domingo, 3 de maio de 2015

Nem toda Feiticeira tem bunda

Ela perdeu a noção de quanto tempo estava vivenciando aquele êxtase, mas se pudesse arriscar um palpite, diria que já perpetuava por pelo menos umas duas horas intensas. Seu corpo pendia relaxado sobre um divã de couro em vinho, vestido em nada mais que uma única lingerie negra que mal cobria seus desejos. Massageava os próprios seios desnudos e gemia baixinho, enquanto preparava-se para receber um novo orgasmo. 
É claro que nenhum homem em condições normais suportaria aquela maratona erógena. Raros eram aqueles que sequer concordariam em satisfazer uma mulher daquela forma, e mesmo estes poucos exemplares jamais perderiam tanto tempo em uma posição em que apenas ela fosse a beneficiada. Mas, apesar do rosto de traços finos e do corpo atlético, Leandro não era um homem diferente de qualquer outro. Ele não estava gastando horas preciosas da sua vida única e exclusivamente para dar prazer para uma mulher só porque era capaz, ou por puro tesão, e muito menos por algo simbólico como o amor. Ele estava ali, ajoelhado esse tempo todo com o rosto enfiado entre as suas pernas, simplesmente porque ela assim o queria.

Após atingir o ápice mais uma vez (já perdera a conta de quantas foram nesse período), decidiu que bastava. Não que estivesse devidamente satisfeita, porque na verdade não estava. Mas sabia que exigir demais do seu brinquedo poderia diminuir drasticamente a sua vida útil.
-Já chega, tonto! Pode parar, antes que você acabe com um calo na língua e eu não possa mais usá-lo. Veja só, acabou a minha bebida.
Derramou na boca o último gole que repousava no fundo da taça e endireitou-se sentando na mobília, enquanto o jovem aguardava suas palavras ainda de joelhos na sua frente.
-Que tal comprar mais algumas garrafas, queridinho?!
-Tudo que você desejar, minha amada.
-Aproveita a viagem e traga algumas frutas frescas. Serão bem úteis para o que estou planejando para a gente mais tarde.
-Como quiser.
Leandro saiu recolhendo as suas roupas pelo chão, vestindo o que podia pelo caminho, apressado para fazer o seu melhor e atender o que lhe foi pedido.
Assim que o rapaz deixou o recinto, o bichano de pelo negro saiu sorrateiro do seu esconderijo por detrás de uma pilha de livros. Caminhou calmamente até a mulher, que agora deslizava uma loção pelo corpo sentada comportadamente no divã, e saltou graciosamente para o seu lado. Soltou um miado abafado antes de começar a falar.
- Ufa! Até que enfim. Achei que essa libertinagem não acabaria nunca. Você não se cansa de torturar esse pobre coitado? Quando vai deixar ele livre?
- E porque eu faria isso? – a mulher respondeu ao animal sem dar qualquer importância para a sua presença.
- Miau, nada demais. Apenas algo que me passou pela cabeça. – retrucou o gato em tom irônico. – Talvez por que você o enfeitiçou de forma cruel. Ou talvez por que o sequestrou covardemente. Ou quem sabe por que têm mantido ele como seu escravo sexual nos últimos três meses. Tenho certeza que qualquer um desses argumentos seria válido para uma pessoa normal.
- Eu não sou...
- ... Uma pessoa normal? Miau! Sim, eu sei que não, querida. Você é uma feiticeira. E seria uma das melhores, se não insistisse em se comportar feito uma bruxa patética de contos de fadas, usando a sua magia para saciar os seus desejos mais sórdidos.
- Falando assim, você faz parecer uma coisa tão ruim.
- E não é?! Miau! Você vem explorando os dotes sexuais deste rapaz durante dias a finco. E o pior de tudo, tenho sido obrigado a assistir este filme pornô de quinta categoria em um 'loop' sem fim. Isadora, querida, tudo tem limite nessa vida.
- E o que você sugere? Libertá-lo do meu comando e voltar para os vibradores? Você sabe bem que eu não sou exatamente do tipo atraente para os homens. De que outra forma eu conseguiria prazer incondicional com um macho feito o Leandro, se não por magia?
- Miau! Você, você e você! Sempre você. Será que não consegue pensar em nada que esteja fora da sua calcinha?! Já parou pra pensar, por exemplo, que este jovem pode ter uma família que deve estar preocupada com ele? Talvez uma mulher esperando pela sua volta para que se casem. Você está tirando deste rapaz o direito de viver uma paixão de verdade.
Isadora suspirou tristemente, aninhou os braços entre as pernas, e mirou os próprios pés de forma pensativa.

A porta abriu de rompante, trazendo um Leandro atrapalhado em carregar as sacolas com os pedidos de sua senhora.
- Trouxe tudo que me pediu, amada. Devo me despir agora?
- Não, Leandro. Você não precisa mais fazer isso. – falou com pesar enquanto caminhava na direção do rapaz.
- Então devo preparar a comida e bebida para o seu desfrute? E depois me despir?
- Também não precisa mais fazer esse tipo de coisa. Não para mim. Nunca mais. Você está livre. Agora eu quero que pegue todas essas coisas que trouxe, volte para casa, e compartilhe tudo em uma noite maravilhosa com alguém que você ame de verdade.
Ainda com o olhar apático de um enfeitiçado, Leandro respondeu antes de sair.
- Obrigado, senhora. Tenho certeza que o Gustavo vai adorar estes presentes.
Ficou arrasada com a declaração. Arrastou-se até a cômoda, abriu a última gaveta e tirou o velho vibrador da aposentadoria. Enquanto procurava pilhas para o brinquedo, começou a ter ideias bizarras sobre as possibilidades de ter um cachorro. Um dos bem grandes.
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