sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Brincando com Barbies imaginárias que não sabem gozar a vida

Brincando com Barbies imaginárias que não sabem gozar a vida.

Você nunca, nunca vai se esquecer de mim.
Não digo pelo porte atlético (que eu não tenho).
Nem pelas coisas todas (que eu não possuo)
Nem por ser o melhor cara do mundo (nem de longe) .
Vai lembrar-se de mim por causa da porta que dava para outro mundo, um que você não via, nem sabia, nem cogitava sobre a existência dele. Teu mundo era cinza, garota. Teu mundo se fechava entre Barbies impecáveis e terninhos femininos de escritório. Teu mundo era um cômodo de fundos decorado que nem caixão pra velório e eu quase te mostrava o sol (que eu não tenho).
A gente (eu) pensava sobre o início, passeando até o fim da vida, filhos, amor, essas coisas comuns... Pensava naquela cafonice de estada sem partida, aquela merda de alma gêmea perdida que os poetas fracassados enfiam no seu rabo durante uma sexta feira à noite (fodida) sem comer (novamente) ninguém (novamente), ninguém.

E eu vejo você pelos corredores cinzentos daquele lugar morto tentando achar o sol. Na tua mão direita as provas de mais um crime não perfeito. As mãos se apertam, tremem. Quer sorrir, mas não sabe se pode, não sabe por onde, não sabe se chora também, não sabe o que vem (por que está tudo trancado). Mas sabe entrar na didática da razão do mundo. Sabe de todas essas merdas capitais que os canalhas de sucesso enfiam no teu rabo numa sexta feira amena (geralmente comendo alguém), degustando seus vinhos italianos e franceses nada amenos (e geralmente comendo alguém sem vontade, como se fosse uma criança cheia de brinquedos a experimentar mais um e nada o surpreende mais). Então eu vejo você lá, sempre.. De cinza, relatórios sem fim; o mundo na tua frente e não se pode tocar, as asas de fora e não se pode voar, essa palhaçada constante da vida (que já não te traz tanta alegria).  E volta e meia aparece um palhaço novo na tentativa de entreter (mas ele não te faz sorrir).. Suas piadas são rasas. E admitam: não existe nada de pior na vida que observar um palhaço triste contando piadas manjadas, dessas que se ouve gratuitamente  (e talvez não se queira ouvir) em qualquer estabelecimento sujo onde vendam boas bebidas (à preço acessível, que se queira ver).
Mais um dia se passa na tua vida manjada, igual a tantas outras, na carruagem das horas puxadas, deslizando entre o começo e o fim do nada. A insegurança vinda de dentro para fora, e o mundo devolvendo aquela merda de fora para dentro. Um  jogo de espelhos desgraçado. Pelo chão se deitam, pontiagudos, os cacos da tua inocência e você pisa neles com força. Que se dane o passado agora. O telefone não toca, e quando toca é só mais um palhaço e ele não te faz rir e isso fode o teu juízo por que você se lembra da maldita porta que quase te mostrou o sol (que eu quase tinha, e talvez até o tivesse) e você viu tudo cinza de novo.

Nós correríamos por aí (com/sem rumo) sem medo de agarrar a tal felicidade alardeada pelos sortudos (e bastardos românticos). Pois do nosso jeito veríamos a hora passando em nosso relógio, em nosso próprio tempo, e tudo seria mais interior (intenso) e tudo seria mais nosso, e as estrelas seriam faróis mantendo iluminada a direção dos novos planetas que veríamos. Nada seria raso, isso não! Teus dias seriam quase solares. E veríamos o mundo ficar mais redondo, mais caprichado, dentro daquilo que nós queremos enxergar que o mundo seja (ou possa vir a ser). 

Mas agora ela está só, reinando absoluta em seu castelo de razões, eternamente solitária (mesmo acompanhada), vivendo uma vida programada... E brincando com Barbies imaginárias que não sabem gozar a vida.

No fim era só uma porta, eu sei, ela se abriu, te mostrou um pedaço do sol, mas você viu cinza, como a vida sempre lhe envolveu, da mesma cor, exatamente assim. E eu não pude te mostrar mais nada.


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