sábado, 8 de novembro de 2014

Livros deste século já predestinados a serem clássicos no futuro

Quanto tempo precisamos esperar até que possamos proclamar que um livro recentemente lançado já é um clássico da literatura moderna? Afinal, só porque os críticos estão elogiando um novo livro e milhares de leitores estão dispostos a comprá-lo neste exato momento, não significa necessariamente que esta obra despertará o mesmo interesse nas gerações futuras.
Eu tenho ouvido esse questionamento frequentemente em vários eventos literários que frequento, e por mais que o assunto seja debulhado por diversosprofissionais e entusiastas do ramo, a verdade é que não há como prever o que o destino há de nos prover. E embora eu não tenha uma bola de cristal nem nada do tipo, é inevitável manter os olhos e ouvidos abertos para os sussurros de adulações que percorrem sobre certas obras que são dignas de um destaque diferenciado em meio ao tão inflado mercado literário.

Os livros listados abaixo foram reunidos seguindo apenas uma única regrinha básica: Eles merecem ser lidos em um futuro distante. O que eu considero um pré-requisito fundamental para um dia alcançar o patamar de um "clássico". Se você ainda não conhece esses títulos, pode acabar correndo o risco de ficar preso em algum lugar do passado.

✔ As Aventuras de Pi, de Yann Martel
Um dos romances mais importantes do século, As Aventuras de Pi é uma narrativa singular de Yann Martel que se tornou um grande best-seller.
O livro narra a trajetória do jovem Pi Patel, um garoto cuja vida é revirada quando seu pai, dono de um zoológico na Índia, decide embarcar em um navio rumo ao Canadá. Durante a viagem, um trágico naufrágio deixa o menino à deriva em um bote, na companhia insólita de um tigre-de-bengala, um orangotango, uma zebra e uma hiena. A luta de Pi pela sobrevivência ao lado de animais perigosos e sobre um imenso oceano é de uma força poucas vezes vista na literatura mundial.
Uma obra-prima de Yann Martel que borra a linha entre o real e o faz de conta, com narrativas de duelos que são igualmente críveis, mas por razões completamente diferentes.

✔ Bel Canto, de Ann Patchett
Na casa do vice-presidente de algum país da América do Sul, uma elegante festa de aniversário está sendo realizada. O homenageado é o Sr. Hosokawa, poderoso empresário japonês. Roxanne Coss, soprano de fama internacional, fascina os convidados. É uma noite perfeita, até que um bando armado invade o local pelos dutos de ar-condicionado e torna todos os convidados reféns. O objetivo inicial era sequestrar o presidente, mas ele ficou em casa assistindo à novela. E assim, desde o início, nada sai como o esperado. 
No entanto, o que começa como um cenário de pânico e risco de vida evolui para algo completamente novo, com terroristas e reféns desenvolvendo laços inesperados e pessoas de diferentes países agindo como compatriotas. Compaixão, amizade e a possibilidade de um grande amor levam os personagens a esquecer a ameaça real que os cerca. 
Ao transitar com maestria pela mente e pelo coração de reféns e terroristas, Ann Patchett constrói um romance que revela uma humanidade profunda. Com sua voz sutilmente lírica e melódica, a autora faz de Bel Canto um gentil lembrete sobre a transcendência e a beleza do amor.

✔ Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson
Vem da Suécia um dos maiores êxitos no gênero de mistério dos últimos anos: a trilogia Millennium - da qual este romance, Os Homens que Não Amavam as Mulheres, é o primeiro volume. Seu autor, Stieg Larsson, jornalista e ativista político muito respeitado na Suécia, morreu subitamente em 2004, aos cinqüenta anos, vítima de enfarte, e não pôde desfrutar do sucesso estrondoso de sua obra. Seus livros não só alcançaram o topo das vendas nos países em que foram lançados (além da própria Suécia -onde uma em cada quatro pessoas leu pelo menos um exemplar da série -, a Alemanha, a Noruega, a Itália, a Dinamarca, a França, a Espanha e a Inglaterra), como receberam críticas entusiasmadas. 
Um dos segredos de tanto sucesso é a forma original com que Larsson engendra a trama, conduzindo-a por variados aspectos da vida contemporânea: do universo muitas vezes corrupto do mercado financeiro à invasão de privacidade, da violência sexual contra as mulheres aos movimentos neofascistas e ao abuso de poder de uma maneira geral. 
Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um enigma a portas fechadas - passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada.

✔ Deuses Americanos, de Neil Gaiman
Deuses Americanos, o melhor e mais ambicioso romance de Neil Gaiman, é uma viagem assustadora, estranha e alucinógena que envolve um profundo exame do espírito americano. Gaiman ataca desde a violenta investida da era da informação até o significado da morte, mantendo seu estilo picante de enredo e a narrativa perspicaz adotados desde Sandman. 
Neil Gaiman oferece uma perspectiva de fora para dentro, e ao mesmo tempo, de dentro para fora da alma e espiritualidade dos Estados Unidos e do povo americano: suas obsessões por dinheiro e poder, a miscigenada herança religiosa e suas consequências sociais, e as decisões milenares que eles enfrentam sobre o que é real e o que não é. 

✔ A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón
Fenômeno editorial no mundo inteiro, com mais de 13 milhões de cópias vendidas, A Sombra do Vento consagrou o espanhol Carlos Ruiz Zafón como uma das maiores revelações literárias dos últimos tempos. O autor usa o cenário grandioso de Barcelona, com suas largas avenidas, seus casarões abandonados, sua atmosfera gótica e espectral, para ambientar um romance arrebatador que é também uma reflexão sobre o poder da cultura e a tragédia do esquecimento. 
Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o ao coração do centro histórico da cidade, onde está o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta. Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares dos livros que o autor já escreveu. A busca do personagem marca sua transformação de menino em homem, e desperta no leitor um fascínio renovado pelos livros e pelo poder que eles podem exercer.

✔ O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini
Publicado em mais de 70 países e com a marca de mais de 2 milhões de exemplares vendidos apenas no Brasil, o aclamado livro O Caçador de Pipas, romance de estreia de Khaled Hosseini, está de volta em nova edição. O romance narra a tocante história da amizade entre Amir e Hassan, dois meninos que vivem no Afeganistão da década de 1970. Durante um campeonato de pipas, Amir perde a chance de defender Hassan, num episódio que marca a vida dos dois amigos para sempre. Vinte anos mais tarde, quando Amir está estabelecido nos Estados Unidos, após ter abandonado um Afeganistão tomado pelos soviéticos, ele retorna a seu país de origem e é obrigado a acertar as contas com o passado. 
Transformado em filme em 2007 pelo diretor Marc Forster, o romance há 10 anos emociona leitores de todo o mundo. A nova edição traz um prefácio especial do autor, no qual ele fala sobre a semelhança entre a ficção de O caçador de pipas e sua própria realidade - depois de 27 anos exilado nos Estados Unidos, e já tendo concluído seu primeiro romance, Khaled Hosseini retornou a Cabul e passou por algumas das mesmas experiências vividas pelo personagem Amir ao regressar a sua cidade natal.

✔ Precisamos Falar Sobre Kevin, de Lionel Shriver
Para falar de Kevin Khatchadourian, 16 anos - o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio dos subúrbios de Nova York -, Lionel Shriver não apresenta apenas mais uma história de crime, castigo e pesadelos americanos: arquiteta um romance epistolar em que Eva, a mãe do assassino, escreve cartas ao marido ausente. Nelas, ao procurar porquês, constrói uma reflexão sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influência e responsabilidade na criação de um pequeno monstro. 
Precisamos Falar Sobre Kevin discute casamento e carreira; maternidade e família; sinceridade e alienação. Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série e pitboys. Um thriller psicanalítico no qual não se indaga quem matou, mas o que morreu. Enquanto tenta encontrar respostas para o tradicional "onde foi que eu errei?" a narradora desnuda, assombrada, uma outra interdição atávica: é possível odiarmos nossos filhos? 
Um livro obrigatório por inúmeras razões; uma bofetada a cada página. Nunca gostei de apanhar, mas esse livro me nocauteou e ainda terminei dizendo quero mais.

✔ Liberdade, de Jonathan Franzen
Quarto romance do norte-americano Jonathan Franzen, foi um dos mais festejados lançamentos literários de 2010. Publicado nove anos após As correções (vencedor do National Book Award), o livro foi saudado como um painel amplo e profundo da sociedade americana contemporânea e um triunfo da prosa refinada que já fazia a fama do autor. 
A história de Liberdade gira ao redor de um trio de protagonistas. Walter e Patty Berglund formam, junto com os filhos adolescentes Joey e Jessica, uma típica família norte-americana liberal de classe média. Richard Katz é um roqueiro descolado que tenta fugir da fama que tanto buscava no passado. Os três se conhecem no final dos anos 1970, na Universidade de Minnesota, e a partir daí suas vidas se entrelaçam numa complexa relação de amizade, paixão, lealdade e traições que culminará com uma série de conflitos decisivos na primeira década do novo milênio, época em que o conceito de liberdade parece tão onipresente quanto fugidio. 
Como em As correções, Franzen mergulha numa tragédia familiar para dissecar, com incrível detalhe e personagens tão reconhecíveis quanto surpreendentes, a psique e os sonhos da classe média norte-americana, explorando temas como o choque entre as políticas liberais e conservadoras no contexto social e privado, os males da superpopulação e das ameaças ecológicas, a crise do politicamente correto e os dilemas afetivos de uma geração cada vez mais conectada, individualista e globalizada.

Esses são os livros do Século 21 que apostamos como grandes candidatos a se tornarem clássicos em um futuro não tão distante. Se você concorda ou não, ou se tem outras obras que gostaria de acrescentar a essa lista, use nosso espaço dos 'Comentários' e mostre o que tem no crânio.

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