Um órgão em perfeito estado e funcionando foi instalado no Astor, em Nova York, na premiere do filme.
-A cabeceira da cama foi usada por Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses. (1950)
-Lon Chaney colocou membrana de ovos em seus globos oculares a fim de um efeito mais nublado.
-Em 31 de outubro de 2008, foi exibido no Walt Disney Concert Hall com a orquestra Filarmônica de Los Angeles. No anúncio, uma rase retirada do filme Alien: Nos filmes mudos, ninguém pode escutar você gritar.
-A maquiagem do Fantasma foi projetda para se assemelhar à uma caveira. Lon inseriu nela pele de peixe em suas narinas  com spirit gum (um adesivo líquido) , puxando-as para trás até chegar onde ele queria, então colocou o restante da pele.
-Sua maquiagem foi mantida em segredo. exposta ao público na noite de estréia somente
-Uma versão com som foi lançada em 1930, acarretando milhões de bilheteria. Mas desapareceu e é considerada perdida.
-Quando Rupert foi apresentado ao script, disse:  Lon Chaney, ou não pode ser feito.
-Ben Carré foi chamado para decorar os sets. Ele já tinha trabalhado no Paris Opera House, e também havia morado na Califórnia fazendo locações para filmes, o que lhe deu experiência.
-Diversas sequências foram filmadas em vários processos de cores. Technocolor foi usado nas cenas de Fausto e de Bal Masque, as sequências em Prizmacolor foram filmadas para a introdução, e Hanschiegel (um processo que usa carimbos para colorir) em outros lugares. Apenas a sequência em Technocolor de Bal Masque sobreviveu.
-Em 1989, Robert Englund interpretou o Fantasma.
-Em 1998, foi a vez de Julian Sands, numa versão de Dario Argento.
-Esta foi a primeira adaptação para o cinema da obra de Gaston Leroux.
-Considerado por muitos como o primeiro grande filme de terror.
-Conta-se que muitas pessoas ficaram em choque com o filme, tendo inclusive algumas infartado ao ver a maquiagem de Chaney.

Obs:
Technicolor é uma marca norte-americana pertencente à Technicolor Motion Picture Corporation em que o processo consistia na coloração dos filmes. Foi utilizado até a década de 60. A Technicolor era a segunda maior empresa de coloração cinematrográfica após a britânico Kinemacolor e a mais utilizada pelos estúdios de Hollywood de 1922 a 1952. (Fonte: Wikipedia)

E qual o pensamento que tirei sobre?
Jamais menospreze o passado.
Você o assiste na íntegra no vídeo abaixo: (Sem legenda)
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