quinta-feira, 16 de julho de 2015

Editora Alfaguara traz o 'velho' e o 'novo' de Marcelo Rubens Paiva

Já está em pré-venda os próximos lançamentos da Editora Alfaguara para agosto, que não por acaso é uma vistosa dobradinha com o autor Marcelo Rubes Paiva, sendo uma nova edição do clássico 'Feliz Ano Velho' e o recente 'Ainda estou aqui'. Confira abaixo

✔ Feliz ano velho
Um jovem paulista de classe media alta, muitas namoradas, estudante de Engenharia Agrícola na Unicamp vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo, de farra, resolve dar um mergulho no lago, em estilo Tio Patinhas. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de Feliz Ano Velho, um relato verdadeiro do acidente que deixou o escritor Marcelo Rubens Paiva tetraplégico, a poucos dias do natal de 1979.
O autor confere à narrativa a mesma energia e o mesmo fôlego com que transpôs a armadilha do destino. Imóvel numa cama, Marcelo, o personagem, dá asas às lembranças e à imaginação. Foram 12 meses de uma recuperação lenta e dolorosa: dias e noites intermináveis numa UTI (a “antessala do céu ou do inferno”), o colete de ferro, a descoberta de que teria como extensão do seu corpo uma cadeira de rodas, os momentos em que chegou a pensar em suicídio.
Marcelo, o narrador, se encarrega de colocar em palavras a relação de amor e respeito à mãe, o carinho das irmãs, a camaradagem e o encorajamento da turma, as festas e as fantasias sexuais. O acidente no lago seria o segundo tranco na vida do garoto. O primeiro foi aos 11 anos: o “desaparecimento” do pai — o ex-deputado federal Rubens Paiva — pela ditadura militar. Um despertar violento da consciência política.
Apesar do tema trágico, o livro — que se tornou uma referência na literatura brasileira contemporânea — explode de humor, ternura e erotismo. O texto expressa a irreverência e a determinação da juventude, mesmo na adversidade. E a compreensão precoce “de que o futuro é uma quantidade infinita de incertezas”.

✔ Ainda estou aqui
Verão de 1971. Eunice Paiva, recentemente liberada de um período de prisão e interrogatório durante doze dias no DOI-Codi, no Rio de Janeiro, passa alguns dias com amigos em Búzios. Segundo Antonio Callado, respirava aliviada; o próprio ministro da Justiça havia lhe garantido que seu marido, Rubens Beyrodt Paiva, “já tinha sido interrogado, passava bem e dentro de uns dois dias estaria de volta a sua casa”. Rubens Paiva, no entanto, capturado em sua própria casa por homens da aeronáutica em 20 janeiro de 1971, foi torturado, morto e seu corpo nunca mais foi encontrado. “A cara de Eunice”, escreve Callado, “continuou molhada e salgada durante muito tempo, tal como naquela manhã de Búzios. A água é que não era mais do mar.”
Neste livro, Marcelo Rubens Paiva faz um retrato emocionante da mãe Eunice e, pela primeira vez, traça uma história dramática do que ocorreu — e do que pode ter ocorrido — com Rubens Paiva. “Meu pai, um dos homens mais simpáticos e risonhos que Callado conheceu, morria por decreto, graças à Lei dos Desaparecidos, 25 anos depois de ter morrido por tortura”, narra ele, neste livro magistral. Eunice “ergueu o atestado de óbito para a imprensa, como um troféu. Foi naquele momento que descobri: ali estava a verdadeira heroína da família; sobre ela que nós, escritores, deveríamos escrever”.
Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Mãe de cinco filhos, viu-se obrigada a criá-los sozinhos quando, em janeiro de 1971, Rubens Paiva foi preso por agentes da ditadura. Em meio à dor e às incertezas, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas, militante na luta pelos direitos humanos. Criou os cinco filhos. Nunca chorou na frente das câmeras. “Foi a minha mãe quem ditou o tom, ela quem nos ensinou”, escreve Marcelo Rubens Paiva, nesse relato emocionante sobre memória, perda e a volta por cima.
Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, ele fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para, pela primeira vez, contar — e tentar entender — o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.
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