sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Enterro da Cafetina (Marcos Rey)

Em qualquer contato com a cultura nacional, um ponto que torna-se nítido e incorrigível, é a forçada adulação a 'alegria química'. Seja na música, filmes, ou qualquer outra forma de expressão artística, o que sempre predomina são as cores fortes, o som dançante e uma empolgação involuntária que transmite a falsa impressão de que aqui vivemos em um eterno Carnaval, mesmo que a nossa prática quase nunca seja vivida dessa maneira. A arte, que sempre teve na sua essência a função de expressar a realidade de seu período, em nosso país é simplesmente usada como anestesia para manter o público girando em uma enorme roda de hamsters, ávidos por consumir sem pestanejar a nova repetição de tendencias do próximo verão.
Já alcançando o status de um dos autores mais resenhados por aqui (dos nacionais, com certeza), Marcos Rey pode ser considerado um dos últimos escritores brasileiros que se deu o trabalho de representar a sua época. E talvez justamente por isso, que a sua escrita permanece tão atual,... Ou será que é o Brasil que permanece estagnado desde que Rey deixou o seu legado?

Se em 'Malditos Paulistas' ele explorou muito bem as adversidades entre cariocas e paulistanos, e em 'O Último Mamífero do Martinelli' apresentou um ponto invisível dos anos de chumbo, já em 'O Enterro da Cafetina' (Editora Global, 192 páginas), o autor joga uma lente de aumento na margem da sociedade do século passado, e nos conta um conjunto de histórias tão diversamente ricas, quanto as pessoas que adorava retratar em suas obras.
O enredo gira em torno da morte de uma famosa cafetina, um evento que mobiliza personagens ilustres da boemia noturna para realizar os últimos desejos dessa figura emblemática da vida noturna, e dar a ela um enterro digno da sua passagem pela Terra. Partindo deste ponto, conhecemos um momento importante do país pelo prisma de personagens marginais que vivem como baratas depois que as luzes se apagam. Em meio a um período político intenso no país, Marcos Rey escolheu focar naqueles que estavam fora desse contexto histórico, tentando levar a vida no 'partido alto', em meio a peleja consumada entre militares e comunistas. Trabalhando com personagens típicos da nossa boemia, a obra exprime um roteiro bem a brasileira, abusando da nossa incrível capacidade de tornar cômica a mais dramática das situações. E resgatando o induto de uma moral (ou a falta dela), que há muito tempo foi esquecida em nossos costumes.

Sendo um produto nacional legítimo de excelente qualidade, a obra é um verdadeiro resgate a identidade da nossa cultura, e com certeza trará excelentes lembranças aos mais nostálgicos que ainda lembram que ser brasileiro é um jeito especial de ser, e não um jeitinho de ser especial.
Como não poderia deixar de ser, o livro ganhou uma adaptação para o cinema em 1971, no auge das produções nacionais, e contando com o impagável Jece Valadão no papel do protagonista, foi um dos filmes mais assistido daquele ano.
Você pode encontrar o filme completo no vídeo abaixo:

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