segunda-feira, 13 de abril de 2015

Condenada (Chuck Palahniuk)

Após ter os meus últimos resquícios de 'ética moral' dilacerados pela leitura do livro Snuff, eu sabia que não ia demorar muito até que a escrita maliciosa deste escritor, naturalmente me atraísse até outra obra de sua autoria. Mais conhecido como o célebre autor do livro que inspirou o filme 'Clube da Luta'Chuck Palahniuk é um artista que consegue reinventar o seu estilo brilhantemente a cada nova empreitada, deixando nada mais do que uma 'constante surpresa' como marca registrada do seu trabalho. Com relativa facilidade, parece que Palahniuk sempre encontra um terreno fértil onde plantar suas ideias, dando a oportunidade de seus leitores colherem diferentes frutos transgênicos a cada nova estação. 
E se em Fight Club ele soube brincar assustadoramente com o psicológico masculino, e em Snuff conseguiu a proeza de espremer o conceito familiar por um prisma pornográfico, não dá pra esperar menos pirotecnia do Condenada (Editora Leya, 256 páginas), o primeiro volume de uma saga em que Chuck Palahniuk promete, tal qual Dante, nos dar o deslumbre da sua própria visão do Inferno.

Como protagonista desta história 'infernal', o autor resolveu usar a jovem Madison. Uma menina de treze anos cheia de defeitos que teve o azar de nascer em uma família perfeita. Ou talvez fosse ao contrário, dependendo da ótica que se olha. Filha de pais ricos, famosos e bem sucedidos, Madison pode ser considerada o protótipo das crianças de uma próxima geração. Com uma criação considerada extremamente liberal para os padrões tradicionais, ela cresce em um mundo cercado pelo glamour entorpecente do politicamente correto, em que se gasta milhões para aplacar a fome em algum lugar remoto na África, mas se nega um plano de saúde para a empregada doméstica da família. Isso nos leva a sua suposta morte por overdose de maconha enquanto praticava jogos sexuais com o seu irmão adotivo da América do Sul, e o início da sua jornada pela pós-vida.
Enquanto nos apresenta um Inferno que só a mente obtusa de Chuck Palahniuk seria capaz de conceber, Madison procura adaptar-se a sua nova situação e tenta entender o que deu tão errado nos seus últimos minutos na terra para acabar tendo a sua ficha carimbada como o único caso de 'overdose de maconha' das profundezas.

De forma ardilosa, o autor parece infiltrar o seu humor exótico por entre as linhas desse enredo, sem gastar suas expressões, elas surgem pontualmente quase que como prêmios para os leitores mais treinados que podem ter a ligeira sensação que só eles poderiam ter sacado essa, ou aquela, concepção do tema.
Depois de séculos tendo o Inferno de Dante como o principal embasamento para se rascunhar a danação eterna, o Condenada apresenta uma leitura bem atual do que nos espera quando partirmos dessa pra pior. E pode esquecer aquele conceito cafona de torturas, chicotadas e sofrimento que aprendemos nas aulas de catecismo. Qualquer praticante de sadomasoquismo tiraria estas atividades de letra. Para realmente continuar representando o símbolo máximo de maldade e punição, o Inferno criado por Palahniuk é mais como uma enorme repartição pública, cheia de filas, muita burocracia, e uma pilha de processos que tem a eternidade toda para serem analisados.

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