quarta-feira, 26 de março de 2014

Os Melhores Dias de Nossas Vidas

Os Melhores Dias De Nossas Vidas (Inside I'm Dancing)
Diretor: Damien O'Donnell
Roteiro: Jeffrey Cain
Ano: 2004
País: Irlanda, Reino Unido, França
Atores: James McAvoy (O Último Rei da Escócia), Romola Garai, Steven Robertson

Novamente diante de um filme que não é do gênero terror, mas me motivou, e muito, a escrever sobre.
Rory, um jovem tetraplégico que sofre de Distrofia Muscular de Duchenne e rebelde, daquele tipo que literalmente fala tudo o que pensa, vai para outra instituição, pois não quer morar com o pai. Lá conhece o também jovem Michael, que tem paralisia cerebral, não aceita o uso de aparelhos que possam ajuda-lo na fala e é tratado como um bebê incapaz, mesmo que por poucas vezes tenha tentado mostrar que não.
Em meio aos deboches de Rory sobre tudo e todos, Michael surpreende-se por ele entender tudo que diz e daí em diante iniciam-se uma improvável amizade. Rory continua destilando seu veneno rebelde, mas não demora muito a se afeiçoar por Michael, que ignora suas ironias e como nunca preza pela nova amizade. Talvez sua primeira.
Mas Rory deseja sair da instituição e ter uma vida o mais próximo possível do trivial e, para isso, precisa ser aprovado num sistema de bolsas do governo. Obviamente, devido sua péssima conduta, seu pedido é negado.
Michael, vendo toda a movimentação do amigo, decide fazer o mesmo e consegue, levando-o consigo.
Sair da instituição é como sair de dentro do ovo, o que Michael aprende na prática em meio às alegrias e decepções. Juntos, passam a viver no mundo real de acordo com suas possibilidades, percorrendo pela comédia e o drama como qualquer outra vida normal.
Nada de revolta, diálogos piegas ou cenas feitas para você chorar. É muito interessante ver sob a ótica deles. Suas reais possibilidades sem momentos de revolta ou auto-piedade. São como são e assim será até o fim. É apresentado o olhar deles sobre si e não o dos considerados normais, com seus julgamentos limitadores (Tal é mostrado de forma eficiente e curta, quando dentro da instituição, e só).
A relação de Rory com a vida, seu espírito rebelde e sua inquietação com tudo, especialmente para com aqueles que derramam dó sobre eles é apenas uma fagulha quanto à sua vontade de viver, não se limitando quanto ao que uma pessoa em condições normais viveria e sem, em momento algum, pensar em “se eu fosse normal tudo seria melhor”. Rory não vê os problemas por que não há problemas e sim uma condição. Ela está ali e só resta viver. E bem.
Rory, com seu espírito rebelde, torna-se a ponte entre Michael e o mundo. Ao meu ver, Michael é a grande estrela do filme. Vê-lo diante das inúmeras decepções, tendo de encarar as mais diversas situações e, ao invés de se fechar, dar o próximo passo rumo a algo maior é fantástico e causador de muitas questões internas.

Essa produção irlandesa e independente é de um cuidado extremo, apresentando questões de forma simples e diretas. Nada de pieguices ou momentos “não consigo devido minha deficiência”. Aqui a deficiência está nos olhos de quem julga, pois os dois rapazes nunca se sentiram tão completos, tão prontos para amar, circular pela cidade e até, quem sabe, ir para a faculdade.
Os Melhores Dias de Nossas Vivas trata-se de mais um filme que eu exibiria em sala de aula, caso fosse professor. Um excelente trabalho para se falar de amizade, respeito, diferenças e não limitações. Numa época em que se fala tanto sobre bullying, apresentar pessoas que não estão nem aí para o que você pensa e dão o próximo passo rumo aos seus sonhos quando numa situação, para nós, “normais”, considerada impossível de aguentar é um chute certeiro na boca do estômago.
Inesquecível.
E qual o pensamento que tirei sobre?
Quem é o deficiente mesmo?

Você confere o trailer deste trabalho aqui:
- Venha dançar comigo! Claro que isso é dançar! O que acha que estou fazendo por dentro? - Rory
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