segunda-feira, 20 de julho de 2015

3 Momentos estranhos em que autores aparecem como personagens dos seus próprios livros

Todo mundo conhece aquele velho ditado literário de que todo escritor deveria escrever sobre o que realmente conhece, não é atoa que os melhores livros costumam ser baseados em experiências pessoais ou fruto de pesquisas profundas, e em muitos casos são obras de autores que tiveram uma vida pessoal mais agitada do que a ficção que escreveram.
Alguns autores, porém, levam esta ligação ao extremo, chegando ao ponto de incluir-se em suas próprias histórias,... Literalmente. E eu não estou falando de um protagonista que sirva apenas como um alter ego do seu criador, mas sim uma inserção do autor como personagem do seu livro. Nem sempre essa manobra funciona, mas não deixa de ser uma estranha curiosidade. 
Abaixo separamos três desses momentos em que grandes autores 'se auto-incluíram' em suas próprias histórias:

 Clive Cussler na série de Aventuras de Dirk Pitt
É difícil imaginar a escrita de Clive Cussler como uma literatura profunda ou fonte de questionamento existencial. Mas, mesmo em sua excitante série de aventuras com o herói Dirk Pitt, ele sempre encontra uma brecha para inserir-se em seus livros quando o seu protagonista precisa de alguma ajuda ou conselho. Ou seja, Cussler é praticamente um 'deus máquina ex' da sua própria história. Além disso ainda tem o fato hilário de Dirk Pitt nunca reconhecer Cussler nas vezes em que eles se encontram.
A Conspiração: Uma Aventura de Dirk Pitt
Uma embarcação romana naufraga no século IV. Durante a Primeira Guerra Mundial, um navio inglês é destruído por uma bomba. Atualmente, no Oriente Médio, ícones da fé islâmica são bombardeados. E um misterioso pergaminho relacionado à vida particular de Jesus pode limitar o poder da Igreja Católica. Como eventos e fatos tão distantes podem ter alguma relação? O engenheiro naval Dirk Pitt (Diretor da NUMA - Agência Nacional Marítima e Subaquática) está acostumado a explorações subaquáticas - e a revelar mistérios indecifráveis - e parece ser a pessoa mais indicada para trazer a público o elo entre esses episódios tão incompatíveis. Mas a que custo? Uma aventura que mistura ficção e realidade em uma criação cheia de surpresas e mistério. Acompanhe o incansável herói Dirk Pitt em uma história em que arrepiantes artefatos religiosos, a CIA e o Mossad misturam-se às mais magníficas construções da arquitetura medieval. (Editora Novo Conceito)

✔ Stephen King na série A Torre Negra
A primeira vista, quando os personagens Roland e Eddie visitam Stephen King, apresentado como o próprio escritor real do livro que você está segurando nas mãos enquanto lê a história, pode parecer um pouco indulgente. Mas King soube fazer isso de uma forma primorosa, primeiro pelo fato de não fantasiar uma personalidade simpática para se auto-promover, e segundo por cruzar eventos traumáticos da sua vida pessoal com o enredo da história. Como por exemplo o seu acidente de 99, explicado no livro como um obscuro atentado contra a sua vida tramado por forças literárias malignas. A fusão da realidade com a ficção acaba ganhando mais um toque de genialidade feito pelas mãos do mestre do terror.
Coleção Torre Negra
Inspirada no universo imaginário de J.R.R. Tolkien, no poema épico do século XIX "Childe Roland à Torre Negra Chegou", e repleta de referências à cultura pop, às lendas arturianas e ao faroeste.
A Torre Negra mistura ficção científica, fantasia e terror numa narrativa que forma um verdadeiro mosaico da cultura popular contemporânea.
Stephen King começou a escrever a coleção quando ainda era um estudante universitário, na década de 1970.
O primeiro volume, O Pistoleiro, foi publicado inicialmente em capítulos na revista de ficção científica The Magazine of Fantasy and Science Fiction. Relançado em 1982 em forma de livro, foi seguido por A Escolha dos Três, Terras Devastadas, Mago e Vidro, Lobos de Calla, Canção de Susannah e A Torre Negra e finalmente A Torre Negra. Desde seu lançamento, a coleção vem reunindo milhares de fãs no mundo todo, e é a obra mais importante do escritor norte-americano. (Editora Suma de Letras)

✔ Bret Easton Ellis em Lunar Park
Um aspecto pouco discutido na escrita de Easton Ellis é o fato de que, ao longo de seus livros ele criou um universo complexo e interligado. Personagens e eventos aparecem em vários livros diferentes, de forma que todas as coisas que ele escreve acontece em um único universo povoado por um pequeno grupo de misantropos. Isso fica mais visível em Lunar Park, onde os primeiros acontecimentos do livro são praticamente uma releitura pessoal de experiências reais do autor nos primeiros anos da sua carreira. Na verdade, se você não está acostumado com a narrativa de Ellis, você nunca vai saber mesmo quando ele começa a abordar a ficção. O que significa que, no final, toda a sua vida faz parte do incrível universo que ele criou.
Lunar Park
Lunar Park começa como uma autobiografia. Ellis confirma, sem pudores, tudo o que se sabe (ou que se pensa saber) sobre ele: o sucesso repentino, os escândalos, seus amores e desafetos famosos, seu cinismo e arrogância. E também a relação tumultuada com seu pai, um homem violento que lhe deixou U$ 10 milhões em dívidas ao morrer e cujo último desejo Ellis se recusou a realizar, embora pudesse fazê-lo com facilidade.
Tudo parece corresponder à realidade, com riqueza de detalhes polêmicos. Até que Ellis começa a falar de coisas das quais ninguém jamais ouviu falar: sua decadência profissional, seu casamento com uma atriz medíocre e o filho que ele despreza desde antes do nascimento. Em Lunar Park, é impossível distinguir os limites entre ficção e realidade. Apenas Bret Easton Ellis, o autor, poderia esclarecer o que, em seu livro, é mentira com fundo de verdade ou verdade exagerada por algumas mentiras. Mas nem adianta perguntar – ele se recusa a responder.
A grande surpresa, no entanto, não é quando o leitor se dá conta de que está lendo uma obra de ficção, mas, mais específico que isso, uma história de terror. Os personagens dos livros anteriores de Ellis começam a atormentá-lo – especialmente Patrick Bateman, o assassino de O psicopata americano, inspirado em seu pai, que também parece ter voltado do mundo dos mortos para persegui-lo. Em paralelo, cadáveres proliferam em torno de Ellis, enquanto os garotos pré-adolescentes da vizinhança vão desaparecendo um a um, sem deixar vestígios. Fantasmas do passado e da ficção invadem a realidade do escritor para destruir sua sanidade mental. (Editora Rocco)
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