terça-feira, 19 de maio de 2015

Como salvar os monstros que habitam o seu âmago

Eu sei que depois de abrir um vinho deve-se bebê-lo até o fim. Porque tudo muda com o tempo, e o dia seguinte se transforma em desprazer, caso arrisque um gole. Porém, não abrir a segunda garrafa por covardia de pô-lo fora, é uma fraqueza que arranha o coração e se transforma em dor e medo, não em cura. E todo mundo sabe que o vinho deve ser usado como cura.
Sim, desde os tempos de garoto que luto com monstros de toda espécie. Alguns viviam em meu roupeiro, outros tantos saíam debaixo da minha cama, e muitos se embrenhavam na escuridão de meu quarto. Contudo, a maior ironia sobre eles, é que boa parte deles estava na rua, na escola, na esquina. E como monstros invencíveis, sempre me destruíram, por mais que eu tentasse superá-los das mais infinitas formas. Mas quando encontrei o vinho, eu virei a mesa. Foi o único modo que achei pra inundar o meu âmago com um pouco de esperança. Pois só ele arranca a dor de um homem, e de um monstro também.
E tudo é muito simples, quando sentir que não dará conta de mais uma garrafa, elimina-o, ponha-o no ralo. Mas, se puder aguentar, vá até o fim da segunda, e se precisar, não sinta vergonha ou culpa de vomitá-lo. Não estará a desperdiçá-lo, pois o que o vinho lhe proporcionou você já sentiu e todos os seus monstros estarão curados até o final da noite, e você também. Somos como eles, e precisamos de vinho. Confie, pois os monstros que nos habitam mudam de nome e de esconderijo conforme envelhecemos, mas a gente nunca se livra deles, não importa a nossa idade, só que o vinho, muda tudo e todos; entende? E com ele, nossos monstros perdem o poder de ferir os nossos corações com suas garras, e de nos assustar com suas feições, passando a beber ao nosso lado enquanto buscam a mesma promessa de cura que a gente.
O vinho é algo grande por isto, só ele é capaz de transformar tudo que há de ruim em uma alma, ao tempo em que limpa a nós mesmos e a nossos monstros também. E é neste momento que nós e eles tornamo-nos libertos de tudo e afins, pra que possamos sentar na mesma mesa. Esteja certo: monstros são maus até a segunda garrafa de vinho, e homens perdidos, também.
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