domingo, 2 de fevereiro de 2014

Outra Era (Leonardo de Andrade)

Há dois fatores intrigantes que sempre me fascinam dentro da literatura. Uma, é a forma como descobrimos outros mundos, e até universos, criados e imaginados por seus autores. A outra, é a forma como alguns escritores desconstroem o mundo que já conhecemos. Por ter o caos como princípio, talvez 'destruir' pareça uma tarefa mais fácil de se escrever do que 'construir', mas posso garantir que dar um fim apropriado a milhares de anos de evolução humana não é algo que se articule do dia pra noite. Além do mais, depois de tudo desfeito, sempre nos restam eles. Os poucos sobreviventes. E conduzir esse tipo de personagem por entre os perigos e destroços desse gênero de estória, requer, no mínimo, muito estômago por parte do autor.

O modelo não é novidade, todos sabemos dos diversos elementos hostis que um protagonista enfrenta nesse tipo de cenário. Devastação, perda de familiares, fome, desesperança e mortes de todas as formas inimagináveis. Mas o que realmente continua nos atraindo para o padrão, é a forma como os personagens lidam com esses obstáculos.
Foi com esse anseio que iniciei a leitura de Outra Era (Biblioteca 24 Horas, 164 páginas), onde o autor Leonardo de Andrade nos leva em uma jornada pautada nas relações humanas, em um mundo onde isso já não faz mais tanta diferença.

Esqueça qualquer conotativa fantasiosa ou sobrenatural que normalmente se aplica a esse tipo de circunstância, nada de zumbis, apocalipse religioso, ou vírus misterioso. A humanidade como conhecemos está sim por um fio, mas chegou a tal ponto pelos seus próprios meios e se utilizando da sua forma mais clássica de auto-destruição,... A guerra. E que, no fim, gera consequências tão danosas quanto as dos exemplos citados acima.
Com uma narrativa em primeira pessoa, acompanhamos a vida de um jovem comum que tem sua vida esfarelada diante dos seus olhos quando sua cidade é alvo de um ataque. Sem governo, serviços públicos, e nem sequer eletricidade, tudo, e todos, ao seu redor sofrem alterações drásticas, obrigando Josh a aprender e lidar com as regras desse novo mundo, justo quando ele começava a se adaptar as regras do antigo. Agora, mais do que manter-se vivo, ele precisa encontrar motivação para faze-lo.
Em meio a esse impasse pessoal surge a pequena Emily, que mesmo com o seu parco conhecimento sobre o mundo pré-guerra, parece ter muito a ensinar ao abatido Josh.

Se o homem é um produto do meio onde vive, já dá pra imaginar que tipo de gente pode ser formada nessa situação. Os que não se entregam a insanidade total, precisam ao menos saber conviver com essa outra era.
Junto com o protagonista, você sente suas perdas e vibra pelas suas minímas conquistas cada vez que o autor constrói um conceito (ou relação), apenas para destruí-lo no capítulo seguinte. E em meio a essa montanha-russa de emoções, sabendo que é meio incongruente torcer para um 'final feliz' quando todos os acontecimentos apontam justamente para o contrário, você acaba só desejando que tudo termine bem. 

Para explorar as desventuras de Outra Era, clique aqui e leia online o prólogo da obra. Para adquirir o seu exemplar, clique aqui e compre o livro pelo aplicativo do Facebook!
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