sexta-feira, 14 de março de 2014

Um amor jovem, dissimulado e mortal

Ou quando Doutor Natanael mandou matar o jovem rapaz tatuado

Natanael gostava muito daquela mulher. Desde o primeiro momento, vidrado no profundo mar castanho daqueles olhos enormes, inocentes, em primeira observação, ele sentiu que o mundo poderia ser um lugar melhor.
“Minha Fabíola é uma santa”, dizia o pobre. Apaixonado, vestia-se de anjo realizador de desejos, ou um gênio da lâmpada, amestrado para realizar as mil vontades de sua dona.
Fiel, como um cão de caça paciente, Natanael gostava de beijar-lhe o corpo, começando pelos dedinhos do pé, e quase chegava ao orgasmo na altura das coxas. O cheiro daquela mulher, para ele, era o ápice entre os perfumes que podemos sentir.. Um renascimento a cada noite. Um mergulho de otimismo e juventude a cada amanhecer.

Natanael não se importava em sair de São Paulo e ir até Montes Claros sempre que lhe sobrava tempo na clínica, pois o amor que nutria por sua doce Fabi valeria viagens e desprendimentos ainda maiores. Porém um amigo próximo veio alertar.

- Natanael, eu não quero cortar o seu barato, mas... Enfim.. Eu conheci um cara pela internet que conhece bem a sua noiva..
- E o que tem isso??
- Tem que ela saiu com vários caras da faculdade.. E ainda sai.
- Olha, Oscar, eu agradeço sua preocupação comigo, mas... Este rapaz está mesmo interessado em fazer intrigas, coisa de jovens. Eu seria capaz de colocar a mão no fogo por minha Fabíola.
- Tudo bem, amigo Doutor... Depois não diga que eu não lhe avisei.
A notícia (revelação) ficou martelando a mente do médico. Havia uma diferença de idade interessante entre os 21 anos da estudante de enfermagem e os 40 do médico cirurgião. Olhou-se no espelho durante a noite, e pensou na época da própria faculdade, das festinhas na republica estudantil. Lembrou-se de velhas amigas e suas aventuras amorosas, da liberdade que se nutre em tempos assim. Os sorrisos eram mais brancos, a saúde, o físico... Tudo era melhor.
Pegou o carro e dirigiu durante a madrugada.. Dirigiu sem parar até chegar à cidade de sua amada. Largou o carro em um ponto distante, e ficou na expectativa de ver Fabíola saindo da república. Eis que ela surge abraçada ao grande amigo que consertava seu computador, o gênio marombado da informática e suas tatuagens por todo o braço direito, detestável. Eles sorriam, seus dentes eram brancos.  Eles se beijavam como um casal de jovens felizes. Natanael mandou uma mensagem no celular: 'O que está fazendo agora, amor?'.
E ela respondeu: 'Acordei com dor de cabeça, estou somando forças para ir à aula. Saudades de você amorzão.'

Natanael não teve coragem de dizer mais nada. Apenas dirigiu de volta a São Paulo, deletou Fabíola de sua vida sem dizer a ela os motivos, e nunca mais se entregou ao amor de outra garota dissimulada na flor de sua juventude transviada e sem alma. Mas, antes de sair de cena, ele contratou um matador de aluguel da região, para se livrar do rapaz tatuado no dia seguinte. 

A juventude do outro machucava mais do que a traição sofrida.
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