sábado, 22 de novembro de 2014

Conheça algumas Espadas Históricas e a lenda por trás delas

Espadas de renome são a alma de uma boa lenda. Banhadas por derramamento de sangue e o símbolo de várias conquistas, ao longo da nossa história houve espadas que ganharam proporções míticas, misturando realidade e ficção a tal ponto que fica até difícil distinguirmos onde começa um, e onde termina o outro. 
De fato, é comprovado que muitas dessas lâminas tiveram sim papéis importantes na história da humanidade, mas outras exibem contos tão bizarros em seu passado que é impossível não questionar sua veracidade.

A verdade é que o tempo das 'capas e espadas' agora só habitam os livros, e nunca mais existirá uma outra arma que deixou cicatrizes tão profundas e causou tanto impacto na formação do mundo, como as espadas. E o que seria da literatura fantástica sem esse recurso?
Para ilustrar a importância desta nobre arma, listamos aqui algumas espadas importantes e suas lendas.

 A espada na pedra
Embora a lenda do rei Arthur seja apenas um folclore britânico, há fortes evidências de que a tal espada presa na pedra pode ser verdadeira. Em uma capela em Monte Siepi, na Itália, se encontra uma antiga espada afundada em pedra, que poderia ser a chave para decifrar a origem da lenda. 
São Galgano era um cavaleiro toscano do século 12 que o Arcanjo Miguel ordenou a desistir de seus caminhos pecaminosos. Argumentando que a tarefa seria tão difícil como quebrar pedra, Galgano tentou provar seu argumento quebrando sua espada em uma rocha nas proximidades. No entanto, a lâmina cortou a pedra como se fosse manteiga. A arma continuou ali na rocha, junto com os caminhos mundanos de Galgano. Depois que ele foi canonizado, a palavra da sua santa espada se espalhou rapidamente. A lenda de Excalibur antecede Galgano, mas a adição da espada na pedra surgiu logo após seu tempo. A teoria é de que sua espada foi a inspiração para a do conto. Claro que tudo depende da legitimidade da arma.

✔ Kusanagi
Segundo a lenda, a “espada na cobra”, Kusanagi, foi encontrada no corpo de uma serpente de oito cabeças morta pelo deus das tempestades e mares. É parte da Regalia Imperial do Japão, coleção de itens de descendência da antiga família imperial da deusa do sol – os símbolos de seu direito divino de governar. A Kusanagi supostamente está alojada no santuário Atsuta em Nagano, embora nunca seja exposta ao público e não tenha sido vista em séculos. 
A espada é ocasionalmente usada em cerimônias de coroação imperiais, mas é sempre mantida coberta. Mesmo que nunca tenha sido vista, e só seja registrada em coleções de história oral e documentos pseudo-históricos, as autoridades japonesas conseguiram manter o mundo na dúvida sobre a Kusanagi. A única menção oficial da espada veio após a Primeira Guerra Mundial. Mesmo que o falecido imperador Hirohito tenha desmentido qualquer reivindicação de sua divindade, também ordenou aos guardiões da Regalia Divina a “defendê-las a qualquer custo”.

✔ Muramasa
Muramasa foi um antigo ferreiro japonês que, segundo a lenda, orou para que suas espadas fossem “grandes destruidoras”. Por causa da qualidade excepcional de suas lâminas, os deuses lhe concederam o pedido e as imbuíram com um espírito sanguinário que iria conduzir seu portador ao assassinato ou suicídio. Há inúmeras histórias de donos de Muramasas ficando loucos ou sendo assassinados. 
Acreditava-se que as espadas eram amaldiçoadas, e até chegaram a ser proibidas por decreto imperial por Shogun Tokugawa Ieyasu, que as condenou depois que elas se tornaram o objeto que matou quase toda a sua família (seu avô, sua esposa e seu filho adotivo morreram com a espada, e ele e seu pai foram feridos por ela). No entanto, os problemas de Ieyasu com as espadas provavelmente começaram simplesmente porque elas eram extremamente populares. Muramasa não era o nome de um homem, mas de toda uma escola de ferreiros. A qualidade das lâminas Muramasa era lendária e a classe guerreira do Japão as usava com frequência. O fato de que foram utilizadas em muitas mortes relacionadas com o Shogun, embora certamente uma coincidência, não é exatamente notável.

✔ Honjo Masamune
Em contraste com as espadas amaldiçoadas Muramasa, temos as lâminas do lendário padre e ferreiro Masamune. De acordo com a história, Masamune e Muramasa realizaram uma competição para decidir quem era superior, colocando suas lâminas em um córrego. Enquanto a lâmina Muramasa cortava tudo o que tocava, a de Masamune se recusava a cortar qualquer coisa indigna, até mesmo o ar. 
Enquanto as obras de Masamune são valorizadas como tesouros nacionais japoneses, uma de suas espadas nunca foi encontrada. Após a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, a “Honjo Masamune” foi dada a um soldado americano, o sargento Coldy Bimore, que provavelmente a levou para casa com ele, como uma lembrança de guerra. Apesar de, sem dúvida, ser valiosa (potencialmente vale milhões), colecionadores não estão mais perto de encontrar a espada perdida do que estavam no dia em que desapareceu.

✔ Joyeuse
Joyeuse, a lendária espada do Rei Carlos Magno, supostamente alterava de cor 30 vezes por dia, e era tão brilhante que ofusca o sol. Já em 1271, duas espadas chamadas Joyeuse faziam parte de cerimônias de coroação francesas. Uma vez que ambas não podem ser a famosa Joyeuse, o mistério de qual é a verdadeira arma do imperador do Sacro Império Romano dura séculos. Uma “Joyeuse” residente do Museu Louvre sofreu modificação pesada durante sua vida útil. Sua parte mais antiga é o pomo, que testes recentes colocam em algum momento entre os séculos 10 e 11. Como Carlos Magno morreu em 813, certamente não pertenceu a ele. 
Outro candidato é o “sabre de Carlos Magno”, alojado na Fazenda Imperial de Viena. Ele é datado do início do século 10, então é mais velho que a espada do Louvre, mas ainda “novo” para ser a lendária espada de Carlos Magno. O sabre foi provavelmente feito por ferreiros húngaros, o que abriu a porta para lendas adicionais de que seja a “espada de Átila”, famosa arma dada a Átila, o Huno, por Marte, o deus da guerra. Infelizmente, isso não é historicamente plausível também.

✔ Durindana
Por centenas de anos, uma misteriosa espada ficou afundada nas falésias acima da capela de Notre Dame em Rocamadour, na França. Os monges dizem que é Durindana (ou Durandal), a espada do paladino Rolando. Segundo a lenda, Rolando atirou a lâmina sagrada no penhasco para evitar a captura por seus inimigos. Desde o século 12, a capela tem sido um destino de peregrinações sagradas. 
Em 2011, a espada foi removida pelo município local e entregue ao Museu de Cluny, em Paris, para uma exposição. Mas será que ela é mesmo a espada Durindana? Enquanto a batalha na qual Rolando perdeu a vida é um evento bem documentado, a primeira menção de Durindana foi em “A Canção de Rolando”, composta centenas de anos mais tarde, aproximadamente quando os monges de Notre Dame começaram a reivindicar que tinham a espada do paladino. Eles provavelmente fizeram essa ligação porque Rocamadour foi o ponto de partida para a viagem de Rolando, mas sua batalha final aconteceu centenas de quilômetros de distância, no vale da Roncesvaux. Então, infelizmente, a espada no penhasco é provavelmente nada mais do que uma história conjurada pelos monges da capela. A verdadeira origem da arma permanece um mistério completo.

✔ Espada de São Pedro
Existem várias lendas sobre a espada usada por São Pedro quando ele cortou a orelha do servo do sumo sacerdote no jardim do Getsêmani. Supostamente, ela foi levada a Inglaterra por José de Arimateia, juntamente com o Santo Graal. No entanto, em 968, uma espada trazida para a Polônia pelo bispo Jordan foi aclamada como a espada real de São Pedro. A espada do bispo, considerada a verdadeira relíquia, permaneceu na Polônia e foi, posteriormente, transferida para o Museu Arquidiocese de Poznan. 
Será que a misteriosa arma realmente pertenceu a São Pedro? Há alegações de que ela poderia ter sido feita nas fronteiras orientais do Império Romano no primeiro século, mas há pouca evidência para substanciar esses palpites. A espada é uma cimitarra, tipo de arma que provavelmente não era usada na época de São Pedro. Testes também a datam muito depois da morte do santo.

✔ Espada de Wallace
Diz a lenda que William Wallace, o personagem de Mel Gibson em “Coração Valente”, usou pele humana na bainha, empunhadura e cinto de sua espada. O doador de tal pele foi Hugh de Cressingham, tesoureiro da Escócia, que Wallace tinha esfolado após derrotá-lo na batalha de Stirling Bridge. A lenda se espalhou ainda mais quando o rei James IV pediu que a bainha, cinto e pomo da espada de Wallace fossem substituídos por algo mais condizente com uma arma de tal estatura. 
A espada como é agora, encontrada no Monumento Nacional Wallace, tem as peças usadas em tal reposição. Mas será que um dia o guerreiro realmente usou uma espada de pele humana? Enquanto Cressingham foi definitivamente esfolado, Wallace provavelmente só usou a pele do cobrador de impostos no cinto de sua espada, não na espada real. A história surgiu do lado inglês, o que indica que foi “embelezada” para tornar o herói escocês um temido bárbaro. Ainda assim, podemos certamente entender o rancor de Wallace contra os cobradores de impostos.

 Espada de Goujian
Em 1965, uma espada notável foi encontrada em uma tumba úmida na China: apesar de ter mais de 2.000 anos de idade, não havia uma mancha de ferrugem nela. A lâmina intocada pelo tempo ainda tirou sangue de um arqueólogo quando ele a testou sobre seu dedo. Além de sua capacidade de resistência sobrenatural, suas gravuras também eram incrivelmente detalhadas para uma espada forjada há tanto tempo. Um estudo mais aprofundado das gravuras concluiu que a espada pertenceu ao rei Yue, Goujian
Esta pode ser a lâmina lendária mencionada em “A História Perdida de Yue”. Quando o rei Goujian teve sua coleção de espada avaliada, só uma possuía mérito. Esta espada era tão magnífica que a lenda dizia que havia sido feita com os esforços combinados dos Céus e da Terra. E como permaneceu em excelente estado por mais de 2.000 anos? Testes mostram que os ferreiros de Yue atingiram um nível tão elevado de metalurgia que foram capazes de incorporar ligas à prova de ferrugem em suas lâminas. Suas espadas também foram tratadas com produtos químicos resistentes à ferrugem. Além disso, em um golpe de sorte, a bainha da lâmina era quase hermética, o que impediu a oxidação e permitiu que a lendária arma fosse encontrada em tal condição intocada.

✔ A Espada de Sete Ramos
Em 1945, uma misteriosa espada foi encontrada no santuário japonês Isonokami. A espada era extremamente incomum, com seis saliências ramificando de seus lados (a ponta é considerada o sétimo ramo). A espada estava em más condições, mas uma inscrição desbotada podia ser vista ao longo da lâmina. A tradução exata dessa inscrição foi questionada várias vezes, mas o que está claro é que a espada foi um presente de um rei coreano para um monarca japonês. 
Isto corresponde a uma espada encontrada no Nihon Shoki, um documento histórico infundido em folclore que cataloga o início da história do Japão. Se esta foi a mesma espada de sete braços dada a uma imperatriz xamã semimítica, Jingo, é uma importante marca na qual a lenda torna-se fato. A data da espada foi confirmada por fontes confiáveis na China, Coréia e Japão. O santuário Isonokami em si também foi mencionado em outros documentos que datam da época do Nihon Shoki, então a espada poderia muito bem ter sido deixada lá em tempos antigos. Estudiosos acreditam agora que a espada de sete braços é a espada real da lenda, dando a Jingo um lugar autêntico na história.

✔  La Tizona
La Tizona era a espada do lendário herói El Cid, que lutou para ambos os exércitos cristãos e muçulmanos na Espanha. Em um museu em Burgos, Espanha, há uma espada controversa que a curadoria do museu afirma não ser outra senão a própria lâmina de El Cid. A espada teria sido dada ao Marquês de Falces pelo rei Ferdinand em 1516. Em seguida, foi transmitida através de sua família, até que chegou ao Museu Militar de Madrid em 1944. Ali permaneceu com sua legitimidade incontestável por 60 anos, até que foi vendida para a exposição no Museu de Burgos.
No momento da sua venda, o Ministério da Cultura - que está ligado ao Museu Militar - lançou um ataque acadêmico contra a espada, dizendo que foi forjada séculos após a vida de El Cid. O Museu então lançou um contra-ataque mantendo a autenticidade da espada através de estudos diferentes, e dizendo que o Ministério estava com 'dor de cotovelo' por ter perdido a posse da arma. No poema épico, o "Lay de El Cid", La Tizona é endeusada por ter desmaiado inimigos indignos com um mero deslumbre de sua lâmina. A espada exposta em Burgos nunca desmaiou os visitantes do museu, mas certamente parece ter o poder necessário para provocar algo assim. A autenticidade da espada continua a ser um debate feroz.

✔ O Ulfberht
Embora esquecida nos tempos modernos, houve um tipo de espada valorizada pelos Vikings que foi superior a qualquer arma Europeu. As espadas eram chamadas Ulfberht e consideradas mil anos à frente de seu tempo, manejada apenas pela elite de guerreiros vikings.
Enquanto a maioria das lâminas Vikings foram compostas por escórias e aço de baixo carbono, o metal dessas lâminas é comparável à força do aço moderno. Elas foram marcadas com a assinatura "+ ULFBERH + T", e nada parecido foi visto novamente na Europa até a revolução industrial. O mistério é como os Vikings criaram essas lâminas, enquanto o resto da Europa ainda fazia um aço quebradiço como vidro. Estudiosos acreditam que o segredo para as lâminas Ulfberht era um metal diferente que os Vikings importaram do Irã e Afeganistão. Não podemos ter certeza de quem foi Ulfberht - ou mesmo se ele era mesmo uma pessoa - mas ele foi o único ferreiro do seu tempo que sabia trabalhar com esse tipo de aço. E isso fez das suas espadas, sem dúvida, as armas mais avançadas daquela era.

✔ Zulfiqar
Zulfiqar é a espada do líder islâmico Ali. Seu nome significa “bifurcada” ou “aquela que divide exatamente em duas partes”. Na batalha de Uhad, Ali estava lutando para salvar o profeta Maomé. Devido aos ataques contínuos e ao poder e à força de Ali, ele acabava quebrando todas as espadas que usava.
Então, o profeta Maomé orou: “Deus, tu que deste tanta força à Ali, agora dê à ele também uma espada”. Em seguida, apareceu o anjo Gabriel trazendo consigo a espada Zulfiqar e proclamando o seguinte: “O líder dos homens, o Leão de Deus, o Poder de Deus, não há homem mais corajoso no mundo do que Ali, não existe espada como Zulfiqar.”
A maior parte dos registros históricos afirma que Ali usou Zulfiqar na Batalha da Trincheira para cortar ao meio um de seus inimigos e seu escudo. O inimigo era Amr ibn Abdawud, cuja força era comparada à de mil homens. Ninguém tinha se atrevido até antão a lutar com ele. Ali o aniquilou com um único golpe, mesmo que Amr usasse uma armadura muito resistente e portasse armas poderosas.
Pela tradição popular xiita, Zulfiqar foi passada de imã para imã, e está agora em posse do 12º imã, conhecido como Mahdi, o redentor profetizado do Islã. Ele haverá de permanecer na Terra por sete, nove ou dezenove anos, de acordo com as diferentes interpretações, antes da chegada do dia final, o Dia da Ressurreição. Os muçulmanos acreditam que o Mahdi, juntamente com Jesus, livrará o mundo do erro, da injustiça e da tirania, e certamente usara Zulfiqar para isso.
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