terça-feira, 25 de novembro de 2014

Uma visita pra lá de esquisita

Era domingo, e quando ele chegou todo sujo de barro, e com suas roupas rasgadas e cheias de sangue, eu me assustei. Senti que minhas pernas tremiam de apreensão.
“O que houve?”, perguntei.
“Foi um acidente de carro”, respondeu.
O coloquei pra dentro e o deitei no sofá, mesmo sem conhecê-lo, ele precisava de ajuda, porra. Rapidamente peguei uma bacia com água e um pano branco e passei a limpá-lo, ao tempo em que o garoto bebia água e tentava recuperar o seu fôlego.
“Foi na ‘curva do s’, ele entrou na contramão e me jogou pra fora da estrada”, disse o garoto.
Enquanto ouvia a sua voz nervosa, eu estranhava tanto sangue em seu corpo em relação a nem mesmo um ferimento aparente.
“O maluco nem parou, como se não houvesse feito a merda que ele fez”, completou o garoto.
Ainda sem entender muito bem o que havia acontecido, eu fui até a cozinha pegar mais um pouco de água limpa. E tão logo voltei até a sala, o encontrei em pé, me olhando com seus olhos esbugalhados.
“Preciso que avise a minha mãe”, disse o garoto, “eu moro na quadra seguinte, na casa verde”, e simplesmente desapareceu diante dos meus olhos.
Confuso, saí pra rua todo atordoado, e quando cheguei perto da tal casa verde, vi que uma mulher chorava abraçada a um senhor de meia-idade.
Prestei atenção na situação e notei que havia um monte de carros estacionados nas imediações, e que muita gente entrava e saía do lugar e que eles cochichavam uns com os outros.
Senti um nó em minha garganta e pensei, “Ela já sabe”, e voltei pra minha casa, pois se eu contasse ninguém acreditaria.
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