sexta-feira, 2 de maio de 2014

Endurecendo e perdendo a ternura

Eu estava sentado na cafeteria da faculdade, quando o filho mais novo do Che Guevara começou o seu discurso. O cara usava uma jaqueta militar, boina de estrela vermelha e camisa com a foto do papai estampada. Com ele, na mesma mesa, duas belas garotas, encantadas, e um guri meio lesado com cara de bala Juquinha.

- A política brasileira era um mar de lama, mas isso começou a clarear há 10 anos. Paramos de vender a nação, distribuímos melhor a renda, aceleramos o crescimento econômico,  evoluímos cem anos em todos os sentidos! E ainda é pouco, pois quando dermos o grande golpe a coisa vai decolar, as leis serão aprovadas sem precisar daquela barganha imunda com senadores e deputados.

Nessa hora o bala Juquinha deu um pulo da mesa, levantou sua caneca de cappuccino sugerindo um brinde à revolução pacífica. Da minha mesa eu gritei:
- Senta aí, moleque, tua bunda tá de fora.. Tá brindando revolução com croissant e cappuccino. To vendo o teu cu daqui!
- Oh, tucano otário, não se mete aqui não! – Berrou Juquinha, ofendido. Porém o Che Guevara continuava inabalável, certo de ser um novo cristo diante de seu povo, no auge dos seus 21 anos sabiamente vividos. Para ele a dicotomia de que o Brasil é feito por apenas dois partidos políticos tornou-se algo inquebrável. Quem não é PT só pode ser tucano, e ponto final. Quem discorda do governo não gosta do pobre, não gosta do Brasil, é um arrombado. A classe média fede, não gosta de negros e gays e deve ser exterminada da face da terra. Vai entender..

- Não sou tucano, molecão. Sou patriota e não gosto de imbecilidade. Sacou? – Respondi.
Então Che Guevara Jr. caminhou até minha mesa, olhou em meus olhos, e disse sorrindo que qualquer mendigo de rua valia mais do que eu. Tive de concordar com ele, pois todos nós temos o mesmo valor na essência da criação. Depois ele disse que eu tinha medo que o povo tomasse o poder. Eu respondi a ele que não tinha medo do povo (sou do povo, caralho), mas temia garotos ridículos como ele, cujas mentes estão cagadas de razão, radicalismo grosseiro e empáfia. E que, se não estivéssemos em ambiente acadêmico eu encheria a cara dele de porrada, mais por ato patriótico do que por esporte. As meninas então sugeriram que ele se afastasse do animal (de mim). Ele se afastou e a turma saiu, fazendo gestos com o dedo, e gritando palavras de ordem. Uma piada.

Terminei o café e fui então assistir a aula de sociologia, onde o professor defendia, de maneira enlouquecida, a cartilha de Karl Marx.
O que diabos a cartilha soviética está fazendo nas faculdades brasileiras?
O que diabos eu estou fazendo ali?!

(Não quero esquerda nem direita, quero apenas um Brasil mais legal para todos)

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