quarta-feira, 19 de março de 2014

A Maldição do Cinema - Absentia

Absentia (Absentia)
Diretor: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan
Ano: 2011
País: EUA
Atores: Katie Parker, Courtney Bell, Dave Levine

Antes de qualquer coisa, ignore a capa deste filme. É mais uma dentre as inúmeras imbecilidades que não fazem jus à obra (Assim como Castelo Maldito, Gritos de Horror, A Fronteira…), dando a entender que se trata de mais do mesmo ou uma imbecilidade que entretém. Menos o que realmente é, um filme inteligente e imperdível.
Neste filme independente e de orçamento bastante reduzido (Algo em torno de 70 mil dólares), Tricia está nos últimos momentos de gravidez quando recebe sua irmã Callie, que passa a morar com ela. Nesse meio tempo, Tricia assume que seu marido deve estar realente morto, pois desapareceu sem deixar vestígios há sete anos. E assim seguem, em meio à tensão de vários assuntos que precisam ser resolvidos e que acabam interferindo no momento atual das duas.
O ponto forte de Absentia é a tensão passando por diferentes pontos na vida das mulheres, aliada à uma história bem construída. E através desta tensão, somos levados a uma tentativa vitoriosa de apresentar o medo em sua essência, sem chegar a um ápice/revelação. Uma ideia é jogada e a partir daí é trabalhada pela sugestão, deixando cada um preencher o tal medo com aquilo que acredita e assim consegue assustar mais, pois medo, como já disse tantas outras vezes, é algo subjetivo. Trabalhar o medo apresentando a consequência de sua existência é um tanto quanto interessante e, neste caso, muito mais impactante.
A reviravolta que acontece no decorrer deixa o espectador ainda mais tenso. A história inicia-se, a temática parece estar definida, mas logo vemos que não. E ao mesmo tempo em que deixam muitas coisas em aberto, é impossível surtar e sair imaginando coisas além do apresentado. Suas explicações mínimas e eficientes mantêm o leque de medos existentes na cabeça de cada um voltados para uma única direção. E direcionar este medo subjetivo, de forma coerente dentro da proposta apresentada, é louvável. Nada é explícito e, ao mesmo tempo, tudo é mostrado. Os desfocamentos de tudo que, à primeira vista, nada tem a ver com a história. A maneira como as imagens são trabalhadas e que, cedo ou tarde, mostram ter um significado.
As protagonistas lidam com o aquilo que não sabem, agarram-se ao pouco que sabem e saem, pelo menos uma delas, à procura de mais informação, assim como a protagonista de A Hora do Pesadelo. Postura igual, sem absurdos ou soluções impróprias para aquela realidade.
Absentia nada perde para as superproduções. Um trabalho onde o medo é trabalhado de forma original e a trajetória vale muito mais que o final ou um momento ápice. Um filme triste e original, onde os efeitos mínimos são mais que suficientes pois a história se sustenta por si só, respeitando as regras por ele criadas e nos colocando junto às irmãs, obrigando protagonistas e espectadores a caminhar juntos, caso queiram descobrir o que acontece.
Não é um trabalho recomendado para os viciados em padrões blockbuster.

E qual o pensamento que tirei sobre?
Filmes como este são necessários.

Indicações:
-Action on Film INternational Film Festival, USA – 2011 – Melhor filme de horror.
-Chicago Horror Film Festival – 2011 - Melhor longa metragem
Premiações:
-Fargo Film Festival – 2011 – Melhor narrativa – Mike Flanagan. FallBack Plan Productions.
-Rhode Island International Horror Film Festival – 2011 – Melhor filme.
-ShockerFest – 2011 – Melhor filme de terror
-Fangoria Chainsaw Awards – 2013 – Melhor lançamento em vídeo.
Curiosidades:
-A atriz Courtney Bell (Tricia) estava grávida de sete meses quando gravou o filme.

*Morte por Absentia: Legalizar a morte de uma pessoa desaparecida após um determinado período de tempo.

Você confere o trailer legendado aqui:
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