quarta-feira, 12 de março de 2014

A Maldição do Cinema - Bedevilled

Bedevilled (Kim Bok-nam salinsageonui jeonmal)
Diretor: Chul-soo Jang
Roteiro: Kwang-young Choi
Ano: 2010
País: Coréia do Sul
Atores: Yeong-hie Seo, Seong-won Ji, Min-ho Hwang

Bedevilled nos apresenta a insensível e egoísta Kim que, no ápice do stress, age de forma impensada e por isso é obrigada a tirar férias. Sem amigos ou um lugar que deseje conhecer, segue rumo à sua única opção, a ilha onde viveu seu avô.
Já na ilha, reencontra a mesma vida que deixou para trás, quando em sua última vez, o que significa rever Hae-won, sua amiga de infância com quem nunca mais falou. Sempre carinhosa, Hae-won não esconde a felicidade ao rever a amiga, atravessando qualquer barreira levantada por Kim. Sua chegada na ilha reflete em Hae-won como uma possibilidade de mudanças, do fim da vida miserável por ser o bode expiatório dos moradores restantes, além de, diariamente humilhada por seu marido, que a trata como uma escrava. Ela prossegue calada, se agarrando à esperança de que sua filha tenha uma vida mais digna que a dela, por isso, suporta tudo sem pestanejar. Sua submissão é entendida por não ter possibilidades. A quem recorrer? Para onde ir? O que fazer sem colocar sua filha em risco? Ao mesmo tempo que tal situação permita a ela, por mais contraditório que possa soar, um momento de paz e, consequentemente, nutrir a esperança de que tudo aquilo encontra-se, agora, próximo do fim.
E assim as protagonistas, um tanto quanto antagônicas, seguem um solitário caminho.
É muito interessante e comovente assistir os excessos de cada uma. Especialmente de Hae-won, que responde ao pior dos atos com uma resposta positiva. A ligação entre as duas. Os detalhes que as aproximam e o quanto uma é importante, ou não, para a outra. E nesses extremos a obra nos choca. Pela violência psicológica e crua que cresce por todo o filme, deixando de lado qualquer possibilidade óbvia. O egoísmo e crueldade escorrem pela tela com maior fluidez do que sangue. O que não deixa de ser um reflexo de como levamos nossas vidas, como seguimos em frente num ritmo cada vez mais egoísta e frio, sem se preocupar de que forma isso pode afetar o outro. Deixando claro que nas devidas proporções condizentes à realidade de cada indivíduo.
Os poucos homens existentes na obra são suficientes para mostrar o que há de pior neles.
Onde isso termina? Numa construção coerente, num fluxo que nos prende, numa intensidade vai num crescendo até que, da metade para o fim, respostas começam a surgir, sem que o filme suavize.
Um trabalho que, especialmente as mulheres, devem assistir. Se você achou A Vingança de Jennifer absurdamente violento (e realmente é), saiba que este acaba de ter um companheiro à altura.
Poderia falar sobre certos detalhes extremamente importantes, mas não acho que valha a pena. Certos trabalhos precisam ser vividos.
Bedevilled é um daqueles filmes que são intensos do início ao fim, nos fazem questionar sobre as relações e de como nossas ações podem afetar quem está ao nosso lado ou, de alguma forma, ligado a você. Um filme intenso, cruel, triste, violento e muito sério.
Em filmes como este, o sangue derramado não passa de um figurante. As questões são outras. E igualmente mortais.
Prêmios:
Grand Bell Awards, South Korea – 2010 – Melhor novo diretor – Chul-soo Jang
Fantasporto – Melhor Atriz – Yeong-hie Seo.
Gérardmer Film Festival – 2011 – 2011 – Melhor Filme
Puchon Intenational Fantastic Film Festival – 2010 –
Melhor atriz – Yeong-hie Seo
Melhor filme do festival –

E qual o pensamento que tirei sobre?
Gostaria de ser mulher pelo tempo de duração do filme, para assistir sob a ótica delas.
Você o confere na íntegra e legendado em português, aqui:  
)
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